Archive for March, 2008

Eu me contento com pouco

Tuesday, March 25th, 2008

Comendo Big Dog da Reitoria na baguete (que é melhor do que o Super Hot Dog do Cepê) sem a menor classe (será que tem purê na ponta do meu nariz?) cruzando a Praça do Relógio. E muito feliz com isso.

Não mata, não engorda e não afunda navios

Monday, March 24th, 2008

Acho complicado traduzir ditados. Tipo “If you can’t stand the heat, get out of the kitchen” – faz sentido, pode ser explicado, mas não conheço um correspondente. Ninguém diz “Se não suporta o calor, cai fora da cozinha”. Ninguém diz.

Outro: “Loose lips sink ships” (devo admitir que os dois ditados que eu usei são de “Boondock Saints”). “Bocas grandes (ou línguas soltas?) afundam navios”. Não é só que a frase em português não existe – o ponto é que nós não temos referências fortes de guerras para ela soar natural.

Mas ontem eu esbarrei em um que tem tradução de verdade. E só então eu percebi que o ditado em português, apesar de ainda existir, não é mais adequado. A frase em questão era “What doesn’t kill you makes you stronger”.

Apareceu no final de “Desperate Housewives”. Estamos sem legenda nos programas da Sony (porque TV a cabo não é exatamente um serviço confiável), então fui explicar para a minha mãe mais ou menos o que tinha acontecido. Ela imediatamente fez a ligação: “O que não mata, engorda”. Pois é, o que não mata engorda. Aquilo que a gente fala quando o chocolate cai no chão e… bom, melhor não desperdiçar (desde que o chão esteja limpo e o contato tenha durado no máximo três segundos!).

Só que “O que não mata engorda” valia quando engordar era uma coisa boa. Aquele físico renascentista, sabem? Ou aquilo que a minha avó dizia: “Olha como ele está bonito, gordo”. Até algum momento do século passado, ter bastante recheio era uma coisa positiva. Atualmente, eu não quero que nada me mate – mas também não quero que nada me engorde. De repente, “O que não mata me deixa obeso”!

Mas convenhamos que “O que não mata me fortalece” não cola. Então a minha mãe sugeriu “O que não mata nutre”. Não é perfeito, mas pelo menos faz sentido neste tempo/espaço.

Feliz dia do chocolate!

Sunday, March 23rd, 2008

(e espero que seja do meio-amargo.)

Quem traz a pá?

Wednesday, March 19th, 2008
“A friend will help you move, a good friend will help you move a body.”

Não é que eu duvide dos meus amigos. Eu só duvido que eu chamaria alguém.

Confissão #6

Friday, March 14th, 2008

Tenho o mesmíssimo telefone celular desde 2002. E hoje eu descobri onde mudar o tipo de alerta de recebimento de SMS.

Confissão #5

Friday, March 14th, 2008

Quando eu ouço “Kasato Maru” (aka navio que trouxe os primeiros imigrantes japoneses ao Brasil), eu ignoro toda a herança oriental e penso em “Piper Maru” (nome de episódio do “Arquivo X”).

Qual é a sua habilidade especial?

Friday, March 14th, 2008

Tem uma cena do filme “O Clube dos Cinco” na qual alguém fala que todo mundo é bom em alguma coisa. Todo mundo tem um talento. Aí a Claire diz que não tem talento algum, e os outros incentivam ela a fazer alguma coisa. Então ela faz: ela passa batom sem usar as mãos. Apoiando o batom no peito, se não me engano

Já no filme “Meninas Malvadas”, a Karen descobre seu dom de prever o tempo usando os seios. Obviamente é uma previsão terrível porque a Karen é a versão 2D da loira peituda e burra (enquanto a Claire até que fez o dela direitinho).

Coincidentemente (ou não), os dois talentos incluem seios. E como os meus não me ajudam em nada, eles não servem como meu talento.

E eu estou meio preocupada porque a única coisa que eu consigo pensar que sei fazer é… escrever de ponta-cabeça. E de trás para frente. Será que eu posso colocar isso em currículos? Será que eu tenho um talento pior que o da Claire?

A pior aluna de mestrado da ECA

Friday, March 14th, 2008

Outro dia, outra aula, outro pé esquerdo (sim, já tenho três deles).

Nem vou entrar em mais detalhes sobre perder o primeiro fretado da volta  (e quase perder o segundo) ou pegar uma fila desnecessária no xerox da Faculdade de Educação.

Vou só falar que, em algum momento, a professora está explicando o programa e o conteúdo do curso, e tem um autor que é absolutamente impossível que você não conheça, leia e ame. Jesús Martín-Barbero. Conhece? Porque eu nunca tinha ouvido falar. Mas Jesus é Deus, aparentemente.

Quanto vale o seu esperma?

Wednesday, March 12th, 2008

Os bancos de sêmen irlandeses estão em baixa. Não sei se o país envelheceu demais, se os irlandeses estão sofrendo uma imensa queda de fertilidade (provocando aumento da procura e redução de doações) ou se as irlandesas estão exagerando na produção independente. (Ou se ninguém quer arriscar participar de um embrião que pode virar pesquisa.) Mas nos últimos quatro anos, as doações caíram em 40% – chegando atualmente ao ponto em que há mais demanda do que doadores.

Para contornar o problema, foi criado o Sperm for Tickets, que é basicamente uma campanha para melhorar os estoques. Vale somente para a Europa, mas para qualquer lugar da Europa. Para participar, o doador solicita um kit (aka “donation pack”) e envia o material coletado via correio mesmo. Em troca, ganha ingressos para qualquer festival de música na Europa.

E esses festivais não são pouca coisa. São basicamente reuniões de suas bandas preferidas, tocando no mesmo lugar em um final de semana para milhares e milhares de fãs. Na própria Irlanda, o Oxegen também tem Verve, Kings of Leon e Amy Winehouse, além de R.E.M., Raconteurs, Counting Crows, Kaiser Chiefs, Rage Against the Machine, Kate Nash e uma lista interminável de atrações. O V Festival, na Inglaterra, vai ter Muse, Verve, Kings of Leon, Amy Winehouse, Travis, Robyn, Charlatans e mais um monte de gente. Não mora no Reino Unido? Pois na Dinamarca, o Roskilde terá shows de Radiohead, Neil Young, Chemical Brothers…

Vamos combinar que o incentivo não é pequeno. Para um cara de 18 anos, é como ir para o show de graça. Ou em troca de uma coisa que vai ser produzida de novo depois e depois e depois. E que não exige muito esforço.

Então… bom, a estratégia parece boa. E vai atrair doadores jovens, o que é bom. Vale para a Europa toda, então vai diminuir a proporção de criancinhas ruivinhas – mas aumenta a variedade, vai. Enfim, eu estava achando uma coisa até que bem pensada. Eficaz, pelo menos.

Aí comentei da história com a Marcela, que deu o primeiro tiro: “Eu não quero um filho de um pai que aceitou doar esperma em troca de ingressos”. Tá, perfeitamente justo. Realmente, a frase “o doador trocou o esperma por ingressos para ver um show” inspira filhotinhos de Wayne e Garth. Mas, como qualquer pessoa que assistiu o começo de “The Big Bang Theory” sabe, esperma de homens inteligentes não garantem filhos inteligentes. Esperma de músicos também não garantem filhos músicos – embora os coitados acabem tocando alguma coisa porque os pais colocam a criança na aulinha de piano assim que ela começa a se sentar sozinha.

Eu até entendo que um doador de esperma não precisa de crises de consciência, pensando que vai ter um filho. Aliás, se ele está pensando que vai ter um filho, não deveria doar mesmo. Porque ele não vai ter um filho – quem vai ter o filho é a pessoa que comprou o esperma. Mesmo assim, não é coisa pequena. Como disse a Má, “o ingresso não pode te levar a fazer isso”.

Mas agora eu quero saber o que pode levar uma pessoa a fazer isso. Seria legal se fosse uma super vontade de ajudar pessoas que querem ter filhos, mas eu duvido muito. Seria medonho se fosse uma vontade bizarra de povoar o mundo (ou será que isso também entra no instinto de sobrevivência, mesmo que o filho nunca tenha nada a ver com você?). Também não seria muito bonito se for uma troca (por dinheiro ou por ingressos).

Resumindo: pelo que você troca o seu filho que nunca será seu filho?

Com dois pés esquerdos

Wednesday, March 12th, 2008

Primeira aula como aluna regular de mestrado. O professor é muito empolgado e aparentemente simpático. E ele está falando coisas que parecem bastante interessantes, e muitas histórias, e alguns nomes. Mas tudo está se misturando, e eu me esforço muito para não bocejar demais, para não fechar os olhos. Mudo de posição na cadeira, várias vezes. Apóio a cabeça no ombro. Depois, na carteira. Ou no encosto da cadeira.

A garota ao meu lado anota absolutamente tudo (meu caderno está em branco), com uma letra incrivelmente legível. Se ela erra alguma coisa, não faz um traço por cima. Ela passa corretivo. Existem três tipos de leitores. Um deles é o grupo de leitores inocentes. Será que ela anotou os outros dois?

Pois é, isso é o que acontece quando você vai dormir às 4 da manhã porque quis ser uma filha incrível (deixando minha mãe gripada descansando enquanto eu fazia companhia para o meu pai no caminho do aeroporto) e uma irmã solidária (aguardando enquanto o soro com plasil pingava e pingava e pingava no Pronto Socorro, nossa primeira parada depois do aeroporto).

E é o que acontece quando você acorda às 7:30 porque o Speedy ficou de mandar um técnico aqui pela manhã. É claro que eles não mandaram, e ainda tiveram a coragem de ligar à tarde dizendo que estava tudo consertado (embora a conexão continue instável, e a velocidade ainda não tenha sido alterada). E agora eles ficaram de retornar a minha ligação, daqui a “20 minutos ou duas horas”.

Somem mais duas ocorrências desagradáveis (que eu não vou comentar porque até eu entendo um pouco de discrição), e este foi o meu dia.