A vida só começa depois do Carnaval, certo?

Passei as últimas duas semanas contando os dias até esta sexta-feira. E hoje foi meu último dia de trabalho. Ok, foi meu último dia de trabalho para a MTV.

Foram mais de três anos acompanhando cada escorregada da Britney Spears — e metade delas com alguma coisa faltando (cabelo, calcinha, noção). Cada nova melhor banda do mundo — acreditando em algumas delas. Cada filho novo da Angelina Jolie — embora o Maddox ainda seja o meu preferido. Cada prisão do DMX — e cada ocorrência dentro da prisão. Cada foto da Amy Winehouse nos tablóides — e isso eu realmente dispensava. Cada insanidade do Pete Doherty — que agora é tão notícia quanto “um cão mordeu um homem”. Cada quase-volta do Blur — até a volta quase de verdade, nesta última semana. Cada promessa de “Chinese Democracy” — e o lançamento pouco empolgante do dito cujo.

Foram dois anos aprendendo que cada um deles cabe em 160 caracteres ou menos.

De verdade, estava longe de ser um emprego dos sonhos (a começar pelo fato de que não era um emprego de verdade). O pagamento não empolgava, não era intelectualmente estimulante, não servia para contar vantagem. O que explica a ansiedade dessas últimas duas semanas.

Mas, de verdade, foi o melhor emprego que eu poderia ter tido nesse tempo todo. Eu pude fazer aulas como aluna especial para descobrir que a pós-graduação era uma opção real. Eu pude organizar meu horário super flexível e folgado para estudar para a prova de seleção e preparar o projeto, em 2007 (o negócio foi tão bom que até a redução da minha carga de trabalho — e do pagamento — foi providencial). Eu pude adotar a filosofia do “meu trabalho não é a minha vida” e começar uma coisa que eu gosto muito mais.

E, de verdade, até o fim foi na hora certa. Bem quando eu estava cansando, bem quando eu precisava mesmo me organizar para a qualificação (maio está realmente perto).


Dentro do “tema de hoje”, a Naila me passou esta notícia: Trabalhar demais pode prejudicar o cérebro. É uma pesquisa finlandesa feita com 2200 trabalhadores ingleses. Resumindo,

As pessoas que trabalharam mais de 11 horas por dia tiveram piores resultados em teste de vocabulário, raciocínio e memória de curto prazo quando comparados aos considerados trabalhadores normais (até 40 horas de trabalho semanal) e os medianos (entre 41 e 55 horas).

Acho que estou me afastando definitivamente desse risco.

(E eu preciso ir para a Finlândia. Não só a filosofia deles é perfeita, mas eles também tiveram que fazer o estudo com ingleses. Porque aposto que eles, finlandeses, estão em casa comendo Runebergintorttu às 5 da tarde.)

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