Vestibulanda em 2000, bixete em 2001, ecana durante bons cinco anos, formanda em 2005, jornalista desde então.
Estou pensando de novo e de novo nessa trajetória desde a semana passada. Desde que eu vi que hoje, dia da minha matrícula no mestrado da ECA, era também dia de matrícula dos novos bixos da USP. (Aliás, pensei tanto nisso que acabei indo cavar qual foi o dia da minha matrícula na graduação: 12 de fevereiro de 2001.)
Eu lembro demais do dia da minha matrícula. Lembro muito bem qual era a sensação: “o pior já passou”. Tudo ia dar certo, como se fosse uma lei da natureza. Inevitável.
É claro que, depois disso, foi aquele tradicional sobe-e-desce de dias de certeza e dias de arrependimento. Até a formatura, que foi as duas coisas ao mesmo tempo. E, para falar a verdade, os últimos meses andavam meio cheios de arrependimento. Porque existe o “Ganhar bem fazendo o que gosta”, existe o “Não gostar muito do trabalho, mas ganhar bem o suficiente para suportar”… e existe o “Aimeudeus, por que é que eu estou fazendo isso comigo mesma? Por quê???”, velho conhecido de todas as pessoas que deram o azar de caírem no meu MSN.
Mas eu tive uma verdadeira epifania. Daquelas que acontecem naquela hora em que você está morrendo de sono e um pouco incapaz de fazer sentido. Naquela hora em que você não pode mais mandar SMSs hiperempolgados, porque nem os seus melhores amigos precisam aturar essas coisas.
O resumo é que jornalismo não é uma droga. O resumo é que eu adoro jornalismo, mesmo que a carreira não ajude muito. Mesmo que eu não tenha uma carreira. Mesmo que eu não tenha planos.
A epifania é que eu não fiz a maior besteira da minha vida (até porque preciso dar valor a besteiras muito piores do que essa). Nem em 2001 e nem agora, em 2008. Vestibulanda em 2000, bixete em 2001, ecana até agora. E jornalista, sim, mas na minha própria definição da coisa.