Como eu voltei a ler ficção
Encontrei a Marcela na quinta-feira. No fretado, claro. Depois de pedir desculpas por ter esquecido o aniversário dela, reparei que ela estava com um livro sobre algum estudo sobre adolescentes (acho que era o “Teenagers: A Natural History”, mas não tenho certeza). Eu estava com o “The Power of News”, do Schudson. E aí surgiu aquele comentário sobre como a gente mal consegue dar conta do que a gente precisa ler.
Aí na sexta-feira, sem fretado, telefonam aqui em casa. Alguém da biblioteca avisando que o meu livro tinha chegado, e que era para eu ir buscar. Ok. Qual livro mesmo?
A coisa é que o site da biblioteca tem um formulário para sugerir títulos. E em algum momento dos últimos seis meses (realmente não me lembro), preenchi o tal formulário. Depois de umas duas horas pensando nisso, decidi que deveria ser o “Uma Coisa de Nada”, do Mark Haddon (478 páginas, letras grandes, interessante, revisão questionável lastimável, um dia e meio). E, sim, eu acertei. O que talvez signifique que eu não tenha perdido completamente as minhas… ahn… faculdades mentais.
É claro que, 478 páginas depois, a minha fila de leitura inclui um trecho do livro do Kuhn e aquele livro de neurociências para pessoas que não entendem absolutamente nada sobre neurociências. Mas acho que compensa parar por um dia e meio para encontrar um trecho como este:
“Ocorreu-lhe que havia duas partes para ser uma pessoa melhor. Uma parte era pensar nas outras pessoas. A outra parte era não dar a mínima para o que as outras pessoas pensavam.”
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