A felicidade boba de um disco ao vivo de um new kid on the block

Uns dias atrás, por vias escusas, eu me reencontrei com o disco ao vivo do Joey McIntyre. E foi um momento de pura felicidade boba — que é um dos melhores tipo de felicidade conhecidos. Como eu já não ligo para a minha imagem pública, vou explicar mais ou menos o que é o “One Too Many”.

O Joey McIntyre, para quem não reconheceu, é um dos integrantes dos New Kids on the Block. É meu NKOTB preferido, desde quando eu tinha cinco anos de idade e ele cantava “Please don’t go girl”. O “One Too Many” foi um disco ao vivo que ele lançou depois dos dois primeiros discos solo. O crédito do CD é “Joe Mac and Eman” — o Joe Mac, obviamente, é o Joey McIntyre; o Eman é o Emanuel Kiriakou, que começou a escrever músicas com ele na época do “Meet Joe Mac” e também já trabalhou com Backstreet Boys, Jesse McCartney, Nick Lachey, os próprios NKOTB e vários outros artistas constrangedores que aparecem na minha playlist.

Mas vamos ao “One Too Many”.

A sensação de “One Too Many” é a de estar em um fim de festa com duas pessoas e violões. Sabe quando seu amigo pega o violão no fim do churrasco e começa a fazer covers da Legião Urbana? Joe Mac & Eman abusam de covers óbvios como “One”, do U2 (mashed com um trechinho de “With or without you”), “Landslide”, do Fleetwood Mac e “Time after time”, da Cindy Lauper. Sim, músicas que já foram refeitas por Smashing Pumpkins, Bon Jovi, Dixie Chicks e metade dos participantes de “American Idol”.

Só que  não chega a dar aquela contemplação de suicídio porque isso é devidamente intercalado com músicas próprias.

E, aí sim, o disco fica bom. Porque Joey McIntyre é um nome super suspeito, mas de repente você percebe que “Rain” e “We don’t wanna come down” são músicas até que bacana. E “NYC Girls”, apesar de rimar com “PYTs of the world”, tem seus momentos (como a frase “Stand clear of the closing doors”). E até um trechinho de “Wild Nights” (conheço só a versão do John Mellencamp, mas não é dele) agrada bem no final de “I don’t know why I love you”, embora metade das letras esteja faltando.

Aliás — muitos trechos tiveram as letras trocadas por uma piada, um comentário ou alguma dificuldade de lembrar as palavras certas.

Também dá para descobrir que as músicas que viriam no disco seguinte (“Falling” e “Endlessly”) estavam no caminho certo.

O disco foi gravado em um bar, cheio de fãs do Joey McIntyre — que ele chama de “bravehearts”. Em certo momento, ele admite que as pessoas pensam que ele tem muitas fãs, mas na verdade “these people just come everywhere with me”. Isso fica claro no meio de “I love you came too late”, quando o público presente sabe completar um trecho que não estava na gravação original –

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E, como eles estavam em um bar mesmo, álcool não parece ter faltado. Assim rolam conselhos para economizar água — o bem-recebido “shower with a friend” e o controverso “piss in the sink” (Joey, querido, suas fãs são basicamente mulheres — fica meio difícil). E a declaração de amor de Eman para Joe Mac.

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Não contente com as conversas entre as músicas, o Joey McIntyre interrompe metade das letras para comentários, piadas e qualquer outra coisa. E, quando não interrompe — bom, sou a primeira a admitir que o alcance vocal do Joey não é lá tudo aquilo.

O engraçado é que só as piadas seriam um saco. Só as músicas não seriam grande coisa. As interrupções seriam um problemas. Mas aí você junta tudo… e o disco dá certo.

Ou, provavelmente, eu só estou muito empolgada com a versão de “Cover girl”, um antigo sucesso NKOTB-eano.

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