Como eu acabei fazendo o TOEFL
(Vou aproveitar o sábado para escrever tudo o que eu tinha que escrever nos últimos meses.)
TOEFL (Test of English as a Foreign Language) era uma daquelas coisas que eu ouvia falar quando fazia curso de inglês (lá por 1996) e pensava que um dia eu ia fazer. Mas, antes, super ia me preparar — até porque a taxa foi de 185 dólares. Anos depois, eu ainda não tinha feito o TOEFL porque o certificado tem validade de dois anos e meu passaporte venceu em branco.
Aí aconteceu assim: em 22 de novembro do ano passado, minha irmã me avisou de um concurso do IAG com inscrições até o dia 24. No dia 23 de novembro, eu fiz a inscrição no concurso e no TOEFL (porque o edital exigia). No dia 11 de dezembro, eu fiz a prova. Ou seja: a tal superpreparação durou 18 dias.
Mas, quer saber? Meu score foi de 115/120.
Eu não estou escrevendo isso para dizer que, nossa, eu suuuuuper sei inglês. Estou escrevendo porque é serviço público: sabe tudo o que já te disseram sobre o TOEFL? Pode esquecer.
Estou supondo, primeiro, que a pessoa que vai tirar o TOEFL entende inglês. Até porque não faz sentido se não for assim. As pessoas tiram TOEFL para atestar que elas sabem inglês com algum propósito — geralmente, estudar fora. Se você pretende estudar fora, precisa achar que vai conseguir acompanhar uma aula e ler um texto e escrever um ensaio.
Se a pessoa entende inglês, vai conseguir entender este manual: Official Guide to the TOEFL Test. E ler esse manual é pelo menos metade da preparação necessária para fazer a prova.
O manual basicamente explica toda a prova. Cada tipo de pergunta e qual é o objetivo de cada pergunta — ou seja: o que você precisa saber para responder. E depois ele dá exemplos. E explica as respostas. Também tem um simulado para fazer no computador, para você se acostumar com o funcionamento da coisa.
Aliás — existem outros softwares que simulam (bem) a prova.
Então eu passei vários daqueles 18 dias sentada no meu computador (com a Mia no colo, me passando micose) fazendo…. simulados. A prova tem quatro partes:
- Reading: você lê alguns textos meio “conhecimento geral” (pode ser sobre história ou biologia, mas bem introdutório) e depois responde perguntas de compreensão. As questões são do tipo múltipla escolha, então o simulado conta o seu resultado.
- Listening: tem dois tipos de atividades – lecture e conversation. As lectures são trechos de “aulas” (são explicações básicas, no mesmo nível dos textos do reading) sobre um assunto xis. Os exemplos de conversation são historinhas do tipo “pedindo informações ao bibliotecário” ou “dois alunos trocando informações sobre um curso”. Você pode anotar tudo o que quiser (sim, até fornecem papel na prova) e depois responde questões de múltipla escolha (ou seja: o simulado pode te dar uma nota).
- Speaking: de novo, dois tipos de atividades — independente e integrada. Na independente, você faz um microdiscurso com a sua opinião sobre alguma questão xis (“é melhor morar no campus ou em casa?”, “é melhor estudar sozinho ou em grupo?”). Na integrada, você lê um trecho e/ou escuta uma gravação sobre outro assunto xis. Pode ser acadêmico (ecologia, por exemplo) ou cotidiano (custo do almoço). Aí você comenta as diferenças de pontos de vista ou faz um resumo do conteúdo. Os softwares não te dão uma nota (acho que existe um serviço pago do ETS que faz uma avaliação), mas mostram exemplos reais para cada nível de nota.
Mas não é uma questão de sumir com o seu sotaque. É preciso montar uma argumentação curta e que faça sentido, e aí respirar e desafobar e falar sons compreensíveis. Eu basicamente copiei uma lista de tópicos possíveis e gravei no computador dezenas de opiniões em 45 segundos até acostumar com o mico. Se você tiver um amigo simpático, peça para ele ouvir. - Writing: é bem parecido com o speaking, só que com mais tempo e a necessidade de saber um mínimo de spelling. Na atividade integrada (20 minutos, 150-225 palavras), você lê e ouve conteúdos sobre mais um tópico semi-acadêmico e depois escreve sobre isso — um sumário com os pontos importantes e a comparação entre os pontos de vista do texto e do áudio. Na atividade independente (3o minutos, 300 palavras), apresentam uma declaração e perguntam se você concorda ou discorda. O seu ensaio deve estabelecer a sua opinião e mostrar argumentos razoáveis.
De novo, o software não faz a correção (mas mostra exemplos). O jeito é escrever, escrever e escrever (para ter uma ideia do quanto é 300 palavras em meia hora e se acostumar com isso).
Não estou dizendo que é completamente fácil, mas não pode ser tão difícil assim. Não vai ter uma questão de gramática pura — você precisa entender tempos verbais para entender o que aconteceu quando e em qual ordem. Não vai ter uma questão isolada de vocabulário — todas as palavras aparecem em contexto.
Em resumo, ir bem no TOEFL é bem mais fácil do que arrumar um emprego.
Procurar
Ficha Técnica
Arquivo
Twitter
Categorias
Tags
Links
Feed


Letras Miúdas :: Como eu não arrumei um emprego 2010|04|03 @ 16:06 | #
[...] grandes incentivadores, ofereceram a sugestão deles: concurso. Acabei fazendo o do IAG (citado no post anterior) e o da Cetesb. O resultado? Aqui: 1 e 2. Pois é. Perdi no desempate de um, ganhei no desempate do [...]
leonardo 2012|05|01 @ 22:39 | #
Obrigado pela sua opinião sobre a prova, me tranquilizou muito , todos meus professores sempre puseram muito terror nessa prova.