Por que o mundo precisa de Jedward
Em algum momento de 2009, John & Edward fizeram um karaokê de “As long as you love me” nos testes do “X Factor”. O veredicto do Simon foi “Not very good and particularly annoying”, mas Cheryl, Dannii e Louis votaram a favor dos dois. Eles são gêmeos idênticos, eles entraram no palco gritando “Glasgow, how you feelin’ tonight?”, eles sentiram a necessidade de se apresentar começando com “We’re twins”. De algum jeito, eles ficaram entre os 12 finalistas. De algum jeito, eles terminaram na sexta posição.
Isso foi lá pelo meio de novembro do ano passado. Em situações normais, o prazo de validade deles já teria passado faz tempo. Alguém aí se lembra do Lloyd Daniels (eliminado na semana seguinte)? Pois é.
Só que Jedward não passou. Eles acabaram conseguindo uma participação no NTA (National Television Awards, exibido pelo mesmo canal de TXF) para cantar “Under Pressure/Ice Ice Baby” (truque que eles usaram na semana Queen de TXF) com ninguém menos que ele, o próprio: Vanilla Ice. Quando foi a última vez que o Vanilla Ice convidou o público para cantar “Ice ice baby” — e o público cantou de volta?
Como qualquer pessoa normal, eu estava reagindo à apresentação com quem mais estivesse online e vendo aquilo no YouTube e uma das respostas que eu recebi foi:
I kind of wish I could be more like Jedward.
Eu sei, eu sei. Parece estranho. Eles são completamente retardados no Twitter (e suspeito que isso não esteja longe da realidade), provavelmente vão lançar singles constrangedores atrás de singles constrangedores, eventualmente se envolverão em algum escândalo realmente medonho e devem participar de qualquer reality-show falido ASAP.
Mas a verdade é que existe uma coisa muito incrível em Jedward. Não é a voz, não é a dança, não é o topete, não é o figurino. Não é nem essa vontade imensa de ser famoso. E não é a incapacidade de acertar a apresentação de “Under Pressure/Ice Ice Baby” mesmo que essa seja praticamente a única coisa que eles têm feito desde novembro.
O que é fascinante em Jedward é o quanto eles estão se divertindo enquanto cometem todas essas atrocidades. É ver que eles não estão constrangidos. Entre tantos popstars falando sobre seus “demônios internos” (quem inventou essa ideia?) e tantos candidatos de “American Idol” com histórias tristes, Jedward acaba sendo muito mais relevante do que todos esses outros wannabes. Eles não sabem cantar, não sabem dançar e não parecem ter nenhum talento — mas, ao mesmo tempo, são geniais.
É só ver a apresentação de “Oops I did it again” para entender.
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