Mia, a grande caçadora

Umas duas semanas depois de adotar a Mia, eu brincava com ela usando uma bolinha de papel amarrada em um pedaço de lã. Eu puxava a lã bem devagar, a bolinha se arrastava pelo chão e a Mia ia atrás. Só que ela não ia simplesmente atrás — ela encostava a barriga no chão e ia preparando o bote. Aí a gente tirava altos sarros sobre “Mia, a grande caçadora“. Da bolinha de papel.

Ontem a Mia caçou o primeiro passarinho dela. Não sei qual era o tamanho dele, porque ninguém estava em casa na hora. Dei uma passadinha aqui no meio de uma peixada, para ver se estava tudo bem. Peguei a Mia no colo assim que abri a porta e aí encontrei um monte de penas espalhadas pelo quintal. E um passarinho morto e meio destruído.

Aí eu gritei “Paaaaaai, acho que a Mia matou um passarinho”. Tadinho. E que nojo. O potinho de água dela ficou sujo e tal.

Comecei a recolher as penas (um pouco, porque varrer penas é muito ingrato) e a Mia foi brincar com o cadáver. O horror. Aí eu recolhi o passarinho, dei um nó na sacola e joguei dentro do lixo. Aí eu peguei a Mia e fiz um pouco de carinho porque eu joguei fora o brinquedo/almoço dela (é tipo o Kinder Ovo).

E eu tirei fotos, porque foi o primeiro passarinho da Mia. Mas não vou colocar aqui porque super tenho noção.

Mas posso confessar que senti um orgulhinho da Mia?

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