Archive for the ‘Mestrado’ Category

WP as CMS 4 JC? OMG!

Monday, October 6th, 2008

Passei a última semana adaptando uma instalação teste de Wordpress para abrigar o site do Jornal do Campus. (Sim, apesar de ter deixado este blog no Kubrick, eu tenho alguma noção do que fazer com WP!) Isso me deu uma dor de cabeça não-literal, mas (por algum motivo xis) eu quero falar sobre isso. (more…)

Compro? Não compro?

Monday, September 22nd, 2008

Dia de compulsão para comprar livros. Mas vamos concordar que seria bizarro ser aluna de pós contando todos os meus livros nos dedos das mãos.

Melhor.Dedicatória.Ever.

Monday, September 1st, 2008
For my son Alok,
My home in the world

(Appadurai, Arjun. Modernity at large.)

Joshua Bell, Shimizu e queijo

Thursday, August 21st, 2008

Estava ontem em uma aula discutindo como as pessoas não compram (em qualquer sentido imaginado) nada se não tiver hype. A história começou com aquele video do Washington Post com o violinista Joshua Bell tocando no metrô de Washington DC e, sem querer comparar Joshua Bell com um queijo barato… bom, terminou com a história do queijo do supermercado (segundo meu primo, um queijo que estava encalhando enquanto ele trabalhava no estoque de um supermercado fez sucesso depois que aumentaram o preço).

Enfim, o ponto é que convencer pessoas de que uma coisa é importante vai muito além da coisa ser importante. Joshua Bell não fez o menor sucesso porque não tinha um palco, ou um banner, ou uma pessoa tirando fotos. O queijo fez sucesso porque disseram que ele valia mais — e todo mundo acreditou.

E aí tem a campanha do Shimizu. Ele já tinha me dito que meu bairro é super iluminado (é o tipo de coisa que acontece quando você mora em cidades bacanas), e agora eu entendi o comentário.

Então, basicamente, eu não sou eficaz como um palquinho ou um banner que poderiam fazer dezenas de pessoas pararem para ouvir Joshua Bell de graça. Mas eu vou ser a pessoa que parou e ficou atrapalhando, no meio do caminho, porque sabia que Joshua Bell toca na Biblioteca do Congresso.

Espirais

Tuesday, August 5th, 2008

Faço neste semestre um estágio PAE. A minha disciplina é “Laboratório de Jornalismo Impresso II” aka “Jornal do Campus” aka “JC”.

Minha turma de JC foi a do segundo semestre de 2002. Entre milhares de optativas e um clima de empolgação da classe toda, eu tinha a impressão de morar na ECA – e nem pensava em reclamar. Uma “comissão” inventou a reforma gráfica. Alguém cria um site. Alguém monta um mini-manual de redação. Alguém organiza um debate com candidatos. Alguém idealiza uma seção que era só nossa. Alguém distribui a distribuição. Média de 12 e-mails por dia, todos os dias. Omelete no Sweden. Fechamento até qualquer hora da madrugada no Labri (quando o departamento não fechava às 22:50). Horas e horas na sala 18.

Eu tentei não entrar na auto-análise sobre tentar reviver a minha graduação (retorno à ECA; estágio naquela que é possivelmente a aula mais marcante ou importante do curso), mas tudo volta. Acabei relendo alguns dos e-mails de despedida com piadas internas que ainda fazem algum sentido.

Eu ia falar só sobre… sobre o que é ver uma reunião de um JC que não é seu. Seis anos depois. E é absolutamente surreal. Alguns momentos de pura identificação, um pouco de déjà vu, uma vontade de falar (de)mais. Muita vontade de falar que não se faz JC porque é uma aula obrigatória, mas porque é trabalhar com os seus melhores amigos. Porque é. Ou porque foi.

Talvez toda turma seja megalomaníaca. Talvez todo mundo queira criar alguma coisa só sua em um jornal de enésima mão e deixar alguma coisa quando essas oito edições acabarem. Talvez todas as turmas tenham as mesmas discussões sobre o que cortar e o como fazer.

É tudo muito igual, mas muito diferente.

Tudo o que aconteceu nos últimos dois meses

Monday, August 4th, 2008

_A reportagem que eu escrevi foi publicada. Ah, sim, as duas. Na verdade, isso aconteceu em maio, mas eu só fiquei sabendo em junho. Enfim, saiu, eu achei, me pagaram, tudo deu certo. Enfim, não tenho planos de fazer isso de novo por algum tempo.
_Participei de mais um concurso de emprego. Enfim, não passei. Enfim, já superei.
_As aulas do primeiro semestre chegaram ao fim em junho, com direito a seminário deprê. Os trabalhos ficaram para julho – e foram feitos somente em julho, obviamente. Construí um casulo de livros em um dos cubículos da biblioteca e entrei em altas crises existenciais, mas eventualmente rolou aquela sensação de que eu estou fazendo alguma coisa certa. Mais certa que o resto das coisas que eu vinha fazendo. Enfim, foi bom.
_As aulas da especialização de sábado chegaram ao fim – mas eu ainda estou devendo a monografia. Estou fazendo, juro. Vai ficar pronta.
_Ah, meu irmão qualificou o doutorado. E eu não paro de me divertir no PHPComics.
_Comprei uma mini cama elástica. Sim, estou pulando com alguma regularidade. Não, não fiz nada hoje. Não deu tempo, ok? E estava morrendo de sono também. Enfim, prometo fazer amanhã.
_Isto provavelmente deveria aparecer mais para cima nesta lista, mas a imigração japonesa no Brasil completou 100 anos. Não que isso faça muita diferença na minha vida. Mas isso foi motivo de festinha em Vinhedo, e a festinha ganhou de todas as comemorações do centenário.
_Meus pais foram viajar em algum momento de julho. Eu passei uma semana comendo quantidades absurdas de carboidratos.
_Viciei em Picross. Porque eu obviamente já não perdia tempo jogando Hanidoku.
_Ainda não consegui ver o filme do Arquivo-X. Mas compensei com horas de tênis na TV. Enfim, minha mãe odeia o esporte mais do que nunca.
_Dei um nome para o carro do meu pai. Mas só converso com a geladeira, que não tem nome.
_Sinto um pouco de saudades de livros que não tinham referências bibliográficas nas últimas páginas.
_Julho foi mês de Dr. Horrible. Cantei muito. Mas agora eu estou numa fase totalmente Middleman. Isso significa que eu estou avaliando a possibilidade de usar um middlebelt.

3 coisas que eu preciso fazer

Friday, May 30th, 2008

1) Começar a desconstrução de uma dissertação de mestrado para a aula de quinta-feira.
É melhor fazer agora porque:  a apresentação não será nesta quinta-feira, mas tem possível reunião do grupo na quarta ou na quinta.
Eu não quero fazer agora porque: não sei bem como começar. Ou fazer. Ou terminar.

2) Ler quatro textos para a aula de terça-feira.
É melhor fazer agora porque: eu tenho menos tempo até o deadline.
Eu não quero fazer agora porque: é possível ver uma aula sem ter lido um texto, mas não é possível terminar os outros cursos sem fazer os trabalhos.
3) Escrever o projeto de monografia para a aula do sábado.
É melhor fazer agora porque: se eu não deixar para depois, entrego junto com o fim das aulas e volto a ter finais de semana livres.
Eu não quero fazer agora porque: as outras coisas são mais urgentes.

Você só interpreta com o repertório que tem

Wednesday, May 7th, 2008

Onde: FE
Quando: hoje à tarde
O quê: aula de Leitura, História e História da Leitura (que é legal, de verdade)

O que o professor estava falando:

Assim temos essas duas funções da biblioteca: preservação (dos livros) e difusão (do conhecimento). Em certos períodos, a questão da conservação dos livros faz do bibliotecário aquela figura que gosta de livros e da organização e catalogação dos livros, mas não dos leitores.

O que eu estava pensando:

Madame Pince.

O que o professor estava falando:

E então temos esse imaginário do bibliotecário como o Cérbero

O que eu estava pensando:

Fofo!

O que o professor estava falando:

Nas bibliotecas desses monastérios existe essa relação de permitido e restrito. Os livros que se podia ler, e os que você precisava de uma autorização. São prateleiras com correntes, livros que ficavam presos às estantes…

O que eu estava pensando:

Ah, a seção restrita da biblioteca de Hogwarts.

Seria bom ler com vontade

Sunday, April 27th, 2008

Preciso ler alguns pedaços de uma tese, mas estou caindo em momentos de desconcentração total. Do tipo que não adianta nem começar a ler em voz alta – continuam sendo apenas palavras colocadas em uma seqüência que não me faz o menor sentido. Mesmo que eu saiba, lá no fundo, que o encadeamento é lógico e elas devem fazer algum sentido. Afinal de contas, eu sei que são apenas 20 páginas – mas elas continuam levando uma eternidade.

Isso é uma coisa que vem acontecendo bastante desde que eu comecei a assistir as aulas do mestrado, há quase dois meses. Eu expliquei outro dia para alguém: eu tinha uma fé retardada de que o procedimento de matrícula na pós-graduação incluísse plugar um USB na minha nuca. Só que em vez de abrir os olhos e dizer “I know kung-fu”, eu diria uma coisa do tipo “Eu sei quem é Jesús Martín-Barbero”. Ou “Eu não surto com conceitos quando ouço a frase ‘O paradigma incorpora no epistemológico e no ontológico’”.

Nem preciso dizer que isso não aconteceu e que, de lá pra cá, só estou usando a Força. Ou tentando.

O caminho lógico a seguir, já que não existe uma porta USB na minha nuca, é… ler. O problema é que, quando eu leio Jesús Martín-Barbero, eu continuo fazendo cara de interrogação. E o pior é que nem dá para ler muita coisa, porque eu demoro horas para ler vinte páginas (ok, metade disso é o tempo que eu levo me convencendo a ler).

Eu poderia pensar que eu sou um pouco retardada, mas não gosto dessa alternativa. Eu sempre li bastante. Algumas coisas boas, muitas coisas ruins, mas sempre li. Então, neste momento, eu vou deslocar a culpa para a minúscula habilidade de um texto acadêmico despertar algum prazer ou interesse durante a leitura. Será que é impossível que um texto científico seja tão interessante quanto uma narrativa?

Narrativas funcionam

Em algum ponto do livro do Richard Saul Wurman (que tem historinhas e é perfeitamente interessante) tinha uma teoria falando que a bíblia é uma coleção de historinhas que poderiam muito bem ser trocadas por uma tábua de pedra com dez mandamentos – mas as historinhas são mais eficazes. Nós recordamos e recontamos histórias, nós esquecemos listas. Mitos são formas de passar valores para a frente – e mitos são narrativas.

Narrativas funcionam mesmo com palavras que não pertencem ao cotidiano do leitor

Eu li sete livros “Harry Potter”. E alguns deles eram enormes. E eles nem são ultra-originais – e, para falar a verdade, eu achei o quinto um porre. E nem vou comentar o final! Mas isso não vem ao ponto.

A questão é que aquela mulher inventa palavras. Para piorar, eu li os primeiros livros em português e os últimos em inglês – e a tradutora brasileira inventou palavras novas para as palavras inventadas. Quadribol/quidditch, horcrux, trouxas/muggles. E tem ainda os encantamentos (alohomora, expelliarmus, obliviate, prior incantatem, wingardium leviosa). Nada disso serve para interromper a leitura porque eles foram apresentados antes. E a apresentação era clara: um exemplo da coisa funcionando.

Uma nota de rodapé bem escrita é lida mesmo quando é desnecessária e falsa

Existe um livro enorme chamado “Jonathan Strange & Mr Norrell”. Foi o primeiro romance da Susanna Clarke, era enorme e ganhou um prêmio Hugo. E, desde o começo do ano passado, é o meu livro preferido.

A história basicamente fala de dois mágicos ingleses na época de Napoleão. Então existem algumas referências ao período, mas ele é praticamente todo inventado. O livro funciona como uma espécie de biografia dos mágicos fictícios, e as notas de rodapé trazem referências a fontes fictícias.

E eu li todas as notas de rodapé desse livro.

(E confesso que vejo notas de rodapé dos textos mais chatos como “uma redução da quantidade de texto a ser lido em uma página”.)

Ok, textos científicos não são historinhas

E eu sei que uma estrutura adequada facilita muito na hora de saber se o livro tem aquilo que eu estou procurando – e em que capítulo eu vou encontrar a tal informação. Mas não seria bacana se eu encontrasse o capítulo e conseguisse ler aquelas páginas sem querer me matar no meio?

Mas talvez não seja má idéia entender o funcionamento de uma narrativa e tentar tomar emprestado algum elemento. Talvez um caso que exemplifique o assunto – uma coisa que possa ser lembrada na hora em que eu estou afundando em explicações e teorias. Talvez um pouco menos de frescura.

Vou expor a minha capacidade mental limitada e tentar um exemplo: quando eu estou com muito sono em uma aula, preciso escolher no que vou concentrar as minhas energias: ou eu continuo com os olhos abertos, ou eu seguro o pescoço reto, ou eu fecho os olhos, apóio a cabeça na carteira e ouço.

E quando eu estou lendo um texto que está me dando uma dor de cabeça psicológica, ou eu entendo a teoria ou eu tento descobrir qual é o sujeito daquele verbo, depois de tantas vírgulas e travessões e parênteses e notas.

A jornada do pesquisador

Estava fazendo um mini-trabalho sobre heróis (aliás, “O Rei Leão” e Christopher Vogler ajudam a entender Joseph Campbell), então estou obviamente influenciada. Mas também estava tentando ler a tal tese (que deu início a esta reclamação) e aquele livro enorme está me dando dor de cabeça, mas até que tenta ser auto-explicativo. No começo, existe todo um capítulo explicando o assunto e quais teorias orientaram a pesquisa, e como a autora fez o trabalho.

Então estou pensando que talvez a pesquisa acadêmica tenha uma narrativa – a jornada do pesquisador. Não estou defendendo que uma tese vire a autobiografia de ninguém, ou que eu acabe com N páginas de dramas sobre as dificuldades dessa pesquisa ingrata.

Mas acho que toda tese/dissertação deveria ter uma orelha sobre o autor. Acho que seria bom entender quem é que escreveu aquilo tudo, e tentar imaginar qual foi a motivação.

A pior aluna de mestrado da ECA

Friday, March 14th, 2008

Outro dia, outra aula, outro pé esquerdo (sim, já tenho três deles).

Nem vou entrar em mais detalhes sobre perder o primeiro fretado da volta  (e quase perder o segundo) ou pegar uma fila desnecessária no xerox da Faculdade de Educação.

Vou só falar que, em algum momento, a professora está explicando o programa e o conteúdo do curso, e tem um autor que é absolutamente impossível que você não conheça, leia e ame. Jesús Martín-Barbero. Conhece? Porque eu nunca tinha ouvido falar. Mas Jesus é Deus, aparentemente.