Archive for the ‘Mestrado’ Category

A pior aluna de mestrado da ECA

Friday, March 14th, 2008

Outro dia, outra aula, outro pé esquerdo (sim, já tenho três deles).

Nem vou entrar em mais detalhes sobre perder o primeiro fretado da volta  (e quase perder o segundo) ou pegar uma fila desnecessária no xerox da Faculdade de Educação.

Vou só falar que, em algum momento, a professora está explicando o programa e o conteúdo do curso, e tem um autor que é absolutamente impossível que você não conheça, leia e ame. Jesús Martín-Barbero. Conhece? Porque eu nunca tinha ouvido falar. Mas Jesus é Deus, aparentemente.

Com dois pés esquerdos

Wednesday, March 12th, 2008

Primeira aula como aluna regular de mestrado. O professor é muito empolgado e aparentemente simpático. E ele está falando coisas que parecem bastante interessantes, e muitas histórias, e alguns nomes. Mas tudo está se misturando, e eu me esforço muito para não bocejar demais, para não fechar os olhos. Mudo de posição na cadeira, várias vezes. Apóio a cabeça no ombro. Depois, na carteira. Ou no encosto da cadeira.

A garota ao meu lado anota absolutamente tudo (meu caderno está em branco), com uma letra incrivelmente legível. Se ela erra alguma coisa, não faz um traço por cima. Ela passa corretivo. Existem três tipos de leitores. Um deles é o grupo de leitores inocentes. Será que ela anotou os outros dois?

Pois é, isso é o que acontece quando você vai dormir às 4 da manhã porque quis ser uma filha incrível (deixando minha mãe gripada descansando enquanto eu fazia companhia para o meu pai no caminho do aeroporto) e uma irmã solidária (aguardando enquanto o soro com plasil pingava e pingava e pingava no Pronto Socorro, nossa primeira parada depois do aeroporto).

E é o que acontece quando você acorda às 7:30 porque o Speedy ficou de mandar um técnico aqui pela manhã. É claro que eles não mandaram, e ainda tiveram a coragem de ligar à tarde dizendo que estava tudo consertado (embora a conexão continue instável, e a velocidade ainda não tenha sido alterada). E agora eles ficaram de retornar a minha ligação, daqui a “20 minutos ou duas horas”.

Somem mais duas ocorrências desagradáveis (que eu não vou comentar porque até eu entendo um pouco de discrição), e este foi o meu dia.

Décimos

Tuesday, February 26th, 2008

Então meu pai fala alguma coisa sobre a época em que ele dava aulas, e quando mudou de conceitos (A-E) para notas (10-0). E eu falo “Ah, eu gostava mais de notas. 10 é mais do que 8,5″.

Então meu pai fala sobre o sistema usado no Senai, no qual é possível tirar 10 sem acertar todos os itens de uma prova. E eu fico horrorizada, porque acertar 75% pode ser suficiente, mas não é 100%. Não é.

Então meu pai desencana de discutir isso porque ele acha uma coisa, eu acho outra e pronto. E eu não desencano muito, porque fiquei parecendo a aluna neurótica.

E, tá, eu até sou. Não gosto de matar aulas, não gosto de chegar atrasada, não gosto de perder prazos.

Mas é tão ruim gostar de quando eu tiro (ok, tirava) 10? Se o objetivo é ser suficiente, é só tirar 5. Mas acertar todos tem que ser mais do que acertar o suficiente.

E, poxa, eu nem sou tão aluna neurótica assim. Nunca passei muito tempo estudando, fazia dever de física ouvindo música e não fico lá muito concentrada enquanto outras pessoas estão falando.

Fora que não, eu não ficava comparando minhas notas por aí. Aliás, pessoas avulsas comparavam a nota comigo (e, bem feito, perdiam!).

Eu passei no mestrado por meio ponto. 7 era suficiente, mas 7,5 é mais que 7.

A tradicional explicação (confusa)

Monday, February 11th, 2008

Vestibulanda em 2000, bixete em 2001, ecana durante bons cinco anos, formanda em 2005, jornalista desde então.

Estou pensando de novo e de novo nessa trajetória desde a semana passada. Desde que eu vi que hoje, dia da minha matrícula no mestrado da ECA, era também dia de matrícula dos novos bixos da USP. (Aliás, pensei tanto nisso que acabei indo cavar qual foi o dia da minha matrícula na graduação: 12 de fevereiro de 2001.)

Eu lembro demais do dia da minha matrícula. Lembro muito bem qual era a sensação: “o pior já passou”. Tudo ia dar certo, como se fosse uma lei da natureza. Inevitável.

É claro que, depois disso, foi aquele tradicional sobe-e-desce de dias de certeza e dias de arrependimento. Até a formatura, que foi as duas coisas ao mesmo tempo. E, para falar a verdade, os últimos meses andavam meio cheios de arrependimento. Porque existe o “Ganhar bem fazendo o que gosta”, existe o “Não gostar muito do trabalho, mas ganhar bem o suficiente para suportar”… e existe o “Aimeudeus, por que é que eu estou fazendo isso comigo mesma? Por quê???”, velho conhecido de todas as pessoas que deram o azar de caírem no meu MSN.

Mas eu tive uma verdadeira epifania. Daquelas que acontecem naquela hora em que você está morrendo de sono e um pouco incapaz de fazer sentido. Naquela hora em que você não pode mais mandar SMSs hiperempolgados, porque nem os seus melhores amigos precisam aturar essas coisas.

O resumo é que jornalismo não é uma droga. O resumo é que eu adoro jornalismo, mesmo que a carreira não ajude muito. Mesmo que eu não tenha uma carreira. Mesmo que eu não tenha planos.

A epifania é que eu não fiz a maior besteira da minha vida (até porque preciso dar valor a besteiras muito piores do que essa). Nem em 2001 e nem agora, em 2008. Vestibulanda em 2000, bixete em 2001, ecana até agora. E jornalista, sim, mas na minha própria definição da coisa.