Coisas que meus pais me ensinaram a não fazer, mas fazem

Como meus pais são aposentados e eu moro com eles (e vcs tds pensam “Looooser” neste momento), acabei descobrindo que meus pais passaram toda a minha infância se reprimindo. Porque eles fazem basicamente todas as coisas que a gente não podia fazer quando era criança.

(A favor dos meus pais, eu preciso reforçar que eles não faziam nada disso enquanto ainda podiam servir como más influências para mim. E eles são ótimos etc etc etc.)

1. Não é para comer porcaria antes do almoço

Desde que meu pai se aposentou, ele redescobriu a felicidade do aperitivo. Dependendo do dia, ele aparece na geladeira lá pelas 11 horas procurando algum resto (pedaço de bolo de carne, fatia de tender, bolinhos, pizza velha…) para acompanhar a dose de alguma coisa (caipirinha, black label, grappa…).

Minha mãe não é tanto de aperitivo. Mas ela acaba estragando o apetite do almoço porque estava experimentando a comida enquanto cozinhava. E, na janta, ela come pouco porque está pensando no pacote de amendoim ou pipoca que vai acompanhar algum seriado policial.

2. Faz mal comer a caixa toda de chocolate!

Nunca acreditei nisso. Tenho toda a fé que não vou passar mal se comer um toblerone de 400g de uma vez só (mas não faço isso porque toblerones precisam durar um pouco mais), mas seguíamos todos os limites relacionados à ingestão de “porcarias”.

Só que, de uns tempos pra cá, meus pais se renderam às mesmas porcarias. Aliás, se renderam a porcarias piores. Tipo pipoca doce que vem no saquinho cor-de-rosa. Meu pai, que sempre foi fresco com esse tipo de coisa, não perdoa mais nem doritos. Se bobear, ele até dá uma chance para cheetos. No caso da minha mãe, é pior porque ela realmente passa mal depois.

3. Não é para largar as suas coisas por aí

Não sei explicar, mas não existe nada mais difícil do que carregar o material de escola até o quarto. Sempre levei bronca por causa disso. Depois, acabei aprendendo a levar pelo menos até o quarto (embora ainda não seja capaz de guardar). Meu pai, aliás, ficava horrorizado porque eu colocava aquele caderno que estava na carteira suja da escola em cima da cama onde eu durmo.

Tantos anos depois, e a sala de casa (a sala que não tem TV) virou o armário estendido do meu pai. Violão, pastas, cadernos de música, estante, garrafinha de água… quando alguém aparece em casa, é sempre uma correria para liberar espaço no sofá.

4. Cuida direito dos seus óculos

Minha família é basicamente cega. Ok, exagerei. Mas todos nós temos óculos. E meu pai tem vários (velho para coisas tipo praia, de sol para dirigir, multifocal, reserva, de perto…).

Quando eu era criança, tinha um certo desespero em não quebrar os óculos. Primeiro porque… bom, porque eu preciso enxergar o que eu como! E porque não são exatamente baratos, e eu preciso tomar conta deles. Afinal de contas, os seus óculos são responsabilidade sua. Ponto.

É claro que, uns meses atrás, minha mãe quebrou os dela porque apoiou em cima do cesto de roupas do banheiro. Ah, sim, e a culpa foi do meu pai porque ele largou um livro gigante em cima do cesto, e isso causou o desequilíbrio do conjunto.

Meu pai, aliás, agora mantém os óculos de perto permanentemente na mesa do computador. Acho que fica no porta-CDs…

5. Não é para deixar coisas no banheiro

Olha, esse negócio de transformar banheiro em biblioteca é o fim. Mas o meu irmão insistia em largar o caderno de Esportes por lá, todo dia. Mesmo agora, super velho (29), eu ainda tive que dar bronca nele quando ele passou as “férias” aqui.

O hábito, obviamente, veio do meu pai. Eu dei um livro meio caro para ele de Natal… e ele ficou lá, em cima do cesto de roupa do banheiro. O cesto de roupa fica logo abaixo da toalha de mão. Então nem imagino o estrago que acontece.

Aliás, meu pai comprou um livro dos anos 60 em um sebo e insiste em deixar aquele bloco amarelado no banheiro, exposto aos vapores dos banhos e tudo. Vai entender…

6. Tem que conferir a voltagem antes de ligar na tomada

Isso começou porque minha irmã tinha um “rádio gravador”. Na praia, tinha que mudar para 110. Mas, aqui em casa, tinha que voltar para 220. Acho que eu queimei o rádio em alguma das vezes. Aí rolavam hábitos do tipo sempre arrumar a voltagem para 220 antes de ir embora, ou de colocar um pedaço de fita adesiva como lembrete.

Ainda sou meio encanada com isso e confiro a voltagem do carregador de celular toda vez, mesmo que não tenha nem saído de casa desde a última vez que o usei. Aliás, de vez em quando eu fico conferindo a etiqueta da fonte do notebook ou do carregador de pilha, para garantir se é mesmo bivolt.

Hoje… o aparelho de telefone voltou da assistência técnica. Por algum motivo obscuro, a assistência mudou a fonte para 110. Meus pais colocaram o plug na tomada sem olhar, os disjuntores da casa caíram e mesmo assim só eu descobri que tinha alguma coisa errada com o telefone — porque o led estava apagado.

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