Não parece, mas eu sou super qualificada

Umas semanas atrás, quando finalmente entreguei o relatório de qualificação, comentei que pensava na banca como uma audição no American Idol:

Eu canto por um minuto e meio, aí a Kara diz que faltou artistry, o Randy fala que foi meio pitchy, a Paula resmunga alguma coisa sem sentido e o Simon chama de indulgent rubbish.

A qualificação aconteceu nesta segunda-feira. Fiquei sabendo meio que por acaso na quarta-feira passada, e a confirmação de verdade só veio na sexta — mas a qualificação foi na segunda. Mas, calma. Nada de pânico. Tudo vai dar certo.

E, para falar a verdade, eu esperava coisas muito piores. Qualificação é quando apontam tudo o que está problemático, para consertar tudo na dissertação. Esperava sair da sala como se tivesse sido atropelada por um trator. Mas, como haviam me adiantado, as bancas andam simpáticas na qualificação.

Nada de Randy, Simon, Paula ou Kara — na minha frente estavam o Coelho (claro — é meu orientador), a Sandra Souza (com quem tive aula no CRP) e a Clice Mazzilli (do curso de Design da FAU). Pessoas devidamente qualificadas e que não caíram de paraquedas no assunto e que não cantaram Mariah de biquini e que, infelizmente, nunca tocaram com o Journey.

Acabei não cantando por 30 segundos — até tinha uma apresentação montada, mas achei que a qualificação era para ouvir o que as pessoas achavam que era mais importante. O que eu acho sobre o assunto já estava no relatórico, certo? E preciso admitir que ouvir outras pessoas falando sobre o que você está obcecando solitariamente é bem bacana.

Pela etiqueta pós-gradua…cista?, quem vem de mais longe fala primeiro. Aí você vai anotando os pontos, marca o que precisa responder e comenta, no final. Depois fala quem vem de mais perto. De novo — anota os pontos, marca o que precisa responder, tenta falar coisas que façam sentido. Preciso confessar que fazia muito tempo que eu não passava duas horas ouvindo sem viajar para beeeem longe. Desta vez, fiquei plantadinha no aquário (vazio) do CJE.

Até, é claro, pedirem para eu sair da sala enquanto a banca decidia alguma coisa (ou colocava a conversa em dia). Na volta… você ganhou o golden ticket e vai para Hollywood! Woooohhh!!! Ok, não vou para Hollywood. [empolgação] Mas fui aprovada e posso continuar a pesquisa! Wooohhh!!! [/empolgação]

Mas… espera… e todos aqueles pontos? Aquelas observações? Bom, aquilo fica para os próximos 12 meses. Sim, 12 meses. Porque, um dia depois da qualificação, quando completou 18 meses da minha matrícula, chegou uma mensagem automática no meu e-mail dizendo exatamente isso:

Informamos que restam apenas 12 meses para que se encerre o prazo para o depósito de sua tese ou dissertação.

Então… I’m still in the running to become America’s Next Top Model a feliz proprietária de um título de mestre. Desde que eu termine tudo em 11 meses e 29 dias. Mas, calma. Nada de pânico. Tudo vai dar certo.

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