Estadão finge que é o Radiohead, eu finjo que sou superior

O Estadão está com uma coisa que eu vou chamar de “promoção para conseguir mais assinantes”. Faz parte da campanha informação/conhecimento (que explica que aprender a andar de bicicleta >>> derrubar o muro de Berlin — até porque o mundo não aprendeu nada com o muro).

O site explica assim:

A assinatura semestral com entrega de 2ª a domingo do Estadão não tem preço fixo. É você que vai dizer quanto você acha que vale aprimorar o seu conhecimento. Isso mesmo. Você assina e diz o quanto você quer pagar pelo primeiro mês. Assine agora.

Uma coisa que, rapidinho, parece super bacana e cabeça.

Aí você pensa, fica cínico e lembra do “In Rainbows”. Aquele disco que o Radiohead vendeu como download no sistema “pague o quanto você achar que deve”.

Aí eu estava lembrando sobre reações à história do “In Rainbows” — reações de pessoas que vendem música, não reações de fãs empolgadaços do Radiohead. Lily Allen acusou o Radiohead de arrogância, o Gene Simmons perguntou se você fumou crack e o Liam Gallagher falou que só por cima do cadáver dele (tudo na Rolling Stone), mas a melhor mesmo foi a do Robert Smith (no Times):

You can’t allow other people to put a price on what you do, otherwise you don’t consider what you do to have any value at all, and that’s nonsense.

Mas, quer saber? Nem é por isso.

A questão é que o Estadão está dando um golpe publicitário que ofende a inteligência do mundo.

Eles estão fazendo uma promoção que te dá um mês de graça na assinatura semestral. Pague cinco, receba seis. E ainda fingem que isso é super bacana.

Não sei para onde o jornalismo vai, não sei como vai ficar a história da oferta de informação, não sei de nada.

Mas, queridos, esponja de lavar louça dá uma de graça no pacotinho. Shampoo dá um de graça quando você compra o kit. Escova de dente me dá a pasta de graça. E nenhum deles tem a coragem de me perguntar se eu quero pagar um centavo a mais pela experiência.

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