Archive for the ‘Qualquer coisa’ Category

Lost in translation: japonês

Monday, September 22nd, 2008

Meu avô estava na minha casa, pensando que quer muito ir embora. Quando alguém finalmente percebe e oferece a carona, ele sai apressadamente da minha casa (o mais rápido que os pés de 90 anos e com joanete permitem) e espera ansiosamente ao lado do carro. Minha irmã, percebendo isso, imagina (provavelmente com razão) que meu avô quer mesmo é ir ao banheiro, e que ele prefere usar o dele (banheiro de casa é melhor do que todos os outros). Então ela sai correndo atrás dele perguntar se ele quer usar o banheiro.

O problema? O problema é que meu avô é japonês. Ele adora caipirinha, torce para o Brasil em qualquer esporte e passou mais de sete décadas por aqui, mas ele é oditchan e fala um híbrido estranho de português com japonês. Minha avó (obatchan) começava a anotar receitas em português (”bolo de cenoula”) e depois desencanava e completava em japonês mesmo. Enfim.

Voltando à minha irmã e ao meu avô… bom, ela resolveu perguntar pra ele se ele queria usar o banheiro. Aí ela repetia (bem alto, porque ele é meio surdo) “Obento? Obento?”. O problema? O problema é que “obento” é a marmita. O banheiro é o “benjo”. A torcida é que meu avô seja realmente surdo — e não tenha entendido nada.

(Sinceramente, não sei soletrar nenhuma dessas palavras.)

Mão-de-obra especializada?

Thursday, September 11th, 2008

Você faria “terapia familiar e de casal” com a pessoa que leiloou a virgindade em um bordel de Nevada?

Menos “Chuck”, mais “House”

Saturday, September 6th, 2008

Fui buscar meu computador no técnico. Basicamente, ele estava superaquecendo — e aí as ventoinhas ligavam e tentavam levantar vôo. Um barulho infernal. Tá, odeio barulhos de coisas eletrônicas e preciso desplugar o nobreak da parede antes de dormir. Mas, enfim, eram duas turbinas.

Bom, trocaram o cooler e a fonte. Aí pego o computador na loja, chego em casa, ligo os cabos… e barulho infernal! Ok, menos do que quando as turbinas ligavam, mas bem mais do que quando a fonte era nova. Fora isso, o Windows pede a instalação de alguma coisa de vídeo — que ele não pedia antes.

Ligo na loja, pedem para levar o computador de volta para ver o problema. Aí os técnicos me chamam para ver o computador aberto, lá na área de consertos. Ok.

Aqui é o negócio: idealmente, uma assistência técnica deveria funcionar tipo o Nerd Herd. Chuck Bartowski compreende o seu drama, conserta seu computador e salva a sua vida.

Mas, para começar… os técnicos não acham que a fonte nova faz barulho. Eles me chamam para ouvir e falam “não, mas é normal”. Tá, pode ser normal naquela loja no centro da cidade com ar condicionado e servidores funcionando ao fundo. Mas eu 1) moro em um bairro residencial; 2) uso o computador no meu quarto, mais para o fundo do terreno e 3) percebo (e odeio) barulhos de aparelhos eletrônicos.

Diagnóstico 1: qualquer fonte normal vai fazer esse tipo de barulho. Aí eles fazem o teste com uma super fonte de servidores. Muito mais silenciosa. Mas, tá, não faz o menor sentido gastar em uma fonte de servidores para um desktop doméstico. Então… bom, tudo bem, eu aumento o volume da música.

Aí vamos para o segundo problema: alguma coisa com a placa de vídeo. Que… está fora do meu computador, neste momento. Nessas horas, eu me sinto levando meu computador para o Princeton-Plainsboro Teaching Hospital. Ele entra com uma gripe, e de repente está com falência renal.

Diagnóstico 2? Bom ainda, não existe. Porque… bom, porque a placa tem uma saída DVI. Eu imaginei que algum outro LCD da loja tivesse o mesmo tipo de cabo, mas não é o caso. Então o computador passa o resto do final de semana na loja, e na segunda eu levo meu LCD 19″ com entrada DVI.

Mas tudo bem, tudo bem. I’m not attached to this computer.

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Segunda-feira. Enfim, levo o monitor (descobri que as ventosas do meu monitor LCD são realmente poderosas) para a loja, rodam os testes, me dizem que o modem da CPU não funciona (foda-se), mas que a placa de vídeo vai funcionar sem problemas.
Felizmente, tudo está ligado agora aqui em casa (por algum motivo, voltaram a data para 2006; também aproveitei para reativar meu profile normal de Firefox e ainda tive que arrumar o maldito MTU pela enésima vez).
Mas essa fonte é realmente barulhenta. Duvido que não exista uma fonte doméstica mais silenciosa do que essa coisa que instalaram no meu computador. Acho que vou migrar em definitivo para o notebook…
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Música x Personalidade

Friday, September 5th, 2008

Pesquisa da Universidade de Heriot-Watt, via BBC:

 CHART POP: High self-esteem, not creative, hardworking, outgoing, gentle, not at ease

Não que eu queria questionar muito a parte sobre não ter criatividade (embora eu tenha muita, pelo menos na hora de justificar a música pop — ver O que está acontecendo com as boybands?), mas falar que eu sou “hardworking” já é demais!

H2OH alternativex?

Thursday, September 4th, 2008

P4 Lemon

Passa Quatro Sabor Limão. Comprei na lanchonete do teatro, na ECA. É um pouco mais enjoativa, principalmente no final dos 500 mL (o que significa que, apesar de reclamar, eu tomei tudo). Mas é melhor que Aquarius Orange (que eu também tomei inteira — o que significa que eu não tenho nenhum critério).

O que está acontecendo com as boybands?

Thursday, September 4th, 2008
Eu: Sabe que tá um momento estranho para boybands, né?
GusFalso: Como assim?
Eu: Assim o modelo ainda não entrou em falência.
Eu: Mas, atualmente, está mais baseado em revivals do que em novidades.
GusFalso: Nx Zero tá aí pra te provaro o contrário.
GusFalso: Tokio Hotel vai bem.
Eu: Mas não qualifica no modelo clássico.
GusFalso: Hahaha, mas o modelo clássico só faz sucesso para as pessoas que acham ele “clássico”.
GusFalso: Pra molecada, o modelo clássico é uma coisa ridícula.
(*conversa resumida)

Estou em uma semana NKOTB. Ouvindo “The Block” e cantando versos ótimos tipo “Back in the day when you were young (it was fun)”. Acho que eu sou neste momento o que a Naila foi em 2006, quando o Take That lançou “Beautiful World”.Mas, deixando toda a felicidade de lado… o que está acontecendo com as boybands? Primeiro, vamos tentar identificar o que é a boyband clássica:

  1. Boyband clássica não é aquela que a gente fala “they’re boys in a band”.
  2. Em português, boybands clássicas são chamadas de “grupos”, e não de “bandas”.
  3. Boybands clássicas podem até escrever algumas músicas (Gary Barlow, do TT, é um compositor relativamente respeitável), mas o sucesso dos singles está relacionado a produtores suecos.
  4. Boybands clássicas não fazem questão de tocar nada. De vez em quando, alguém pode até sentar ao piano para uma baladinha — mas nada de pagar de rock’n'roll stars.
  5. Como não estão segurando guitarras, os integrantes das boybands clássicas precisam de algum tipo de coreografia. A dança pode ser mais incrível (*NSYNC), um pouco patética (Boyzone, no clipe novo) ou se resumir a inclinar o microfone ao mesmo tempo, mas está lá.
  6. A aparência é muito importante em boybands clássicas. Você até pode falar que eles nem são lá grande coisa, mas não vai encontrar o gêmeo do Thom Yorke em uma delas.
  7. Músicas de boybands clássicas podem ser classificadas, basicamente, como “pop” (freqüentemente com alguma influência de R&B ou alguma tentativa de rap). As faixas intercalam baladas lentinhas e algumas músicas mais animadinhas.
  8. Integrantes de boybands clássicas (mesmo os que posam de bad boys) podem enfiar o pé na jaca de vez em quando, mas cada mancada mais grave é seguida de um pedido público de desculpas às fãs.

A boyband clássica é o modelo típico que surgiu nos anos 70 mas se popularizou e funcionou de verdade entre os anos 80 e os anos 90. Embora a busca pelas origens geralmente cheguem até Beatles e Jacksons, a inauguração do modelo (pelo menos de forma bem-sucedida) foi feita por New Edition (nos Estados Unidos) e Menudo (para a América Latina).

Os New Kids on the Block foram um dos principais nomes do período entre o fim dos anos 80 e o começo dos 90, levando a boyband até o público norte-americano branco. Até que tudo acabou em 1994, com o declínio da popularidade, os ataques de pânico de Jonathan Knight e provavelmente uma falta de vontade geral de passar mais tempo juntos.

Parecia que tinha acabado? Bom, não demorou muito e apareceram os Backstreet Boys. Aí demorou um pouco para emplacar nos EUA (será que ser “famoso na Alemanha” ajuda em alguma coisa), mas deu certo. Deu certo e deu origem a uma verdadeira fábrica com algumas crias bem-sucedidas (*NSYNC), algumas moderadas (O-Town, LFO) e tantas outras bem mais deprimentes (C-Note, LMNT…).

Já na Inglaterra, a primeira metade dos 90s foi do Take That, chegando ao fim em 1996 (quando Robbie Williams cansou de ser o fat dancer com alguma noção de bom comportamento). Isso não significou o declínio real do formato, já que o Boyzone, que surgiu um pouco depois do TT, seguiu em atividade até o final da década. A essa altura, o 5ive e o Westlife garantiam a sobrevivência das boybands, entre Blue, Another Level e outras tentativas.

(Vale lembrar que o Brasil tentou replicar o Menudo com coisas como Dominó e Polegar, e depois tentou pegar carona em BSB com Br’oz, Twister e… coisas ainda mais constrangedoras, como o GEM.)

Mas o pós-2000 foi menos generoso com as boybands. A carreira solo de Justin Timberlake matou o *NSYNC; o 5ive nem gerou carreiras solos de verdade, mas também acabou; o Westlife começou a fazer covers manjados para mulheres de meia idade; os Backstreet Boys perderam o Kevin Richardson…

O que surgiu nessa época? Com bem lembrou o Gustavo, as novas bandas preferidas adolescentes são NxZero, Tokio Hotel… ou Good Charlotte, sei lá. Se quiser, dá para tentar enquadrar Fall Out Boy e até Panic at the Disco nessa história. A versão britânica da coisa estava mais para Busted (que já acabou) e McFly (que agora é indie!). E eu gostaria de incluir Jonas Brothers nessa lista, mesmo que eles sejam muito mais Hanson do que qualquer outra coisa (e Hanson não cumpre os critérios de boybands clássicas).

Uma coisa dessa nova lista é que essas pessoas seguram instrumentos e escrevem músicas (não vou questionar a qualidade de ninguém neste momento). Será que isso é uma busca por credibilidade? Será o fim de grupos que cantam música pop e não tocam nada? Sinceramente, acho que não. A indústria de grupos vocais continua indo muito bem, mas agora se concentra em girlbands. Deixando o revival de Spice Girls de lado, temos Girls Aloud e Sugababes de um lado, Pussycat Dolls de outro.

A minha pergunta, então, não é “o que é que os adolescentes estão comprando?”. Também não é “o pop chiclete chegou ao fim?”. A minha pergunta é: “ainda existe lugar para as boybands clássicas?”.

Olhando bem, dá pra ver que ainda existem algumas tentativas (como o Billiam). Mas as coisas novas não estão mais dando certo (novamente: Billiam). O que está dando certo são os revivals. Take That foi tão bem na turnê de reunião que lançou álbum novo em 2006 e continua trabalhando — com eventuais elogios. Boyzone está de volta, com dancinhas bem desencontradas e uma música que parece mais um single solo do Ronan Keating. 5ive tentou voltar (desistiu). Westlife ainda faz regravações ultra-românticas/cafonas. Backstreet Boys, agora sem Kevin, preparam mais um álbum (e o último até que foi bom). Um reality-show norte-americano selecionou novos menudos. E New Kids on the Block estão de volta, com álbum e turnê. De repente, surge o termo manband. Manband!

Manbands indicam que o público das boybands em 2008 é o público de boybands em 1998 e 1988. Temos 25 anos, ou 35 anos.

O formato de boyband clássica tem uns 30 anos de história. Mas os últimos 5 anos acenderam luzes vermelhas do tipo “preocupações demográficas em países europeus”. A continuidade do formato de boyband clássica depende de um grupo novo surgir entre as fãs de 15 anos. Será que  o Avenue dá conta?

É por isso que o Google faz browsers, não HQs

Tuesday, September 2nd, 2008

Enquanto meio mundo espera pelo tal do browser do Google, o Google tenta distrair os mais ansiosos com uma HQ explicando a proposta do Chrome. Acho que eles ganharam mais umas duas horas, enquanto as pessoas tentam chegar até a página 38 desse quadrinho chato e interminável (não, eu não fui até o final).

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Google GeniusGoogle Chrome disponível (e instalando). Sou só eu ou esse logotipo lembra muito o jogo Genius?
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Mais sobre a HQ. O Q&A é melhor do que o produto, mas enfim. Bom saber que não era uma webcomic. Ainda não me empolgou.
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Domingo, 3AM

Sunday, August 24th, 2008

Eu deveria ter ido dormir há três horas. Como é que eu vou acordar para ver a corrida?

Joshua Bell, Shimizu e queijo

Thursday, August 21st, 2008

Estava ontem em uma aula discutindo como as pessoas não compram (em qualquer sentido imaginado) nada se não tiver hype. A história começou com aquele video do Washington Post com o violinista Joshua Bell tocando no metrô de Washington DC e, sem querer comparar Joshua Bell com um queijo barato… bom, terminou com a história do queijo do supermercado (segundo meu primo, um queijo que estava encalhando enquanto ele trabalhava no estoque de um supermercado fez sucesso depois que aumentaram o preço).

Enfim, o ponto é que convencer pessoas de que uma coisa é importante vai muito além da coisa ser importante. Joshua Bell não fez o menor sucesso porque não tinha um palco, ou um banner, ou uma pessoa tirando fotos. O queijo fez sucesso porque disseram que ele valia mais — e todo mundo acreditou.

E aí tem a campanha do Shimizu. Ele já tinha me dito que meu bairro é super iluminado (é o tipo de coisa que acontece quando você mora em cidades bacanas), e agora eu entendi o comentário.

Então, basicamente, eu não sou eficaz como um palquinho ou um banner que poderiam fazer dezenas de pessoas pararem para ouvir Joshua Bell de graça. Mas eu vou ser a pessoa que parou e ficou atrapalhando, no meio do caminho, porque sabia que Joshua Bell toca na Biblioteca do Congresso.

Mais um?

Tuesday, August 19th, 2008

Taylor Hanson está grávido de novo. Sim, será o quarto herdeiro. Sem contar os dois filhos do Isaac e o filho único (por enquanto) do Zac. A próxima geração do Hanson não será uma banda, será uma orquestra de câmara.