Como as greves na USP nunca mudaram a minha vida
Eu conheci a greve antes da USP — escola estadual do prézinho à oitava série. Nesses anos, passei por aquela situação estranha de férias fora de época, para voltar e ter pseudo-aulas de sábado.
Aí veio o colégio particular.
Aí veio a USP.
Era 2001. Acho que tivemos uma paralisação aqui e ali (sempre de sexta-feira, matando várias aulas do Ricardo).
A greve que veio ano ano seguinte também não era bem uma greve normal — foi a greve dos estudantes da FFLCH, que acamparam no meio da rua (melhor que invadir a reitoria, convenhamos). Atrapalhou muito pouco — eu tinha uma optativa na FFLCH e precisei cancelar porque ia interferir no meu horário do semestre seguinte. Só isso.
Acho que 2003 passou mais ou menos como 2001. Aí chegou 2004…
Não lembro muito bem quantos dias passamos em greve. A essa altura, tínhamos talvez duas aulas por semana — e ninguém mais ia para a ECA. Uma das aulas era Babel — e não existia aula de Babel. No fim, aliás, nem fechamos a nossa Babel (embora a maior parte das pessoas tenha fechado o texto, e eu tenha fechado um terço das páginas para a edição que não foi impressa). E, se havia outra aula, ela foi concluída sem problemas memoráveis.
Nessa época, eu também estava em estágio na Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (o nome é tudo isso mesmo). E pró-reitorias não param durante a greve. Naquele ano, a reitoria foi fechada antes que o tumulto começasse. E, como foi fechada pela administração da coisa, tivemos tempo de transportar nossos materiais e computadores para uma salinha do anfiteatro.
Durante a greve, pude ver ensaios da Osusp. Durante toda a greve, tinha uma televisão providencial na sala (para acompanhar Eurocopa e Olimpíadas). Durante toda a greve, me davam vale para comer no restaurante ali do lado — e eu nem como no bandejão em períodos normais. Durante toda a greve, eu trabalhei até mais feliz do que no período normal.
2005 foi tranquilo, de novo. Em 2006, eu já não estava na USP. Em 2007, fiz aulas como aluna especial na época da invasão da reitoria — e as aulas seguiram normalmente. Em 2008, meu primeiro ano matriculada na pós, também estava pacífico.
Aí começa 2009. Eu nem estava confiante nessa greve, e de repente ela começa a bombar. Mas, quer saber? Minha aula na pós continua. Meu prazo de qualificação não mudou (a secretaria fica com a janela fechada, mas as pessoas estão ali na porta ao lado). E meu estágio PAE é com o JC, que não para (de jeito nenhum) em greves.
Este é meu oitavo ano não-consecutivo na USP (contando o meu ano de TCC e meu ano como aluna especial). Se eu vou ou não vou para o campus, isso nunca teve a ver com greve nenhuma.
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