It is written

Eu costumo fugir dos bolões do Oscar e discussões relacionadas porque, sinceramente, nunca tenho um envolvimento emocional com um filme candidato a qualquer coisa além de… efeitos especiais ou algum outro prêmio técnico de consolação. Os que disputam o troféu de melhor filme? Olha, até assisto. Anos depois, na TV. E sem muita empolgação. De novo: nada de envolvimento emocional. Por exemplo, vamos dar uma olhada nos vencedores na categoria de melhor filme durante as últimas 10 edições:

  • 2007: “No Country for Old Men” – Nunca vi, nem tenho planos.
  • 2006: “The Departed” – Perdi o começo, vi alguns trechos no fretado, dormi em outros, desci antes do final.
  • 2005: “Crash” – Nunca considerei a possibilidade.
  • 2004: “Million Dollar Baby” – Realmente nunca me deu vontade.
  • 2003: “LOTR: The Return of the King” – Ok, esse eu vi! No cinema, ainda. E fujo dele na TV paga desde então, porque é longo demais para um bis.
  • 2002: “Chicago” – Sério que deram o prêmio para “Chicago”? Também vi no cinema.
  • 2001: “A Beautiful Mind” – Vi sozinha no cinema, mas confesso que cheguei depois do começo.
  • 2000: “Gladiator” – Vi na TV, serve? Não tenho certeza se já vi do começo ao fim na mesma vez, mas acho que vi todas as partes.
  • 1999: “American Beauty” – Vi na TV, anos depois. Não liguei muito.
  • 1998: “Shakespeare in Love” – Assisti retalhos pela TV. Acho que deu a idéia inteira, mas não tenho certeza.

Enfim. Considerem que eu não vi “Titanic” inteiro até hoje. Mas acabei assistindo o possível grande candidato de 2009, “Slumdog Millionaire” (digo “possível candidato” porque as indicações vão sair sei lá quando, mas vencedores do Globo de Ouro costumam aparecer na lista). Na verdade, eu estava completando a lista de filmes que o Danny Boyle lançou no cinema, depois de ler este texto. “Shallow Grave”, “Trainspotting”, “A Life Less Ordinary”, “The Beach”, “28 Days Later”, “Sunshine”. Faltavam “Millions” (que é fofíssimo, por sinal) e “Slumdog Millionaire”.

Mas não vou escrever um texto sobre “por que ‘Slumdog Millionaire’ deveria ganhar o Oscar” – até porque eu não sei nada sobre Oscar, como já foi explicado no começo. Eu vou ficar só no “por que eu gostei de ‘Slumdog Millionaire’, considerando que a história se passa na Índia pobre”.

Bom, para começar… não é bem um filme sobre a Índia pobre. Também não é um filme sobre “Who wants to be a millionaire?”. Não é um filme sobre infância triste, não é um filme sobre tortura policial, não é um filme sobre crime. Tem tudo isso, mas não é sobre isso.

“Slumdog Millionaire” é sobre happy endings, sobre estar escrito, sobre destino. É um filme romântico (quem viu “A Life Less Ordinary” sabe que o Boyle é um romântico). E nem por isso é meloso demais, ou piegas demais, ou cafona demais.

Também não é uma cópia de “Cidade de Deus”. O Jamal tem  mais carisma que todos os personagens de “Cidade de Deus” juntos. Dá para torcer pelo Jamal, sabe? E o Salim não é um Zé Pequeno. Sim, tem cenas apressadas em uma favela. Mas, quer saber? Pobreza não é exclusividade brasileira. A cara de “Slumdog Millionaire” é um caminho natural para tudo o que o Boyle vinha fazendo, adaptado ao cenário. É só ver um dos filmes anteriores. E também não é o realismo desesperador, porque Boyle sempre tem um momento do fantástico.

Enfim. Eu gostei de “Slumdog Millionaire” porque é um filme com todos os elementos boyleanos. E sempre rola um sorrisinho (irônico, sincero, emocionado, feliz) no final.

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