Archive for the ‘Jornalismo’ Category

Espirais

Tuesday, August 5th, 2008

Faço neste semestre um estágio PAE. A minha disciplina é “Laboratório de Jornalismo Impresso II” aka “Jornal do Campus” aka “JC”.

Minha turma de JC foi a do segundo semestre de 2002. Entre milhares de optativas e um clima de empolgação da classe toda, eu tinha a impressão de morar na ECA – e nem pensava em reclamar. Uma “comissão” inventou a reforma gráfica. Alguém cria um site. Alguém monta um mini-manual de redação. Alguém organiza um debate com candidatos. Alguém idealiza uma seção que era só nossa. Alguém distribui a distribuição. Média de 12 e-mails por dia, todos os dias. Omelete no Sweden. Fechamento até qualquer hora da madrugada no Labri (quando o departamento não fechava às 22:50). Horas e horas na sala 18.

Eu tentei não entrar na auto-análise sobre tentar reviver a minha graduação (retorno à ECA; estágio naquela que é possivelmente a aula mais marcante ou importante do curso), mas tudo volta. Acabei relendo alguns dos e-mails de despedida com piadas internas que ainda fazem algum sentido.

Eu ia falar só sobre… sobre o que é ver uma reunião de um JC que não é seu. Seis anos depois. E é absolutamente surreal. Alguns momentos de pura identificação, um pouco de déjà vu, uma vontade de falar (de)mais. Muita vontade de falar que não se faz JC porque é uma aula obrigatória, mas porque é trabalhar com os seus melhores amigos. Porque é. Ou porque foi.

Talvez toda turma seja megalomaníaca. Talvez todo mundo queira criar alguma coisa só sua em um jornal de enésima mão e deixar alguma coisa quando essas oito edições acabarem. Talvez todas as turmas tenham as mesmas discussões sobre o que cortar e o como fazer.

É tudo muito igual, mas muito diferente.

Tudo o que aconteceu nos últimos dois meses

Monday, August 4th, 2008

_A reportagem que eu escrevi foi publicada. Ah, sim, as duas. Na verdade, isso aconteceu em maio, mas eu só fiquei sabendo em junho. Enfim, saiu, eu achei, me pagaram, tudo deu certo. Enfim, não tenho planos de fazer isso de novo por algum tempo.
_Participei de mais um concurso de emprego. Enfim, não passei. Enfim, já superei.
_As aulas do primeiro semestre chegaram ao fim em junho, com direito a seminário deprê. Os trabalhos ficaram para julho – e foram feitos somente em julho, obviamente. Construí um casulo de livros em um dos cubículos da biblioteca e entrei em altas crises existenciais, mas eventualmente rolou aquela sensação de que eu estou fazendo alguma coisa certa. Mais certa que o resto das coisas que eu vinha fazendo. Enfim, foi bom.
_As aulas da especialização de sábado chegaram ao fim – mas eu ainda estou devendo a monografia. Estou fazendo, juro. Vai ficar pronta.
_Ah, meu irmão qualificou o doutorado. E eu não paro de me divertir no PHPComics.
_Comprei uma mini cama elástica. Sim, estou pulando com alguma regularidade. Não, não fiz nada hoje. Não deu tempo, ok? E estava morrendo de sono também. Enfim, prometo fazer amanhã.
_Isto provavelmente deveria aparecer mais para cima nesta lista, mas a imigração japonesa no Brasil completou 100 anos. Não que isso faça muita diferença na minha vida. Mas isso foi motivo de festinha em Vinhedo, e a festinha ganhou de todas as comemorações do centenário.
_Meus pais foram viajar em algum momento de julho. Eu passei uma semana comendo quantidades absurdas de carboidratos.
_Viciei em Picross. Porque eu obviamente já não perdia tempo jogando Hanidoku.
_Ainda não consegui ver o filme do Arquivo-X. Mas compensei com horas de tênis na TV. Enfim, minha mãe odeia o esporte mais do que nunca.
_Dei um nome para o carro do meu pai. Mas só converso com a geladeira, que não tem nome.
_Sinto um pouco de saudades de livros que não tinham referências bibliográficas nas últimas páginas.
_Julho foi mês de Dr. Horrible. Cantei muito. Mas agora eu estou numa fase totalmente Middleman. Isso significa que eu estou avaliando a possibilidade de usar um middlebelt.

Repetições

Thursday, May 29th, 2008

Achei em um ex-blog de 2004:

É claro que nada disso é compatível com Jornalismo, mas Jornalismo e eu conversamos e decidimos que realmente o melhor é que cada um siga o seu caminho. Uma separação gradual (se arrastando até o meio do ano que vem) e amigável, sem ressentimentos. Por uma, Jornalismo não tem 10 milhões de dólares. E nem preciso da segunda.

Meus 2 centavos sobre a garota de US$ 18,2 milhões

Monday, April 28th, 2008

Miley Cyrus tem 15 anos, dois álbuns lançados (ambos chegaram ao #1 nos EUA), um programa de TV (que já virou turnê que já virou versão para o cinema) e mais dinheiro do que você sonha em ganhar em toda a sua vida. Os tais US$ 18,2 milhões representam o faturamento de Miley só no ano passado, segundo contas da revista Parade. Há quem diga que nos próximos anos a Disney vai atingir um faturamento de US$ 1 bilhão só em cima dela.

Miley Cyrus também tem um histórico de tirar fotos com as amigas fazendo caras e bocas (ou dividindo um doce com uma amiga em uma cena meio “A Dama e o Vagabundo”), e depois colocar tudo na internet. Nada que chegue perto das fotos daquela Miss Nevada, e bem mais comportada que a foto da Vanessa Hudgens. Aliás, eram mais discretas do que muita coisa que se vê no MySpace. Mas Miley Cyrus tem 15 anos e seus fãs são ainda mais novos, e realmente não é muito apropriado sair mostrando um sutiã verde por aí.

Então Miley Cyrus ganhou um perfil na Vanity Fair, com direito a fotos da Annie Leibovitz, que é basicamente a fotógrafa que fez a capa da Rolling Stone com John Lennon e Yoko Ono, além da capa da Vanity Fair com a Demi Moore grávida. Annie Leibovitz é ultra famosa – e obviamente fez fama com fotos de pessoas sem roupas.

Em algum momento do ensaio para a Vanity Fair, a Annie Leibovitz sugeriu uma foto na qual Miley Cyrus cobriria o corpo (e mostraria as costas) com um lençol. No behind the scenes, dá pra ver que a Miley está com roupas por baixo do lençol. Mas, vendo a foto final (que está aqui), não dá para saber isso. É uma foto bonita, mas sugere uma garota de 15 anos nua.

Agora, Miley Cyrus disse que se arrependeu da foto e pediu desculpas aos fãs. A Disney disse que a equipe da Vanity Fair manipulou uma menina de 15 anos. E a Vanity Fair se defende dizendo que, na hora, a Miley Cyrus adorou a foto e achou super artística – mas, ao contrário do título da reportagem, Miley doesn’t know best – e que, além disso, ela estava acompanhada da avó e de uma professora (os pais já haviam ido embora).

O que acontece agora é que a foto virou debate. Famosa ou não, é uma adolescente sendo exposta. Algumas pessoas criticam a revista, outras criticam os pais.

Mas eu não estou reparando na culpa dos pais, da Disney ou da Vanity Fair. Eu estou vendo uma pesquisa entre os leitores do site da People e entendendo muito bem o que é essa foto:

People Poll: Miley Cyrus

79% das pessoas que votaram acharam a foto inapropriada para uma garota de 15 anos (21% responderam que é “apropriada para uma estrela”). Mas 49% das pessoas acharam que as fotos vão ajudar a carreira de Miley Cyrus. Aceitando que todas as pessoas que consideraram a foto apropriada avaliaram que a foto vai ajudar, falta explicar ainda 28% das pessoas.

Falta explicar por que é que 28% das pessoas que responderam à pesquisa acham que uma foto inapropriada ajuda a sua carreira.

Eu não entendo nada de poesia

Monday, April 7th, 2008

Hoje é o dia do jornalista.
E o dia do médico legista.
Se vc se identifica,
Parabéns!

LOL

Italo Calvino me entende

Friday, February 15th, 2008

Não que eu entenda alguma coisa sobre ele.

Mas comecei a ler “Fábulas Italianas” (é, estou em fase “contos populares”) hoje. Queria um livro com historinhas, porque o da Warner era muita análise com uns poucos resumos das histórias. Enfim, o livro do Calvino é uma compilação de histórias populares italianas, traduzidas (a partir de dialetos) e retocadas por ele. Aí estava lendo a introdução (quase pulei!) e encontro este trecho:

… Trabalhei em material já reunido, publico em livros e revistas especializadas ou disponível em manuscritos inéditos de museus e bibliotecas. Não foi recolher pessoalmente as histórias no regaço das velhotas; e não porque não existam mais na Itália “lugares de conservação”, mas porque, com todas aquelas coletas dos folcloristas, sobretudo do século XIX, já dispunha de uma grande massa de material no qual trabalhar, e tentativas de coleta original talvez não trouxessem resultados apreciáveispara os objetivos do meu livro. E, além do mais, afinal de contas não é meu campo, é um trabalho que exige que se saiba fazê-lo, exige que se saiba ganhar a confiança do próximo, e eu já iniciaria com a prevenção de que as pessoas têm mais o que fazer do que me contar as fábulas.

Porque eu ando pensando (e pensando e pensando e pensando) que 1) Jornalismo é uma área enorme que engloba diversas carreiras ligadas a informação; 2) Reportagem é uma das carreiras englobadas no Jornalismo, mas as duas palavras não são sinônimos; 3) Reportagem é um trabalho que se divide em duas partes: a primeira é a coleta de informação das fontes; a segunda é a transmissão dessa informação para o receptor.

Eu ando pensando nisso porque eu gosto muito de jornalismo, mas nem tanto de reportagem. E eu gosto muito mais da segunda parte da reportagem do que da primeira. Isso pode ser uma questão de poder (na minha cabeça, o dono da informação está sempre em posição privilegiada), pode ser um sintoma de eu gostar mais de ser ouvida do que de ouvir (e quem não gosta?). Não vou analisar muito disso agora.

A questão é que coletar informações “é um trabalho que exige que se saiba fazê-lo”. E eu até entendo a teoria, mas a prática me dá muita dor de cabeça. E um dos motivos da dor de cabeça é que “as pessoas têm mais o que fazer do que me contar” o que eu preciso ouvir delas.

É um pouco irônico. Na reportagem, ouvir é a atividade invasiva. Já ser ouvido é passivo, depende do interesse do possível receptor.

(Mais ou menos relacionado: o Gustavo apontou que eu vivo criando blogs, mas não insisto para que as pessoas entrem, leiam, comentem. Ele disse que os sites são “uma prova da vontade de se comunicar”, mas que eu não me comunico “de fato”. O motivo de eu não ficar convidando? “A noção de que eu posso achar que eu sou um tema de simpósio, mas as outras pessoas não precisam se interessar”. Isso foi na madrugada da terça-feira.)

A tradicional explicação (confusa)

Monday, February 11th, 2008

Vestibulanda em 2000, bixete em 2001, ecana durante bons cinco anos, formanda em 2005, jornalista desde então.

Estou pensando de novo e de novo nessa trajetória desde a semana passada. Desde que eu vi que hoje, dia da minha matrícula no mestrado da ECA, era também dia de matrícula dos novos bixos da USP. (Aliás, pensei tanto nisso que acabei indo cavar qual foi o dia da minha matrícula na graduação: 12 de fevereiro de 2001.)

Eu lembro demais do dia da minha matrícula. Lembro muito bem qual era a sensação: “o pior já passou”. Tudo ia dar certo, como se fosse uma lei da natureza. Inevitável.

É claro que, depois disso, foi aquele tradicional sobe-e-desce de dias de certeza e dias de arrependimento. Até a formatura, que foi as duas coisas ao mesmo tempo. E, para falar a verdade, os últimos meses andavam meio cheios de arrependimento. Porque existe o “Ganhar bem fazendo o que gosta”, existe o “Não gostar muito do trabalho, mas ganhar bem o suficiente para suportar”… e existe o “Aimeudeus, por que é que eu estou fazendo isso comigo mesma? Por quê???”, velho conhecido de todas as pessoas que deram o azar de caírem no meu MSN.

Mas eu tive uma verdadeira epifania. Daquelas que acontecem naquela hora em que você está morrendo de sono e um pouco incapaz de fazer sentido. Naquela hora em que você não pode mais mandar SMSs hiperempolgados, porque nem os seus melhores amigos precisam aturar essas coisas.

O resumo é que jornalismo não é uma droga. O resumo é que eu adoro jornalismo, mesmo que a carreira não ajude muito. Mesmo que eu não tenha uma carreira. Mesmo que eu não tenha planos.

A epifania é que eu não fiz a maior besteira da minha vida (até porque preciso dar valor a besteiras muito piores do que essa). Nem em 2001 e nem agora, em 2008. Vestibulanda em 2000, bixete em 2001, ecana até agora. E jornalista, sim, mas na minha própria definição da coisa.