Espirais
Faço neste semestre um estágio PAE. A minha disciplina é “Laboratório de Jornalismo Impresso II” aka “Jornal do Campus” aka “JC”.
Minha turma de JC foi a do segundo semestre de 2002. Entre milhares de optativas e um clima de empolgação da classe toda, eu tinha a impressão de morar na ECA – e nem pensava em reclamar. Uma “comissão” inventou a reforma gráfica. Alguém cria um site. Alguém monta um mini-manual de redação. Alguém organiza um debate com candidatos. Alguém idealiza uma seção que era só nossa. Alguém distribui a distribuição. Média de 12 e-mails por dia, todos os dias. Omelete no Sweden. Fechamento até qualquer hora da madrugada no Labri (quando o departamento não fechava às 22:50). Horas e horas na sala 18.
Eu tentei não entrar na auto-análise sobre tentar reviver a minha graduação (retorno à ECA; estágio naquela que é possivelmente a aula mais marcante ou importante do curso), mas tudo volta. Acabei relendo alguns dos e-mails de despedida com piadas internas que ainda fazem algum sentido.
Eu ia falar só sobre… sobre o que é ver uma reunião de um JC que não é seu. Seis anos depois. E é absolutamente surreal. Alguns momentos de pura identificação, um pouco de déjà vu, uma vontade de falar (de)mais. Muita vontade de falar que não se faz JC porque é uma aula obrigatória, mas porque é trabalhar com os seus melhores amigos. Porque é. Ou porque foi.
Talvez toda turma seja megalomaníaca. Talvez todo mundo queira criar alguma coisa só sua em um jornal de enésima mão e deixar alguma coisa quando essas oito edições acabarem. Talvez todas as turmas tenham as mesmas discussões sobre o que cortar e o como fazer.
É tudo muito igual, mas muito diferente.