Notas de rodapé #2
Em algum momento desses últimos cinco ou seis meses, eu li aquele livro do Kuhn. Não exatamente o livro inteiro, mas uma parte significativa. Segundo essa parte significativa, as ciências sociais não são lá muito científicas — ou, pelo menos, ainda não amadureceram como ciências — porque as N escolas ainda disputam quem é que orienta a coisa.
Se a definição de Kuhn para paradigma é “aquilo que os membros de uma comunidade partilham”, é meio complicado falar sobre um paradigma nas comunicações porque ninguém partilha nada. Tem um trechinho interessante nessa parte significativa no qual o Kuhn (que era da física) conta sobre a experiência de passar um ano em um centro de estudos sociais, no final dos anos 50:
Fiquei especialmente impressionado com o número e a extensão dos desacordos expressos existentes entre os cientistas sociais no que diz respeito à natureza dos métodos e problemas científicos legítimos.
Pensando na ECA, minha filosofia geek sempre me diz: “Always two there are, a master and an apprentice” — de resto, são apenas brigas.
O problema é que o Kuhn (de novo o Kuhn) diz que os paradigmas são “as realizações científicas universalmente reconhecidas que, durante algum tempo, fornecem problemas e soluções modulares para uma comunidade de praticantes de uma ciência”.
Se eu estou no meio de uma pseudociência que não tem paradigmas porque ninguém se concorda muito, então eu não tenho nenhum guia de validade sobre o que eu estou fazendo.
Então… o que é que eu estou fazendo?
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