Quando o lobo do homem vai às compras

Jornalistas gostam de pensar que conhecem o seu público, mas acho que a ideia de “imagem de leitor” (ou “audiência presumida“) é bem mais realista. Para o Robert Darnton no NYT, eram garotas de 12 anos. Para a Má, é a avó dela. Para o Dirceu, é a sua mãe. Para o William Bonner, é o Homer Simpson.

Acho que a essência do leitor que a Folha de S. Paulo gosta de pensar que tem… está no caderno Vitrine. Nesta semana, o copo de requeijão perdeu espaço para bazares que continuam caros demais para você, pessoa normal que faz compras na Marisa. E, de brinde, o texto faz uma referência ao Leviatã, do Hobbes.

Convenhamos que, se a circulação média diária da FSP é de 311.287 exemplares, a representatividade estatística daqueles que podem fazer compras em Madrid e aceitam pagar R$ 380 por um despertador com rodinhas (aliás, tem um no Shoptime por R$ 79) não é lá tudo isso.

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