Esperando a segunda-feira

Eu costumo ter dias bons. Eu acordo, tomo café da manhã, leio um pouco de jornal, faço revisão de irlandês, almoço, vejo um pouco de TV, passo algumas horas me convencendo a fazer alguma coisa mais útil, leio um pouco, escrevo um pouco, janto, vejo mais TV, me rendo ao chocolate, ouço música, tomo um chá. São dias bons.

De vez em quando, aparecem dias que deveriam ser bons. Melhores. Com pessoas e comidas e conversas e música. Eu compreendo perfeitamente as vantagens desses dias, mas isso não me deixa menos cansada. Hoje eu achei a expressão para resumir isso: alegria desconfortável.

A alegria desconfortável de sentar do lado da caixa de som, a alegria desconfortável de ouvir bandas de festas inventando línguas novas quando tentam cantar em inglês, a alegria desconfortável de ver conhecidos expressando mais felicidade do que eu gostaria de testemunhar, a alegria desconfortável de cumprimentar todas as pessoas que cruzam com você, a alegria desconfortável de perceber que os anos 90 foram há muito tempo, a alegria desconfortável de ouvir as novidades, a alegria desconfortável de dividir a casa, a alegria desconfortável de querer ir embora, a alegria desconfortável de encurtar conversas da forma mais educada possível. A alegria desconfortável de estar com pessoas que gostam de você.

E aquela alegria confortável de saber que isso vai acabar e o dia seguinte será bom. Tomar café, ler jornal, ver TV, conversar com a geladeira. Can’t hardly wait.

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