Com dois pés esquerdos
Primeira aula como aluna regular de mestrado. O professor é muito empolgado e aparentemente simpático. E ele está falando coisas que parecem bastante interessantes, e muitas histórias, e alguns nomes. Mas tudo está se misturando, e eu me esforço muito para não bocejar demais, para não fechar os olhos. Mudo de posição na cadeira, várias vezes. Apóio a cabeça no ombro. Depois, na carteira. Ou no encosto da cadeira.
A garota ao meu lado anota absolutamente tudo (meu caderno está em branco), com uma letra incrivelmente legível. Se ela erra alguma coisa, não faz um traço por cima. Ela passa corretivo. Existem três tipos de leitores. Um deles é o grupo de leitores inocentes. Será que ela anotou os outros dois?
Pois é, isso é o que acontece quando você vai dormir às 4 da manhã porque quis ser uma filha incrível (deixando minha mãe gripada descansando enquanto eu fazia companhia para o meu pai no caminho do aeroporto) e uma irmã solidária (aguardando enquanto o soro com plasil pingava e pingava e pingava no Pronto Socorro, nossa primeira parada depois do aeroporto).
E é o que acontece quando você acorda às 7:30 porque o Speedy ficou de mandar um técnico aqui pela manhã. É claro que eles não mandaram, e ainda tiveram a coragem de ligar à tarde dizendo que estava tudo consertado (embora a conexão continue instável, e a velocidade ainda não tenha sido alterada). E agora eles ficaram de retornar a minha ligação, daqui a “20 minutos ou duas horas”.
Somem mais duas ocorrências desagradáveis (que eu não vou comentar porque até eu entendo um pouco de discrição), e este foi o meu dia.