Chamam de “zona de conforto” por um motivo
USP, oito e alguma coisa da manhã. E de repente eu começo a achar que deveria fazer um bookmark do site do Sintusp para não ser pega desprevinida nessas ocasiões.
Paralisação. Tudo bem…
Três livros (meio pesados, aliás) que eu não posso devolver. Eu já disse que preciso de um armário na USP? Preciso. Um dos livros, o do Tufte, não cabia na minha bolsa. E tem dustjacket branca. E eu precisava carregar esse livro até o prédio do Destak. Eu já disse que o prédio do Destak é na Faria Lima e eu ainda ia pegar o trem?
Mas tudo bem, tudo bem. Tirei duas cópias no xerox da ECA e pedi um saquinho. Sempre me dão aquele saco meio tosco de comprar legumes no supermercado — hoje me deram um plástico super decente. Assim, super decente para colocar papel — ele era meio apertado para o livro. Aquele livro que não cabia na bolsa, sabe?
Bom, depois de espremer o livro no saquinho (é tipo colocar uma meia-calça pequena demais para você) e almoçar… vamos para aquela portaria de pedestres da USP para quem quer pegar trem. Eu já falei que não tinha circular?
São uns 1,6 km da ECA até a portaria, indo pela raia. Aí você precisa atravessar duas ruas — o acesso da ponte à marginal e o acesso da marginal para o bairro. Tudo bem não ter um semáforo de pedestres, mas podia ter uma lombada. Sinceramente…
São uns 450 metros até a estação Cidade Universitária. Aí meu lado mais jeca desperta. Cruzar a ponte Cidade Universitária a pé é… overwhelming. E não digo isso no bom sentido, digo isso no sentido mais literal. Over-whelm-ing. Tem o cheiro do rio. Tem os carros passando do seu lado e embaixo de você. E, quando passam caminhões, o chão dá uma tremidinha. Aí tem um rio nojento passando ali embaixo. Overwhelming.
Mas… que fantástico! Minha sugestão mental de acesso direto da ponte à estação foi realizada! Não sei bem quando isso aconteceu, porque fazia basicamente um ano que eu não ia para lá. Mas, olha só. Minha nova sugestão mental é um acesso direto da ponte à Cidade Universitária.
Bom, CPTM. Quem conhece o trem que faz a linha de Francisco Morato pode te explicar que o trem da marginal Pinheiros é praticamente incrível. De verdade. Uma, duas, três estações. Cidade Jardim.
Da estação Cidade Jardim até o prédio do Destak, dava uns 700 metros. Garoa fina, guarda-chuva protegendo o livro do Tufte embalado no saquinho plástico, tudo vai dar certo.
Cheguei super cedo. Super cedo. Entrei no prédio torcendo por um lugar para esperar (tem um sofá!). Explico para o segurança da portaria que tenho uma reunião, mas só daqui a uns 40 minutos (eu já disse que cheguei cedo?). Ele deixa eu sentar no sofá, mas pede para eu “não chegar cedo da próxima vez”. Gente, que tipo de porteiro aconselha uma pessoa a não chegar cedo? Whatever, pelo menos tem um sofá.
A Liuca chega e eu não preciso mais ficar esperando no sofá, porque aparentemente isso irrita muito o porteiro. Dá mais uma meia-hora e, quando eu estava achando que ninguém ia aparecer… bom, começa a reunião. Que será resumida aqui como “bla-bla-bla” porque eu ainda não tive tempo ou vontade de transcrever as informações.
Então… “bla-bla-bla”.
Vamos começar a somar o caminho inverso, então (estávamos em 2,75 km). A chuva aperta um pouco (e eu ali, protegendo o livro do Tufte, por culpa da biblioteca) nos 700 metros até a estação Cidade Jardim (3,45 km). Trem. Estação, estação, estação Cidade Universitária. Ponte, 450 metros (3,9 km). Aí atravessar a rua. Quase ser atropelada.
USP, finalmente. Em situações normais, acho que ia rolar uma daquelas experiências religiosas de ir para o chão e adorar a direção do Relógio. Sério, o relógio é o equivalente ao grande ícone religioso da USP. Maaaas hoje não tem experiência religiosa com o Relógio porque eu ainda estou no lugarzinho mais remoto da USP e eu já disse que não tem Circular? Pois é…
No ponto de ônibus perto da portaria de pedestres, uma pessoa mais perdida do mundo me pergunta como chegar ao “ponto final do Circular”. Aquele da portaria 3? Olha, é longe… e é uma subida. E não tem Circular. Tem um mapa da USP no ponto de ônibus. “Você está aqui… e o ponto final é… bom, é nessa parte que está rasgada”. Enfim.
A pessoa mais perdida do mundo fica lá no ponto, contemplando suas opções. Eu resolvo andar mais um pouco, até a Faculdade de Educação, que é o ponto mais perto onde passa o fretado.
Só que eu chego na Educação e percebo que falta quase uma hora até o fretado. Então eu ando mais um pouco e mais um pouco e mais um pouco… até a ECA, de novo. Nesse caminho, dá 1,9 km — e chegamos, enfim, à marca de 5,8 km percorridos a pé, carregando três livros (além das minhas coisas normais) e equilibrando um guarda-chuva.
Highlight of my day? Croissant de chocolate no Sweden.
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Letras Miúdas :: Sim, eu vou deixar o papel para trás 2009|04|27 @ 15:58 | #
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