Archive for April, 2008

Meus 2 centavos sobre a garota de US$ 18,2 milhões

Monday, April 28th, 2008

Miley Cyrus tem 15 anos, dois álbuns lançados (ambos chegaram ao #1 nos EUA), um programa de TV (que já virou turnê que já virou versão para o cinema) e mais dinheiro do que você sonha em ganhar em toda a sua vida. Os tais US$ 18,2 milhões representam o faturamento de Miley só no ano passado, segundo contas da revista Parade. Há quem diga que nos próximos anos a Disney vai atingir um faturamento de US$ 1 bilhão só em cima dela.

Miley Cyrus também tem um histórico de tirar fotos com as amigas fazendo caras e bocas (ou dividindo um doce com uma amiga em uma cena meio “A Dama e o Vagabundo”), e depois colocar tudo na internet. Nada que chegue perto das fotos daquela Miss Nevada, e bem mais comportada que a foto da Vanessa Hudgens. Aliás, eram mais discretas do que muita coisa que se vê no MySpace. Mas Miley Cyrus tem 15 anos e seus fãs são ainda mais novos, e realmente não é muito apropriado sair mostrando um sutiã verde por aí.

Então Miley Cyrus ganhou um perfil na Vanity Fair, com direito a fotos da Annie Leibovitz, que é basicamente a fotógrafa que fez a capa da Rolling Stone com John Lennon e Yoko Ono, além da capa da Vanity Fair com a Demi Moore grávida. Annie Leibovitz é ultra famosa – e obviamente fez fama com fotos de pessoas sem roupas.

Em algum momento do ensaio para a Vanity Fair, a Annie Leibovitz sugeriu uma foto na qual Miley Cyrus cobriria o corpo (e mostraria as costas) com um lençol. No behind the scenes, dá pra ver que a Miley está com roupas por baixo do lençol. Mas, vendo a foto final (que está aqui), não dá para saber isso. É uma foto bonita, mas sugere uma garota de 15 anos nua.

Agora, Miley Cyrus disse que se arrependeu da foto e pediu desculpas aos fãs. A Disney disse que a equipe da Vanity Fair manipulou uma menina de 15 anos. E a Vanity Fair se defende dizendo que, na hora, a Miley Cyrus adorou a foto e achou super artística – mas, ao contrário do título da reportagem, Miley doesn’t know best – e que, além disso, ela estava acompanhada da avó e de uma professora (os pais já haviam ido embora).

O que acontece agora é que a foto virou debate. Famosa ou não, é uma adolescente sendo exposta. Algumas pessoas criticam a revista, outras criticam os pais.

Mas eu não estou reparando na culpa dos pais, da Disney ou da Vanity Fair. Eu estou vendo uma pesquisa entre os leitores do site da People e entendendo muito bem o que é essa foto:

People Poll: Miley Cyrus

79% das pessoas que votaram acharam a foto inapropriada para uma garota de 15 anos (21% responderam que é “apropriada para uma estrela”). Mas 49% das pessoas acharam que as fotos vão ajudar a carreira de Miley Cyrus. Aceitando que todas as pessoas que consideraram a foto apropriada avaliaram que a foto vai ajudar, falta explicar ainda 28% das pessoas.

Falta explicar por que é que 28% das pessoas que responderam à pesquisa acham que uma foto inapropriada ajuda a sua carreira.

Seria bom ler com vontade

Sunday, April 27th, 2008

Preciso ler alguns pedaços de uma tese, mas estou caindo em momentos de desconcentração total. Do tipo que não adianta nem começar a ler em voz alta – continuam sendo apenas palavras colocadas em uma seqüência que não me faz o menor sentido. Mesmo que eu saiba, lá no fundo, que o encadeamento é lógico e elas devem fazer algum sentido. Afinal de contas, eu sei que são apenas 20 páginas – mas elas continuam levando uma eternidade.

Isso é uma coisa que vem acontecendo bastante desde que eu comecei a assistir as aulas do mestrado, há quase dois meses. Eu expliquei outro dia para alguém: eu tinha uma fé retardada de que o procedimento de matrícula na pós-graduação incluísse plugar um USB na minha nuca. Só que em vez de abrir os olhos e dizer “I know kung-fu”, eu diria uma coisa do tipo “Eu sei quem é Jesús Martín-Barbero”. Ou “Eu não surto com conceitos quando ouço a frase ‘O paradigma incorpora no epistemológico e no ontológico’”.

Nem preciso dizer que isso não aconteceu e que, de lá pra cá, só estou usando a Força. Ou tentando.

O caminho lógico a seguir, já que não existe uma porta USB na minha nuca, é… ler. O problema é que, quando eu leio Jesús Martín-Barbero, eu continuo fazendo cara de interrogação. E o pior é que nem dá para ler muita coisa, porque eu demoro horas para ler vinte páginas (ok, metade disso é o tempo que eu levo me convencendo a ler).

Eu poderia pensar que eu sou um pouco retardada, mas não gosto dessa alternativa. Eu sempre li bastante. Algumas coisas boas, muitas coisas ruins, mas sempre li. Então, neste momento, eu vou deslocar a culpa para a minúscula habilidade de um texto acadêmico despertar algum prazer ou interesse durante a leitura. Será que é impossível que um texto científico seja tão interessante quanto uma narrativa?

Narrativas funcionam

Em algum ponto do livro do Richard Saul Wurman (que tem historinhas e é perfeitamente interessante) tinha uma teoria falando que a bíblia é uma coleção de historinhas que poderiam muito bem ser trocadas por uma tábua de pedra com dez mandamentos – mas as historinhas são mais eficazes. Nós recordamos e recontamos histórias, nós esquecemos listas. Mitos são formas de passar valores para a frente – e mitos são narrativas.

Narrativas funcionam mesmo com palavras que não pertencem ao cotidiano do leitor

Eu li sete livros “Harry Potter”. E alguns deles eram enormes. E eles nem são ultra-originais – e, para falar a verdade, eu achei o quinto um porre. E nem vou comentar o final! Mas isso não vem ao ponto.

A questão é que aquela mulher inventa palavras. Para piorar, eu li os primeiros livros em português e os últimos em inglês – e a tradutora brasileira inventou palavras novas para as palavras inventadas. Quadribol/quidditch, horcrux, trouxas/muggles. E tem ainda os encantamentos (alohomora, expelliarmus, obliviate, prior incantatem, wingardium leviosa). Nada disso serve para interromper a leitura porque eles foram apresentados antes. E a apresentação era clara: um exemplo da coisa funcionando.

Uma nota de rodapé bem escrita é lida mesmo quando é desnecessária e falsa

Existe um livro enorme chamado “Jonathan Strange & Mr Norrell”. Foi o primeiro romance da Susanna Clarke, era enorme e ganhou um prêmio Hugo. E, desde o começo do ano passado, é o meu livro preferido.

A história basicamente fala de dois mágicos ingleses na época de Napoleão. Então existem algumas referências ao período, mas ele é praticamente todo inventado. O livro funciona como uma espécie de biografia dos mágicos fictícios, e as notas de rodapé trazem referências a fontes fictícias.

E eu li todas as notas de rodapé desse livro.

(E confesso que vejo notas de rodapé dos textos mais chatos como “uma redução da quantidade de texto a ser lido em uma página”.)

Ok, textos científicos não são historinhas

E eu sei que uma estrutura adequada facilita muito na hora de saber se o livro tem aquilo que eu estou procurando – e em que capítulo eu vou encontrar a tal informação. Mas não seria bacana se eu encontrasse o capítulo e conseguisse ler aquelas páginas sem querer me matar no meio?

Mas talvez não seja má idéia entender o funcionamento de uma narrativa e tentar tomar emprestado algum elemento. Talvez um caso que exemplifique o assunto – uma coisa que possa ser lembrada na hora em que eu estou afundando em explicações e teorias. Talvez um pouco menos de frescura.

Vou expor a minha capacidade mental limitada e tentar um exemplo: quando eu estou com muito sono em uma aula, preciso escolher no que vou concentrar as minhas energias: ou eu continuo com os olhos abertos, ou eu seguro o pescoço reto, ou eu fecho os olhos, apóio a cabeça na carteira e ouço.

E quando eu estou lendo um texto que está me dando uma dor de cabeça psicológica, ou eu entendo a teoria ou eu tento descobrir qual é o sujeito daquele verbo, depois de tantas vírgulas e travessões e parênteses e notas.

A jornada do pesquisador

Estava fazendo um mini-trabalho sobre heróis (aliás, “O Rei Leão” e Christopher Vogler ajudam a entender Joseph Campbell), então estou obviamente influenciada. Mas também estava tentando ler a tal tese (que deu início a esta reclamação) e aquele livro enorme está me dando dor de cabeça, mas até que tenta ser auto-explicativo. No começo, existe todo um capítulo explicando o assunto e quais teorias orientaram a pesquisa, e como a autora fez o trabalho.

Então estou pensando que talvez a pesquisa acadêmica tenha uma narrativa – a jornada do pesquisador. Não estou defendendo que uma tese vire a autobiografia de ninguém, ou que eu acabe com N páginas de dramas sobre as dificuldades dessa pesquisa ingrata.

Mas acho que toda tese/dissertação deveria ter uma orelha sobre o autor. Acho que seria bom entender quem é que escreveu aquilo tudo, e tentar imaginar qual foi a motivação.

Do fundo do armário

Tuesday, April 22nd, 2008

Arrumar os armários é uma coisa que me deixa sentimental. Cansada, com dores nas costas e sentimental. Porque eu perco algum tempo relendo uma conversa de 2003 (provavelmente de alguma aula do Ed), passo meia hora tentando lembrar de quem era esse convite de aniversário de junho de 2000 (não consegui descobrir e joguei na pilha de recicláveis), releio redações das pastas de provas da época do colégio, encontro um chocolate vencido (joguei fora) e outro dentro da validade (guardei na cozinha) – porque meu armário é praticamente uma casa de alcoólatra, com garrafas de vodka escondidas debaixo da pia. Mas acho que vale mais a pena desenterrar uma história.

*

Depois da morte da minha avó (mãe do meu pai), há uns cinco anos, as minhas tias fizeram a tradicional arrumação (encontrar novos lares para as panelas, doar as roupas, esvaziar as gavetas…). Sabe quando você vai arrumar o armário e decide tirar absolutamente tudo de dentro de todos os compartimentos? Basicamente, isso aconteceu pela casa toda.

Quando nós passamos lá, muita coisa já havia sido retirada, então a bagunça estava controlada. Mas ainda tinha coisa espalhada por todos os cômodos. Elas haviam separado algumas fotos e lembranças para o meu pai, e cada neto escolheu uma toalhinha de crochê que ela havia feito.

Aí estávamos meu irmão, minha irmã e eu em um dos cômodos. E dentro de uma caixa tinha… uma foto do Paul McCartney! Eu nunca tinha pensado na minha avó ouvindo Beatles. Meus pais têm idade de fãs dos Beatles, não os meus avós. E minha avó era um tanto quanto surda, morava em uma micro-cidade e, segundo o meu pai, só cantava (com as letras erradas) alguns sambas antigos, e olhe lá. Ou música religiosa.

Mas, por alguns segundos, eu realmente considerei a possibilidade da minha avó ter sido fã dos Beatles. E principalmente do Paul. Naquele momento, aquela fotinho 3×4 tinha o mesmo valor um pôster.

Algum tempo depois, o mistério foi resolvido. Achamos um chaveiro com porta-retratos daquele mesmo tamanho. A minha tia havia comprado de presente em alguma feirinha. E o chaveiro veio com a foto do Paul McCartney – que, afinal, nunca foi a paixão secreta da minha avó.

O chaveiro? O chaveiro estava com uma 3×4 do meu avô. Porque o meu avô era muito mais do que um ex-beatle bilionário. Ele, pelo menos, sabia escolher a esposa…

Derrota

Sunday, April 13th, 2008

Em 2001, eu venci o sorvete gigante do Café do Ponto de Poços de Caldas. Hoje, fui derrotada pela mousse do Box 11 do Paineiras Center. Que nem era tão grande quanto o sorvete (mas tá, eu não tinha comido um hambúrguer de picanha na baguete antes de enfrentar o sorvete), mas era realmente… potente. Pedi água (e literalmente). E levamos a receita para casa.

Como (não) vender assinaturas de jornal

Wednesday, April 9th, 2008

- Sra. Luciana, estamos entrando em contato com pessoas que recebem nossa newsletter…
- Na verdade, eu não me lembro de ter me cadastrado. E também não recebo os e-mails.
- Bom, mas temos vários parceiros comerciais… (aka “compramos lista de contato de algum site qualquer”). A senhora trabalha com o quê?
- Sou estudante (aka “sou jornalista, mas estudante é ainda mais sem grana, certo?”).
- E a senhora estuda economia?
- Não. (“não pergunte, não pergunte, não pergunte…”)
- O que a senhora estuda?
- Comunicação. (“Droga droga droga!”)
- Então, senhora Luciana, estamos com uma oferta especial para pessoas com o perfil do jornal (aka “esse perfil que acabei de descobrir, porque nós obviamente não fazemos idéia de quem vocês sejam antes de telefonar”)…

Eu não entendo nada de poesia

Monday, April 7th, 2008

Hoje é o dia do jornalista.
E o dia do médico legista.
Se vc se identifica,
Parabéns!

LOL

Confissão #7

Wednesday, April 2nd, 2008

Eu quero trabalhar na Buy More!