Ah, sim, eu completei 26 anos
Deixei passar por aqui porque foi basicamente o pior dia do ano e eu surtei o suficiente no Twitter. Para quem não reconheceu, foi no dia 8 de setembro. Aquela terça-feira em que o céu caiu, a marginal fechou, algumas pessoas morreram e todas as outras ficaram presas no trânsito.
Comecei muito bem a meia-noite sozinha em casa (abandonada, na verdade) ouvindo “Happy Birthday to You” dos New Kids on the Block. Sim, eu ouço essa música em todos os meus aniversários. Chama-se “tradição”.
Depois de cumprir a tradição, achei melhor tentar dormir porque o dia seguinte começaria cedo. Assim, para mim. O dia começou quando sempre começou, mas isso não interessa. O que interessa é que todos os despertadores da casa tocaram às 5 da manhã. Uma hora depois, minha mãe me telefona para dizer “Feliz aniversário” (até então, só os NKOTB tinham feito isso) – nesse momento, a bateria do meu telefone resolve me dizer adeus (volto a falar sobre o telefone algum dia desses) e eu passei o resto do dia incomunicável.
Incomunicável mesmo. Até comprei um cartão de telefone assim que cheguei à USP e até consegui terminar a conversa com a minha mãe, mas aí a Telefonica resolveu atrasar a vida da humanidade e eu não conseguia mais telefonar para ninguém.
Enquanto isso acontecia, também chovia.
Mas eu tinha mais o que fazer – reunião de avaliação do primeiro JC do semestre. Com alguns momentos de voo solo. Poucos, felizmente.
Enquanto isso, chovia lá fora.
Fim da manhã (passada ao lado de pessoas que não sabiam do meu aniversário). Hora do almoço. Sim, almoço de aniversário sozinha no Sweden. Fantástico. Juro que superaria o trauma se não fosse a enchente no bolsão do restaurante – eu não conseguia sair de lá por nenhum caminho. Eventualmente, aceito que não tem jeito e vou escolhendo os trechos menos horríveis. O que não foi suficiente para evitar aquele pisão do “droooooga minha meia está molhada”.
Ah, sim, continuava chovendo.
Aula de Gaeilge na FFLCH durante a tarde. Juro, chove toda terça-feira. Acho que faz parte do clima irlandês da coisa. Enfim, a tarde ao lado de pessoas que não sabiam do meu aniversário. E sem celular. E o orelhão não funciona.
Ainda chovia quando eu entrei no fretado. Por conta de toda aquela chuva, o fretado fez o caminho mais bizarro ever e, ainda assim, cheguei bem mais tarde em casa. O que não fez muita diferença, porque não tinha ninguém em casa.
Como assim?
Como assim que meus pais levaram 9 horas e meia para viajar da praia para a minha casa. Fantástico. Sempre tem alguém tendo um dia pior que o seu, certo?
Ainda tinha uma garoa quando a minha pizza de aniversário (sim, foi deprê mesmo) chegou.
Sabe o que é pior? 26. 26. Ainda não entendi isso muito bem. Como é que eu posso ter mais de 25 anos?
Para tentar consertar, fizemos festinha de aniversário no sábado. Festinha mesmo. Minha mãe até convidou os vizinhos. E tinha mini hot-dog e brigadeiro. E velinhas. As velinhas diziam “26″. Assustador.
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