Pobres cozinheiros! (ou: para que serve o meu diploma?)
Eu tenho um diploma de jornalismo. Mas eu nem precisaria mais dele, se quisesse ser jornalista (a lavada de 8 a 1 saiu nesta quarta-feira, depois de muito atraso). Isso porque, aparentemente, jornalista e cozinheiro (confesso que a comparação me fez pensar na cozinha que anda o jornalismo) não precisam de qualificação. Pobres cozinheiros!
Não precisam de qualificação? Olha, admito que o modelo não está bom. Se fosse por mim, jornalismo era uma especialização, e não uma graduação. Um MBA que não vai devolver o investimento. Mas acho sim que é preciso ter alguma coisa que não seja um treinamento profissional de fazer entrevista por telefone e escrever lead.
Não que um curso garanta isso — em um ano ou em quatro anos (ou cinco, no meu caso).
Fazer faculdade de direito não garante passar no exame da ordem. E passar no exame da ordem não significa ter muita noção.
Fazer faculdade de medicina também não é garantia de não fazer mal a ninguém.
Só que isso tudo me faz pensar em uma historinha de alguém que conhece alguém que eu conheço. A pessoa viajou para o México e contou que tinha dois tipos de carne para comprar: a que tem o selo do governo e a que não tem o selo do governo. Confesso que não sei se o governo mexicano me garante alguma coisa, mas eu realmente gosto de pensar que tinha um selo. Assim como eu gostava de pensar que existe um diploma.
Eu tenho um diploma de jornalismo. Eu tenho um selo sobre a procedência da minha carne. Para que ele serve?
Acho que seria injusto falar que ele servia para que eu pudesse trabalhar como jornalista — porque não é o meu caso. Um tempo atrás, eu diria alguma coisa sobre a importância do diploma para garantir a prisão especial — mas isso também já foi pro saco.
Felizmente, tem sim importância para mim: não daria para fazer mestrado sem um diploma. Ufa!
Eu tenho um diploma de jornalismo e não sei cozinhar. A segunda parte seria mais útil.
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André Eler 2009|06|18 @ 02:51 | #
Lhys, o selo não vale de nada se a procedência da carne não for verificável. mas serve como um placebo. sem o placebo, somos obrigados a procurar terapias que funcionem melhor.
Lhys 2009|06|18 @ 02:52 | #
@André Eler: ECA, governo mexicano… estamos na mesma.