“Da Fera à Loira”, Marina Warner

Da Fera à Loira, Marina WarnerA promessa do livro é fazer uma análise sobre as influências trocadas entre sociedade e contos de fadas, destacando o papel feminino (como personagem e como contadora de histórias). A idéia é boa, e aposto que a Warner passou anos e anos pesquisando. Mas fica claro demais que ela passou anos e anos e anos pesquisando. São umas 47 páginas só de notas!

É claro, os comentários sobre Cinderellas e Rapunzéis são legais. Na hora que você percebe que todas essas histórias tinham tantas versões diferentes para cada lugar – e que eu só consigo pensar na versão Disney da coisa (adorava meu jogo de carimbos da Cinderella da Disney, com os ratinhos fofos e a carruagem-abóbora)… Bom, vocês entendem. Mas, sinceramente, eu queria uma versão (mais) pop deste livro!

Fora isso, é hora do momento “tudo sempre é sobre mim”. Ou tem a ver comigo. Ou pode ser aplicado a mim.

Na terça-feira, a Marcela me explicou que os trabalhos podem não ser legais agora, mas a gente precisas fazer tudo porque é só assim que se chega a uma situação melhor mais pra frente. O que faz sentido pelo que a gente ouve e conhece. Primeiro emprego sempre paga menos, depois os salários (em teoria) aumentam. Nos primeiros empregos, você é mandado por todo mundo – mas, eventualmente, começa a escalar a cadeia alimentar profissional. Acho que todo mundo concorda que isso faz muito sentido.

Mas ninguém se incomoda que a lógica da coisa é “Trabalhar mais para trabalhar menos”?

Simplificando muito, os contos de fadas trabalham com duas “morais da história”: 1) quem faz coisas erradas é punido (nas versões mais antigas e cruéis) e 2) quem sofre será recompensado. Eu sou super a favor de karma, acho que pessoas boas devem ter boas surpresas e pessoas ruins merecem mesmo voltar como mosca (se bem que eu sou a favor de karma, mas não ligo muito para reencarnação).

Mas parece que não basta simplesmente ser bom: é preciso passar por provações. A Cinderella não é simplesmente uma moça bondosa – ela é também explorada pela madrastá má. O príncipe não pode salvar a Bela Adormecida antes de cruzar espinhos e derrotar monstros. E a Pequena Sereia… bom, a Pequena Sereia sofre, sofre, sofre e ainda por cima morre (não na versão fofa da Disney, é claro).

Alguém mais liga pra isso?

Demorei uns 3 meses para terminar, interrompendo no meio para ler outros 3 livros mais curtos. Comecei a ler… tá, não sei bem qual foi o motivo. Acho que meu semestre na aula de Estigmas teve alguma coisa a ver com isso.

Leave a Reply