Notas de rodapé #1

Desde que comecei a pesquisa do mestrado, no ano passado, pedaços de teses e dissertações entraram nas minhas pilhas de leitura. Dizem que é para ter algum cuidado com esses trabalhos que não foram publicados, mas 1) tem muito livro publicado cheio de abominações e 2) eu leio teses e dissertações da ECA, então prefiro confiar na instituição que aceitou o meu projeto.

Fora isso, existem duas vantagens muito importantes nesse tipo de bibliografia. A primeira é que dá para encontrar trabalhos recentes, com coisas que estão em poucos (e novos) livros. A segunda é que teses e dissertações já fazem a coleção da bibliografia que você precisa ler, indicando autores e resumindo relações.

Mas uma coisa que eu sempre sinto falta é o blurb do autor. Acho que toda tese e toda dissertação deveria ter uma orelha com um resuminho sobre a pessoa — como acontece nos livros.

É claro que dá para dar uma olhadinha nos currículos Lattes, mas seria muito mais fácil se já estivesse ali, no mesmo volume. E eu também gosto da ideia de encontrar o tom da pessoa. Às vezes eu não quero saber em qual faculdade ela estudou — eu queria é saber quando foi. Eu queria saber se a pessoa é de esquerda, se é de direita ou se simplesmente não liga para nada disso.

No fim, eu acabo olhando a lista de agradecimentos e a dedicatória. Tem os que agradecem “a Deus”, tem os que escrevem clichês, tem os que têm filhos, tem os que têm alunos…

Seria tão ruim tirar essa cor neutra (e não muito verdadeira) da produção acadêmica?

A propósito, fiz o meu (em 600 caracteres). E morro de vontade de usar.

Blurb
Luciana Silveira gosta de letras, gosta de números (principalmente os múltiplos de cinco) e, há alguns anos, conseguia desenhar retratos a lápis – mas, atualmente, se contenta em encontrar valor artístico em rabiscos e setas.

Resolveu estudar jornalismo pela USP e ficou por lá até 2005. No começo de 2007, voltou a fazer aulas na ECA – como aluna especial. A matrícula regular na pós-graduação veio no ano seguinte.

Nos dias úteis, lê sobre infografia. Nas horas vagas, assiste séries de ficção científica, se arrisca em puzzles de raciocínio e sente culpa por não estar lendo sobre infografia.

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