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	<title>Letras Miúdas &#187; Jornalismo</title>
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	<description>Letras pequenas, surtos intermináveis</description>
	<lastBuildDate>Mon, 12 Jul 2010 01:33:35 +0000</lastBuildDate>
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		<title>10 coisas da Copa do Mundo que vão deixar saudades (e outras 10 que eu passo bem sem)</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jul 2010 01:30:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lhys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Qualquer coisa]]></category>
		<category><![CDATA[esportes]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Sem links (ok, tem um), sem imagens (nenhuma), sem ordem (não sei ordenar nada), sem revisão. Estou com pressa, ok? Culpa do #mestrado. 10 coisas legais da Copa do Mundo: 1. Futebol Tudo bem que sempre tem um jogo horrível no meio do caminho (oi, Brasil x Portugal) e as seleções nunca sejam tão entrosadas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Sem links (ok, tem um), sem imagens (nenhuma), sem ordem (não sei ordenar nada), sem revisão. Estou com pressa, ok? Culpa do #mestrado.</em></p>
<p><strong>10 coisas legais da Copa do Mundo:</strong></p>
<p>1. Futebol</p>
<p>Tudo bem que sempre tem um jogo horrível no meio do caminho (oi, Brasil x Portugal) e as seleções nunca sejam tão entrosadas quanto certos times nas fases finais da Champions League, mas é sempre bacana ter um jogo da Argentina hoje, um da Alemanha amanhã e um Alemanha x Argentina completando.</p>
<p>2. Alemanha</p>
<p>Time arrumado, com pessoas jogando bem e jogando bem juntas. Jogadores jovens, e ainda misturando origens e etnias. A seleção que mais deu gosto de ver na Copa.</p>
<p>3. Maradona</p>
<p>Pois é, Maradona. Maradona com cara de saudável, consolando o Messi após a eliminação. Maradona que não saiu zoando o Brasil depois da eliminação. Maradona que não saiu pelado. Não é técnico, mas é Maradona.</p>
<p>4. Copa no Twitter</p>
<p>Não foram só as tags bonitinhas – a parte boa mesmo foram as pessoas com noção reagindo aos jogos.</p>
<p>5. felipemelofacts</p>
<p>Melhor que kakabadboy.</p>
<p>6. Dar muita importância para um torneio de futebol</p>
<p>Eu entendo você que acha tudo isso um absurdo. Eu respeito você que acha que a Copa do Mundo distrai do ano eleitoral. Mas acordar e pensar &#8220;quais são os jogos de hoje?&#8221; é simplesmente fantástico.</p>
<p>7. Fick Fufa</p>
<p>A África do Sul mostrou que <a title="Mail&amp;Guardian: Fick Fufa!" href="http://www.mg.co.za/article/2010-06-18-fick-fufa" target="_blank">tem coisa muito melhor</a> do que produto falsificado. Assumam sua não-oficialidade!</p>
<p>8. A bagunça ter sido em outro país</p>
<p>Não quero esfriar sua animação com 2014, mas o trânsito que rolou só para chegar em casa nos dias de jogo do Brasil me deixam pessimista sobre a vida em 2014.</p>
<p>9. Semi-feriados</p>
<p>Sim, eu gosto de sair do trabalho mais cedo e ir para casa assistir futebol.</p>
<p>10. Forlán</p>
<p>Uruguaio merecendo e levando a Bola de Ouro.</p>
<p><strong>10 coisas que podem acabar:</strong></p>
<p>1. Vuvuzela</p>
<p>Nem a Robyn gostou. Prefiro torcedores argentinos cantando.</p>
<p>2. Calabocagalvao</p>
<p>Foi divertido no primeiro dia, aquela coisa de &#8220;maior piada interna da história&#8221;. Mas as pessoas precisam entender que memes devem morrer.</p>
<p>3. Brasil x imprensa</p>
<p>Não me importa qual foi o acordo e qual foi o motivo – esse negócio de técnico de seleção batendo boca em coletiva é de baixo nível. Esse negócio de Kaká reclamando de perseguição religiosa me fez ficar feliz com o silêncio do Brasil. Todos os comentários passivo-agressivos integrados às transmissões da Globo foram desconfortáveis. E todas as pessoas fingindo dia sem Globo são puro #fail.</p>
<p>4. Jornalismo esportivo do Brasil</p>
<p>Entre o HAHAHAHA e as piadinhas com Paraguai, ficou a lição: existe o tumblr e existe o jornalismo profissional. Entendeu?</p>
<p>5. Culpa da Jabulani!</p>
<p>Pouco me importa se a bola era ruim &#8212; que tivessem reclamado antes da Copa. Agora podemos parar de colocar a culpa nela e culpar as seleções que não se posicionaram antes e não treinaramm com ela?</p>
<p>6. Vinhetas do Cid Moreira</p>
<p>São piores que a Jabulani. Um pouco de vergonha alheia, um pouco de &#8220;estão expondo esse senhor ancião ao ridículo&#8221;.</p>
<p>7. Votação da Fifa</p>
<p>A Fifa realmente sabe usar a tecnologia a seu favor!</p>
<p>Eu podia votar mesmo sem assistir o jogo. Você também. O resto do universo com acesso a internet também. Os eleitos eram &#8220;o cara que marcou o primeiro gol&#8221; e &#8220;o nome que eu reconheço nessa lista&#8221;. Vamos começar a votar em tempo real se a bola entrou?</p>
<p>8. Musos e musas da Copa</p>
<p>Sim, o Beckham com roupa de comissão técnica era lindo. Mas olha a minha cara de interessada nas dezenas de galerias de torcedoras, torcedores, wags e craques-galãs.</p>
<p>9. Pessoas que não entendem nada e querem dar pitaco</p>
<p>Israel, China e Canadá não estão na Copa. O jogador Robinho tem que ser avaliado pela incapacidade de assumir uma responsabilidade em campo, e não pelas doações que faz para a comunidade dele. Os jogadores dos EUA não são responsáveis pelo capitalismo. Agora podemos falar de futebol?</p>
<p>10. Suspensão de todos os torneios até o fim da Copa</p>
<p>Tudo bem, não dá para começar o Campeonato Alemão e não dá tempo de ver mais coisas na primeira fase. Mas a segundona bem que podia ter voltado depois das oitavas da Copa, quando os jogos ficaram mais espaçados&#8230;</p>
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		<title>A morte do Michael Jackson me enche de perguntas que a autópsia não vai responder</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Jun 2009 22:04:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lhys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[caso perdido]]></category>
		<category><![CDATA[meus 2 cents]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[OMFG]]></category>

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		<description><![CDATA[Falar que a morte de Michael Jackson foi um fato midiático é um puta clichezaço. Mas foi. E foi grande. Uma mensagem por segundo no Twitter. Congestionou o Google News (que botou captcha). E mandando no iTunes. Foi grande. Mas vamos pensar em como você ficou sabendo que o Michael Jackson morreu. Como eu não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Falar que a morte de Michael Jackson foi um fato midiático é um puta clichezaço. Mas foi. E foi grande.</p>
<p><a title="Bombounaweb: Tributo via Twitter: 1 mensagem por segundo" href="http://colunas.epoca.globo.com/bombounaweb/2009/06/26/tributo-via-twitter-1-mensagem-por-segundo/" target="_blank">Uma mensagem por segundo no Twitter</a>. <a title="Daily Mail: How Michael Jackson's death shut down Twitter, brought chaos to Google... and 'killed off' Jeff Goldblum " href="http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-1195651/How-Michael-Jacksons-death-shut-Twitter-overwhelmed-Google--killed-Jeff-Goldblum.html" target="_blank">Congestionou o Google News (que botou captcha)</a>. <a title="Billboard.biz: Jackson Dominates iTunes, Amazon, Twitter " href="http://www.billboard.biz/bbbiz/content_display/industry/e3i5eb34953fa8750474bc75a4421ac8900" target="_blank">E mandando no iTunes</a>.</p>
<p>Foi grande.</p>
<p>Mas vamos pensar em como você ficou sabendo que o Michael Jackson morreu. Como eu não vivo na consciência de mais ninguém, vou falar sobre mim &#8212; mas um dos links acima, o do Daily Mail, tem até uma sequência cronológica das notícias veiculadas.<span id="more-587"></span></p>
<p>Era quinta-feira, então eu fiquei na ECA durante a tarde &#8211;o  que significa que eu já tinha perdido o jogo do Brasil. Então eu chego em casa, um pouco antes das sete da noite, e paro para abrir e-mails e checar a chave de Wimbledon. Nada muito incrível &#8212; exceto por um post no Twitter sobre Michael Jackson.</p>
<p>Post sobre MJ? WTF, certo? Aí a capa do UOL anunciava que um outro &#8220;site&#8221; tinha noticiado a morte do Michael Jackson. Outro site? O <a title="TMZ: Michael Jackson dies" href="http://www.tmz.com/2009/06/25/michael-jackson-dies-death-dead-cardiac-arrest/" target="_blank">TMZ</a>, claro. Na <a title="Guardian: Michael Jackson: how celebrity gossip site TMZ got scoop of the decade" href="http://www.guardian.co.uk/media/2009/jun/26/michael-jackson-tmz-scoop" target="_blank">definição do Guardian</a>, o TMZ &#8220;had the celebrity scoop of the decade&#8221;.</p>
<p>Só que a morte do Michael Jackson era muito grande. Muito. Demais. E o TMZ não é o New York Times. Então todo o resto do mundo aguardava as informações do <a title="Los Angeles Times: L.A. NOW" href="http://latimesblogs.latimes.com/lanow/2009/06/pop-star-michael-jackson-was-rushed-to-a-hospital-this-afternoon-by-los-angeles-fire-department-paramedics--capt-steve-ruda.html" target="_blank">Los Angeles Times</a>, que tinha noticiado a chamada para a emergência &#8212; mas não havia confirmado a morte.</p>
<p>Nessa hora, minha mãe liga a TV. O Globo News estava com a imagem da CNN (ainda noticiando como hospitalização, não como morte) mostrando&#8230; os arredores do Centro Médico da UCLA. Durante muito tempo. Minutos e minutos e minutos de imagem aérea de uma rua onde nada acontecia. Alguém me explica qual é a informação contida nessa imagem?</p>
<p>Enquanto isso, o correspondente internacional da Globo News conversava com os âncoras. As informações dele eram basicamente &#8220;o TMZ disse&#8221;, &#8220;o Los Angeles Times disse&#8221;, &#8220;no site da NBC&#8230;&#8221;. A âncora, no estúdio, no Brasil, tinha as mesmas informações. Por alguma ironia da internet, ela até acessava os sites antes do correspondente internacional. Alguém me explica qual a informação do correspondente internacional que está lendo as mesmas notícias que a âncora?</p>
<p>Nesse meio tempo, aliás, o New York Times, a NBC e todo o resto do mundo aguardavam o LA Times confirmar a morte. Que já havia sido publicada no TMZ pelo menos uma hora antes. Por que é que as pessoas não confiam no TMZ? A explicação longa está no link do Guardian uns parágrafos atrás, mas o TMZ é um site super bagaceiro. Paparazzi, vídeos com o cinegrafista gritando para a pseudo-celebridade, qualquer tipo de escândalo. A cara do site também é bagaceira.</p>
<p>Mas vamos admitir que o TMZ não faz barriga. E dá as notícias antes. Nem imagino qual é o <a title="Access Hollywood: Hospital Disciplines Employee For Accessing Farrah Fawcett's Medical Records" href="http://www.accesshollywood.com/hospital-disciplines-employee-for-accessing-farrah-fawcetts-medical-records_article_8985" target="_blank">acordo duvidoso entre os &#8220;repórteres&#8221; e funcionários de hospitais da Califórnia</a>, ou com policiais ou com qualquer pessoa com algum acesso a informações supostamente privadas. Mas eu acredito no TMZ porque as notícias bagaceiras que eles publicam (antes) são confirmadas em seguida por todos os outros veículos.</p>
<p>Enfim. Eventualmente o Los Angeles Times confirmou o que o TMZ já tinha dito, e todo o resto do mundo pôde dar a mesma notícia de antes &#8212; só que sem a expressão &#8220;segundo o site TMZ&#8221;.</p>
<p>Bom, dá algumas horas e o mundo ainda está colocando &#8220;Michael Jackson&#8221; nos trending topics do Twitter. Falo rapidinho com a Marcela e, é claro, a capa desta semana será MJ. Eu estava ainda pensando se a morte do MJ foi mesmo a coisa mais importante que aconteceu nesta semana, mas, aparentemente, não dava para não colocar MJ na capa.</p>
<p>E não deu mesmo. As três semanais colocaram.</p>
<p><img class="size-full wp-image-590 alignleft" title="Isto É: As várias vidas de Michael Jackson" src="http://lhys.org/letrasmiudas/wp-content/uploads/2009/06/mjistoe.png" alt="Isto É: As várias vidas de Michael Jackson" width="240" height="320" />A da <em>Isto É</em> é&#8230; burocrática. A transformação de MJ em 4 fotos &#8212; da criança fofa dos Jacksons até a última versão que poderia ser colocada em uma capa de revista (as imagens mais recentes, com aquele pseudonariz, agridem demais).<br style="clear:both;" /></p>
<p><img class="size-full wp-image-592 alignleft" title="Veja: Michael Jackson 1958 - 2009" src="http://lhys.org/letrasmiudas/wp-content/uploads/2009/06/mjveja.png" alt="Veja: Michael Jackson 1958 - 2009" width="240" height="320" />A capa da <em>Veja</em> é&#8230; putz, achei fria. Tá, é reconhecível. Mas é deprê que o Michael Jackson seja reconhecido pela mãozinha.<br style="clear:both;" /></p>
<p><img class="size-full wp-image-589 alignleft" title="Época: Michael Jackson 1958 - 2009" src="http://lhys.org/letrasmiudas/wp-content/uploads/2009/06/mjepocaopt.png" alt="Época: Michael Jackson 1958 - 2009" width="240" height="320" />Aliás, preciso observar: ainda bem que a Época não aprovou esta capa aqui.<br style="clear:both;" /></p>
<p><img class="size-full wp-image-588 alignleft" title="Época: Michael Jackson 1958 - 2009" src="http://lhys.org/letrasmiudas/wp-content/uploads/2009/06/mjepoca.png" alt="Época: Michael Jackson 1958 - 2009" width="240" height="320" />A capa que a <em>Época</em> aprovou foi esta aqui. Que eu achei linda. Só que, como <a title="Faz Caber: Qual capa você escolheria?" href="http://colunas.epoca.globo.com/fazcaber/2009/06/27/qual-capa-voce-escolheria-3/" target="_blank">eles mesmos admitiram</a>, a foto saiu na capa de uma Vanity Fair de 1989.<br style="clear:both;" /></p>
<p><img class="size-full wp-image-591 alignleft" title="Vanity Fair, dezembro de 1989" src="http://lhys.org/letrasmiudas/wp-content/uploads/2009/06/mjvanityfair.png" alt="Vanity Fair, dezembro de 1989" width="240" height="320" /></p>
<p>A foto é da Annie Leibovitz e a revista está sendo oferecida no eBay. E, se você ainda quer ler mais um pouco sobre MJ, a Vanity Fair reuniu várias matérias <a title="Vanity Fair: Michael Jackson Is Gone, but the Sad Facts Remain" href="http://www.vanityfair.com/online/politics/2009/06/michael-jackson-is-gone-but-the-sad-facts-remain.html" target="_blank">aqui</a>.<br style="clear:both;" /></p>
<p>O que eu queria dizer é que a morte do Michael Jackson foi enorme e <a title="NYT: Morning News Shows Focus on Jackson Memorials" href="http://artsbeat.blogs.nytimes.com/2009/06/26/morning-news-shows-focus-on-jackson-memorials/" target="_blank">&#8220;the lead story across the world&#8221;</a>. E estamos todos RT-ando as mesmas piadas (ruins) no Twitter. Reciclando capas. Vendo a mesma informação se repetindo.</p>
<p>O blog Jornalismo nas Américas, do Knight Center, escreveu que <a title="Jornalismo nas Américas: Morte de Michael Jackson deixa lições a jornalistas sobre como cobrir notícias de última hora" href="http://knightcenter.utexas.edu/blog/?q=pt-br/node/4454" target="_blank">&#8220;Morte de Michael Jackson deixa lições a jornalistas sobre como cobrir notícias de última hora&#8221;</a>. Eu, sinceramente, acho que ninguém aprendeu nada. E ninguém vai aprender nada, porque não tem bem para onde ir.</p>
<p>Como lidar com rumores? <a title="OJR: Michael Jackson's death and its lessons for online journalists covering breaking news" href="http://www.ojr.org/ojr/people/robert/200906/1755/" target="_blank">Noticiando que os rumores existem</a> (e que &#8220;estamos indo atrás disso&#8221;)? Isso foi o que meio mundo fez &#8212; o &#8220;Morre Michael Jackson, diz site&#8221;. Meio mundo fez isso porque o TMZ é bagaceiro, mas eficaz. Porque as chances de barriga eram pequenas &#8212; e, se fosse barriga mesmo, a &#8220;culpa&#8221; era do TMZ.</p>
<p>Só que noticiar rumores é problemático. Se não for verdade, não importa de quem é a culpa &#8212; quando a correção sair, milhares de pessoas já leram e ignoraram a parte que dizia que nada havia sido confirmado.</p>
<p>Devemos então abandonar o <em>breaking news</em> para evitar esse tipo de engano? Convenhamos que essa vontade de sair na frente já matou um governador antes da hora e divulgou uma lista errada da Fuvest. Mas quem quer ser o último a anunciar que, &#8220;<em>OMFG urgente!!!! </em>o MJ morreu&#8221; &#8212; quando todo o mundo (menos a minha irmã, que só descobriu na hora do almoço do dia seguinte) já sabia?</p>
<p>E tem mais um monte de perguntas nessa história toda. Jornalismo é uma escolha sobre quem é que nós vamos repetir? Então para que serve um correspondente internacional? Precisamos mesmo dessa imagem de cobertura por tanto tempo assim, mesmo que seja um tédio sem informação nenhuma? Essa foi mesmo a notícia mais importante da semana? E será que eu deveria saber tudo isso sobre a vida do Michael Jackson?</p>
<p>Mas eu não tenho esperanças. A causa da morte, as plásticas, as crianças, o suco de Jesus, Neverland e o Blanket serão muito mais discutidos do que tudo isso que eu perguntei.</p>
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		<title>Estadão finge que é o Radiohead, eu finjo que sou superior</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Jun 2009 18:09:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lhys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[caso perdido]]></category>
		<category><![CDATA[idéias brilhantes]]></category>
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		<description><![CDATA[O Estadão está com uma coisa que eu vou chamar de &#8220;promoção para conseguir mais assinantes&#8221;. Faz parte da campanha informação/conhecimento (que explica que aprender a andar de bicicleta &#62;&#62;&#62; derrubar o muro de Berlin &#8212; até porque o mundo não aprendeu nada com o muro). O site explica assim: A assinatura semestral com entrega [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Estadão está com uma coisa que eu vou chamar de <a title="Estadão: Qual o valor do conhecimento?" href="http://www.estadao.com.br/assine/" target="_blank">&#8220;promoção para conseguir mais assinantes&#8221;</a>. Faz parte da campanha informação/conhecimento (que explica que <a title="YouTube: Se hoje em dia a informação é de graça, qual o valor do conhecimento?" href="http://www.youtube.com/watch?v=GAfFoonTUMs" target="_blank">aprender a andar de bicicleta &gt;&gt;&gt; derrubar o muro de Berlin</a> &#8212; até porque o mundo não aprendeu nada com o muro).<span id="more-560"></span></p>
<p>O site explica assim:</p>
<blockquote><p>A assinatura semestral com entrega de 2ª a domingo do Estadão não tem preço fixo. É você que vai dizer quanto você acha que vale aprimorar o seu conhecimento. Isso mesmo. <em><span>Você assina e diz o quanto você quer pagar pelo primeiro mês</span></em>. Assine agora.</p></blockquote>
<p>Uma coisa que, rapidinho, parece super bacana e cabeça.</p>
<p>Aí você pensa, fica cínico e lembra do &#8220;In Rainbows&#8221;. Aquele disco que o Radiohead vendeu como download no sistema &#8220;pague o quanto você achar que deve&#8221;.</p>
<p>Aí eu estava lembrando sobre reações à história do &#8220;In Rainbows&#8221; &#8212; reações de pessoas que vendem música, não reações de fãs empolgadaços do Radiohead. Lily Allen acusou o Radiohead de arrogância, o Gene Simmons perguntou se você fumou crack e o Liam Gallagher falou que só por cima do cadáver dele (tudo na <a title="Rolling Stone: Lily Allen, Oasis, Gene Simmons Backlash Against Radiohead’s “Rainbows”" href="http://www.rollingstone.com/rockdaily/index.php/2007/11/14/lily-allen-oasis-gene-simmons-backlash-against-radioheads-rainbows/" target="_blank">Rolling Stone</a>), mas a melhor mesmo foi a do Robert Smith (no <a title="Times Online: No Cure without pain, says Robert Smith" href="http://entertainment.timesonline.co.uk/tol/arts_and_entertainment/music/article5767323.ece" target="_blank">Times</a>):</p>
<blockquote><p>You can’t allow other people to put a price on what you do, otherwise  you don’t consider what you do to have any value at all, and that’s  nonsense.</p></blockquote>
<p>Mas, quer saber? Nem é por isso.</p>
<p>A questão é que <em>o Estadão está dando um golpe publicitário que ofende a inteligência do mundo</em>.</p>
<p>Eles estão fazendo uma promoção que te dá um mês de graça na assinatura semestral. Pague cinco, receba seis. E ainda fingem que isso é super bacana.</p>
<p>Não sei para onde o jornalismo vai, não sei como vai ficar a história da oferta de informação, não sei de nada.</p>
<p>Mas, queridos, esponja de lavar louça dá uma de graça no pacotinho. Shampoo dá um de graça quando você compra o kit. Escova de dente me dá a pasta de graça. E nenhum deles tem a coragem de me perguntar se eu quero pagar um centavo a mais pela experiência.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Pobres cozinheiros! (ou: para que serve o meu diploma?)</title>
		<link>http://lhys.org/letrasmiudas/2009/06/18/pobres-cozinheiros-ou-para-que-serve-o-meu-diploma/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Jun 2009 04:41:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lhys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[meus 2 cents]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu tenho um diploma de jornalismo. Mas eu nem precisaria mais dele, se quisesse ser jornalista (a lavada de 8 a 1 saiu nesta quarta-feira, depois de muito atraso). Isso porque, aparentemente, jornalista e cozinheiro (confesso que a comparação me fez pensar na cozinha que anda o jornalismo) não precisam de qualificação. Pobres cozinheiros! Não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Eu tenho um diploma de jornalismo. </em>Mas eu nem precisaria mais dele, se quisesse ser jornalista (a lavada de <a title="Folha Online: Supremo derruba exigência do diploma para jornalistas " href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u582417.shtml" target="_blank">8 a 1</a> saiu nesta quarta-feira, depois de muito atraso). Isso porque, aparentemente, jornalista e <a title="Folha Online: Mendes compara jornalista a cozinheiro e vota contra exigência de diploma" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u582486.shtml" target="_blank">cozinheiro</a> (confesso que a comparação me fez pensar na <em>cozinha</em> que anda o jornalismo) não precisam de qualificação. Pobres cozinheiros!<span id="more-553"></span></p>
<p>Não precisam de qualificação? Olha, admito que o modelo não está bom. Se fosse por mim, jornalismo era uma especialização, e não uma graduação. Um MBA que não vai devolver o investimento. Mas acho sim que é preciso ter alguma coisa que não seja um treinamento profissional de fazer entrevista por telefone e escrever lead.</p>
<p>Não que um curso garanta isso &#8212; em um ano ou em quatro anos (ou cinco, no meu caso).</p>
<p>Fazer faculdade de direito <a title="Folha Online: Primeira fase do exame da OAB reprova quase 90% dos candidatos paulistas" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u572231.shtml" target="_blank">não garante passar no exame da ordem</a>. E passar no exame da ordem <a title="Folha Online: Casal acusado se contradiz sobre morte de garota " href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u115509.shtml" target="_blank">não significa ter muita noção</a>.</p>
<p>Fazer faculdade de medicina também <a title="Folha Online: Polícia indicia por homicídio culposo médico acusado de erro no Rio" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u568785.shtml">não é garantia de não fazer mal a ninguém</a>.</p>
<p>Só que isso tudo me faz pensar em uma historinha de alguém que conhece alguém que eu conheço. A pessoa viajou para o México e contou que tinha dois tipos de carne para comprar: a que tem o selo do governo e a que não tem o selo do governo. Confesso que <em>não sei se o governo mexicano me garante alguma coisa</em>, mas eu realmente gosto de pensar que tinha um selo. Assim como eu gostava de pensar que existe um diploma.</p>
<p><em>Eu tenho um diploma de jornalismo.</em> Eu tenho um selo sobre a procedência da minha carne. <strong>Para que ele serve?</strong></p>
<p>Acho que seria injusto falar que ele servia para que eu pudesse trabalhar como jornalista &#8212; porque não é o meu caso. Um tempo atrás, eu diria alguma coisa sobre a importância do diploma para garantir a prisão especial &#8212; mas isso também <a title="Folha Online: Senado aprova fim de prisão especial para pessoas com curso superior e políticos" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u544357.shtml" target="_blank">já foi pro saco</a>.</p>
<p>Felizmente, tem sim importância para mim: não daria para fazer mestrado sem um diploma. <em>Ufa!</em></p>
<p><em>Eu tenho um diploma de jornalismo e não sei</em><em> cozinhar. </em>A segunda parte seria mais útil.</p>
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		<title>Você não precisa ler isto aqui</title>
		<link>http://lhys.org/letrasmiudas/2009/06/03/voce-nao-precisa-ler-isto-aqui/</link>
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		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 01:30:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lhys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[boas intenções]]></category>
		<category><![CDATA[caso perdido]]></category>
		<category><![CDATA[meus 2 cents]]></category>

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		<description><![CDATA[Não estou dizendo que a morte de 126 pessoas seja coisa pouca. Mas a verdade é que eu passei esses últimos dois dias tentando imaginar se nada mais importante estava acontecendo a cada vez que abria um site de notícias. Neste momento, as cinco notícias mais lidas do G1 têm alguma coisa a ver com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não estou dizendo que a morte de 126 pessoas seja coisa pouca. Mas a verdade é que eu passei esses últimos dois dias tentando imaginar se nada mais importante estava acontecendo a cada vez que abria um site de notícias.</p>
<p>Neste momento, as cinco notícias mais lidas do G1 têm alguma coisa a ver com isso – desde destroços encontrados a entrevistas com namorada de passageiro. Na Folha Online, &#8220;Veja nomes de 126 ocupantes do avião da Air France&#8221; virou a notícia mais lida (a segunda é a Cameron Diaz dizendo que queria ter mais bunda).</p>
<p>Não estou dizendo que a morte de 126 pessoas seja coisa pouca. Mas, entre todas aquelas pessoas que clicaram em &#8220;Veja nomes de 126 ocupantes do avião da Air France&#8221;, quantas realmente tinham alguma expectativa de encontrar um nome familiar?</p>
<p>Ou: exatamente <strong>qual informação importante estava na notícia mais lida?</strong> Não sei dizer – porque decidi não clicar no link (e é por isso que nenhuma matéria citada foi linkada).<span id="more-540"></span></p>
<p>No meio da tarde, chega um link via Twitter: <a title="Trezentos: Os verdadeiros urubus" href="http://www.trezentos.blog.br/?p=1583" target="_blank">Os verdadeiros urubus</a>. Um trecho:</p>
<blockquote><p>Um acidente aéreo tem mais destaque que o acidente de ônibus da equipe do Sertãozinho por dois motivos, um válido e outro inválido: os acidentes ganham importância de acordo com o número de mortos, e de acordo com o envolvimento de pessoas da classe dominante. O motivo válido quem provoca são as circunstâncias. A culpa do motivo inválido é toda sua, classe dominante. <strong>Porque é você que compra o jornal, e é para você que os jornalistas escrevem.</strong></p></blockquote>
<p>Não é exatamente como eu colocaria – até porque a expressão &#8220;classe dominante&#8221; não costuma sair da minha boca ou dos meus dedos. Mas a distribuição de <a title="Claro! Culpa" href="http://www.claronline.com.br/index.php?option=com_content&amp;view=category&amp;id=44:culpa" target="_blank">culpa</a> vai muito longe e <em>chega muito perto</em>. E será que eu posso falar muita coisa?</p>
<p>Desde que eu <a title="Letras miúdas: A vida só começa depois do Carnaval, certo?" href="http://lhys.org/letrasmiudas/2009/02/27/a-vida-so-comeca-depois-do-carnaval-certo/">parei de trabalhar</a>, deixei de lado vários hábitos de anos. Não leio mais sobre a vida da Amy Winehouse. Não sei mais se o Pete Doherty foi preso. Não tenho ideia do peso atual da Britney Spears (embora continue ouvindo os discos). O que foi ótimo, porque <a title="Letras miúdas: A maior parte é mentira, e quase nada disso faz sentido" href="http://lhys.org/letrasmiudas/2009/02/13/a-maior-parte-e-mentira-e-quase-nada-disso-faz-sentido/">isso não estava mais fazendo muito bem para mim</a> (notem que esse comentário foi feito apenas alguns dias antes de parar de trabalhar).</p>
<p>Mas <em>a curiosidade mórbida é um bicho muito mais resistente</em>. Nesta última semana, decidi parar de clicar em qualquer chamada sobre a crise conjugal dos Gosselin (de &#8220;Jon &amp; Kate Plus Eight&#8221;) – mas confesso que foi só depois de ter lido bastante sobre isso. E eu nem assisto esse programa!</p>
<p>Uns meses atrás, eu descobri que <a title="Letras miúdas: O que eu aprendi com o BBB 9" href="http://lhys.org/letrasmiudas/2009/04/08/o-que-eu-aprendi-com-o-bbb-9/">é sim possível passar um BBB inteiro sem ler as notícias relacionadas</a>. Não faz falta na sua vida e você consegue sim achar assunto para comentar com outras pessoas. Eu não preciso saber sobre o vencedor do BBB, não preciso saber sobre os Gosselin, não preciso saber sobre cada um dos 126 mortos.</p>
<p>Mas vamos admitir: ao mesmo tempo em que eu não sei (porque não cliquei), eu sei (porque vi a chamada). É praticamente uma <strong>osmose simbólica</strong>. Com exceção dos meus momentos mais disléxicos, nos quais meus olhos e meu cérebro inventam chamadas absolutamente surreais com palavras que não estão lá, o processo é rápido: o olho se mexe e <em>pronto!</em>, você fica sabendo que &#8220;Heidi and Spencer Return to the Jungle&#8221;.</p>
<p>Ao mesmo tempo, eu preciso avaliar o quanto eu posso ignorar sem ser completamente ignorante. Que tipo de julgamento eu posso fazer para decidir o que ler e o que não ler – <em>antes de ler?</em></p>
<p>Lembrando um <a title="Letras miúdas: Você não precisa mudar de opinião, mas podia me ouvir mesmo assim" href="http://lhys.org/letrasmiudas/2009/03/31/voce-nao-precisa-mudar-de-opiniao-mas-podia-me-ouvir-mesmo-assim/">artigo que eu comentei um tempo atrás</a>, a gente lê o que a gente quer ler. Talvez o jornalismo seja tão bom ou tão ruim quanto a gente. Mas acho que isso funciona nos dois sentidos: a gente faz o jornalismo ser ruim, e o jornalismo ruim faz a gente ser ainda pior.</p>
<p>Então eu estou aqui, tentando equilibrar o que eu posso não saber e o que eu fico sabendo sem querer ou precisar.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Os termos mais simples, as definições mais convenientes</title>
		<link>http://lhys.org/letrasmiudas/2009/04/29/os-termos-mais-simples-as-definicoes-mais-convenientes/</link>
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		<pubDate>Wed, 29 Apr 2009 23:38:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lhys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[caso perdido]]></category>
		<category><![CDATA[meus 2 cents]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu estava lendo o livro do Lustosa e encontro lá, escrito e impresso: Assim, o jornalista é um mestre em generalidades. É aquele cidadão que sabe de tudo e não conhece nada. Eu sei que já ouvi isso antes e já devo ter feito piada. Mas, convenhamos &#8212; não é bem assim. A maior parte [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu estava lendo o <a title="Google Books: O texto da notícia" href="http://books.google.com/books?hl=pt-BR&amp;id=ubguAAAAYAAJ">livro do Lustosa</a> e encontro lá, escrito e impresso:</p>
<blockquote><p>Assim, o jornalista é um mestre em generalidades. É aquele cidadão que sabe de tudo e não conhece nada.</p></blockquote>
<p>Eu sei que já ouvi isso antes e já devo ter feito piada. Mas, convenhamos &#8212; não é bem assim. A maior parte dos meus amigos são jornalistas, e eu jamais diria que um deles &#8220;não conhece nada&#8221;. Não porque seria uma grande sacanagem, mas porque seria uma grande mentira.</p>
<p>Meus amigos jornalistas conhecem muita coisa. Talvez o que eles saibam mais seja a especialidade de trabalho deles &#8212; como todo o resto do mundo. E o resto do mundo também sabe de muito mais do que aquilo que cada um faz no trabalho.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Sim, eu vou deixar o papel para trás</title>
		<link>http://lhys.org/letrasmiudas/2009/04/27/sim-eu-vou-deixar-o-papel-para-tras/</link>
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		<pubDate>Mon, 27 Apr 2009 14:03:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lhys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geek-ish]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[A minha peregrinação da quinta-feira tinha a ver com uma visita ao Destak para falar com o editor. Que tem a ver com um trabalho de uma aula da pós (que eu faço como ouvinte, mas enfim). Não vou tentar dividir o que foi dito porque ainda nem começamos a análise e não faria muito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A minha <a title="Letras miúdas: Chamam de “zona de conforto” por um motivo" href="http://lhys.org/letrasmiudas/2009/04/24/chamam-de-zona-de-conforto-por-um-motivo/">peregrinação da quinta-feira</a> tinha a ver com uma visita ao <a title="Destak" href="http://www.destakjornal.com.br/">Destak</a> para falar com o editor. Que tem a ver com um trabalho de uma aula da pós (que eu faço como ouvinte, mas enfim).</p>
<p>Não vou tentar dividir o que foi dito porque ainda nem começamos a análise e não faria muito sentido. Mas, em algum ponto lá pelo final, rolou uma certa discussão sobre o jornal digital. Aquele do papel eletrônico flexível. A opinião do editor era: não vai acontecer na vida dele.</p>
<p>Eu discordei. Vai acontecer na minha vida. <em>E não é só porque eu sou vinte anos mais nova</em> (ié!). É porque já está acontecendo.<span id="more-493"></span></p>
<p>Eu lembrei de escrever isso porque estava lendo uma <a title="Terra: Leitor eletrônico enfrenta resistência dos amantes de livros" href="http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI3728126-EI4799,00-Leitor+eletronico+enfrenta+resistencia+dos+amantes+de+livros.html">tradução do NYT no Terra</a> sobre o Kindle. E eu morro de vontade de ter um Kindle. Eu nem me considero ridiculamente fissurada em gadgets (não tenho um iPod, apesar de ter mp3 player desde 2005, e meu celular é de 2002), mas o Kindle é o tipo de coisa que eu compraria se existisse um serviço (com preços razoáveis) por aqui.</p>
<p>Existem vantagens demais no formato. Vantagens que superam o fetiche do papel. A primeira é o peso &#8212; o Kindle 2 pesa 289 gramas. É mais do que o <a title="Google Books: Visual Function" href="http://books.google.com/books?id=-j7JcB2al7sC&amp;printsec=frontcover">&#8220;Visual Function&#8221; do Mijksenaar</a>. Mas o <a title="Google Books: Pensar com Tipos" href="http://books.google.com/books?id=dOUY203L4J4C&amp;printsec=frontcover">&#8220;Pensar com Tipos&#8221;, da Lupton</a>, é um livrinho absurdamente pesado para o tamanho dele (couché 150). Agora imagina carregar o livro da Lupton (vale lembrar que já começam a aparecer leitores com display colorido), aquele <a title="Google Books: Envisioning Information" href="http://books.google.com/books?id=1uloAAAAIAAJ&amp;pgis=1">livro do Tufte</a> que estava comigo na quinta, o do <a title="Google Books: Information Anxiety" href="http://books.google.com.br/books?id=f8ZoAAAAIAAJ&amp;pgis=1">Wurman</a>, aquele de <a title="Google Books: A History of Visual Communication" href="http://books.google.com.br/books?id=gD37PQAACAAJ">comunicação visual do autor suíço</a> e o de <a title="Google Books: Narrative theory and the cognitive sciences" href="http://books.google.com.br/books?id=GO4HHAAACAAJ">narratologia</a>. Já ultrapassou 289 gramas &#8212; faz tempo.</p>
<p>Outra vantagem: procurar <em>aquela</em> passagem do livro. Os índices remissivos não dão conta de tudo &#8212; e nem todos os livros têm. Sabe como eu faço, atualmente? Eu rezo para o livro estar no <a title="Google Books" href="http://books.google.com/">Google Books</a>, com visualização parcial. Aí eu faço a busca por ali, e ele me mostra a página em que está. É claro que varia um pouco de edição para edição, mas fica um pouco mais fácil. Não seria muito melhor se o livro já tivesse a busca embutida?</p>
<p>Aí tem a vantagem de quem precisa de livros importados. Lojas virtuais pedem 4, 6, 8, DOZE semanas para entregar. Minha encomenda no Alibris pede 3-4 semanas, mas eu paguei mais pelo frete do que pelos livros (livros de US$ 1,99 e frete padrão de US$12,90). Se o formato é digital, não preciso esperar e nem pagar a entrega.</p>
<p>Fora isso, não precisa de estante e não é alvo de traças. Dá para fazer marcações e depois apagar. <em>Meu fetiche de papel morreu faz tempo</em>.</p>
<p>Mas vamos passar isso para jornais. O Kindle já tem certo acesso a jornais e até alguns blogs, via rede sem fio. Se o serviço amplia, você troca a sua assinatura da FSP, do Estado, etc por assinaturas digitais e anda com tudo ao mesmo tempo. E ainda pode fazer buscas. E ainda pode ser atualizado.</p>
<p>Problema? Ler na tela pode ser um problema &#8212; mas esses leitores são mais confortáveis que a tela do computador. O tamanho da tela pode ser um problema &#8212; mas a lógica da página do jornalão existe porque existe o jornalão; eu, sinceramente, ando tão habituada com o online que nem sinto falta do jornal me <em>dizendo</em> o que é mais importante.</p>
<p>O <em>preço</em> é um problema. O Kindle custa US$ 359, o colorido da Fujitsu custa em torno de mil dólares. Sim, é caro. Por enquanto, só vale se você ama gadgets, lê bastante e tem dinheiro sobrando.</p>
<p>Mas é assim que começa. Há menos de 7 anos, paguei R$ 429 por um celular que não tem display colorido, que tem toque monofônico e nem dobra. Há pouco mais de 4 anos, paguei uns R$ 700 por um tocador de música de 128 Mb.</p>
<p>É assim que começa &#8212; pessoas começam a comprar, os produtos se desenvolvem e ainda ficam mais baratos. Pensa no que o <a title="CrunchPad" href="http://en.wikipedia.org/wiki/CrunchPad">CrunchPad</a> pode significar.</p>
<p>Ainda será mais caro que o jornal de papel. Mais caro que o jornal que distribuem para você no cruzamento. Mas vamos pensar no sistema de assinatura. Igual contrato de celular &#8212; você assina o conteúdo digital de uma editora e eles subsidiam o seu jornal digital. Que você poderá usar para ler outras coisas.</p>
<p><em>Vai acontecer na minha vida.</em></p>
<p>[edit]<br />
Estou com o livro do Lage (Linguagem Jornalística) na minha frente, e achei um trechinho que tem a ver:</p>
<blockquote><p>O jornaleiro desamarra o pacote de jornais e entrega um exemplar ao freguês. (&#8230;) Mas o freguês não pretendia comprar papel, embora, já que o tem, possa usá-lo depois para fazer embrulhos ou forrar latas de lixo: o que o levou à compra foi a informação impressa com tinta no papel.</p></blockquote>
<p>[/edit]</p>
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		<title>O que é que o Simon Cowell diria?</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Apr 2009 16:00:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lhys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[caso perdido]]></category>
		<category><![CDATA[meus 2 cents]]></category>

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		<description><![CDATA[Ninguém pensa grande coisa sobre &#8220;jornalismo de internet&#8221; (aquele que é feito via internet, não aquele que é feito para a internet). Imagino que repórter antigo, que já via problemas no &#8220;jornalismo de telefone&#8221;, deve odiar. Mandar &#8220;bater perna&#8221;. Também acho um porre pseudo-reportagens sobre &#8220;repercussão no Orkut&#8221;. Mas a questão é que tem certos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ninguém pensa grande coisa sobre &#8220;jornalismo de internet&#8221; (aquele que é feito via internet, não aquele que é feito para a internet). Imagino que repórter antigo, que já via problemas no &#8220;jornalismo de telefone&#8221;, deve odiar. Mandar &#8220;bater perna&#8221;.</p>
<p>Também acho um porre pseudo-reportagens sobre &#8220;repercussão no Orkut&#8221;. Mas a questão é que tem certos limites para bater perna. E tem situações em que bater perna não ia adiantar nada.</p>
<p>Se o objetivo é a cobertura de um evento, é mais adequado que você vá bater perna no tal evento. Mas se você vai falar sobre o Last.fm, o Last.fm é  melhor lugar para achar usuários.</p>
<p>Mas não era bem sobre isso que eu ia falar. <span id="more-486"></span>Eu ia falar sobre uma reportagem que saiu na Veja (<a title="Veja: Rabugento e poderoso" href="http://veja.abril.com.br/290409/p_128.shtml">li no site</a>): &#8220;Rabugento e poderoso&#8221;. O texto usa a Susan Boyle para falar sobre o Simon Cowell, o produtor musical que dispensa apresentações para quem assiste <em>American Idol</em>.</p>
<p>A matéria é &#8220;jornalismo de internet&#8221; puro. Cita declarações do Obama &#8220;numa entrevista recente&#8221;, fala sobre a quantidade de exibições do vídeo da Susan Boyle no YouTube, resume a trajetória profissional do Simon Cowell. Não tem uma declaração exclusiva de ninguém, nem tenta fingir com uma frase de fã ou uma análise de um especialista.</p>
<p>Esse tipo de pesquisa parece muito o que você fazia como trabalho de escola &#8212; você separa fontes de pesquisa (livros/sites), lê um pouco, escolhe o que acha mais importante e junta tudo em um texto. <em>Jornalismo de internet</em>.</p>
<p>Eu, sinceramente, não tenho nenhum problema com isso. Acho que a frase de fã e a análise do especialista não trariam nenhuma contribuição real para o caso. Para falar a verdade, acho que nem adiantava tentar falar com o Simon Cowell nisso (se eu tivesse um nome como a <em>Veja</em> para usar, podia tentar ouvir um &#8220;indulgent rubbish&#8221; pelo telefone só pelo lado hilário da situação).</p>
<p>O único problema que eu tenho com o jornalismo de internet é quando a pesquisa é ruim. Quando você cai em piadas, quando você cita jornais que não merecem. Se você não tem como confirmar a informação pessoalmente, faça o favor de verificar. Cruze dados entre jornais, faça uma pesquisa.</p>
<p>O problema que eu tenho com o texto da <em>Veja</em> sobre o Simon Cowell aparece no final, quando comentam que ele está considerando não renovar o contrato de &#8220;Idol&#8221;.</p>
<blockquote><p>Nem mesmo a estafa mais profunda deve tornar fácil a decisão de abdicar da dinheirama de 36 milhões de dólares. Mas Cowell deve ter feito as contas. Seu contrato com a Fox impede que ele venda uma versão do <em>Britain’s Got Talent</em> (que já está em quarenta países) nos Estados Unidos. Desfeito o vínculo com a emissora, ele ganharia liberdade para levar ao país o seu próprio show.</p></blockquote>
<p>O que o contrato do Simon Cowell com a Fox impede é que ele seja jurado de outro programa. Só. O <em>America&#8217;s Got Talent</em>? Já existe. Um dos jurados, o Piers Morgan, participa tanto da versão britânica quanto da norte-americana. Já passou até no canal Sony. Até minha mãe lembra que tinha um programa de calouros com o cara de <em>Baywatch</em>. Sinceramente&#8230;</p>
<p>O problema de jornalismo de internet não é que ele seja inferior ao de bater perna ou ao de telefone. O problema do jornalismo de internet é o mesmo de qualquer outro tipo de apuração &#8212; é não ser feito com cuidado.</p>
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		<title>Confissão #24</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Apr 2009 12:55:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lhys</dc:creator>
				<category><![CDATA[confessionário]]></category>
		<category><![CDATA[eca]]></category>
		<category><![CDATA[JC]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando eu preparo a avaliação do Jornal do Campus, me sinto meio jurada de American Idol.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando eu preparo a avaliação do <a title="Jornal do Campus" href="http://www.jornaldocampus.usp.br">Jornal do Campus</a>, me sinto meio jurada de <em>American Idol</em>.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O que o seu DNA diz sobre a revista que você lê</title>
		<link>http://lhys.org/letrasmiudas/2009/04/18/o-que-o-seu-dna-diz-sobre-a-revista-que-voce-le/</link>
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		<pubDate>Sat, 18 Apr 2009 17:35:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lhys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[As capas da Veja e da Época desta semana: É aquela sensação de quando um estúdio lança Armageddon e o outro lança Impacto Profundo. Ou Formiguinhaz e Vida de Inseto. Ou Happy Feet e Tá Dando Onda. Ou Procurando Nemo e O Espanta Tubarões. Ou O Ilusionista e O Grande Truque. (Mas convenhamos que a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As capas da <em><a title="Veja: 22/04/2009" href="http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/220409/sumario.shtml">Veja</a></em> e da <em><a title="Época: 18/04/2009" href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EIT522-16091,00.html">Época</a></em> desta semana:</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-466" title="vjep" src="http://lhys.org/letrasmiudas/wp-content/uploads/2009/04/vjep.jpg" alt="vjep" width="480" height="320" /></p>
<p>É aquela sensação de quando um estúdio lança<em> Armageddon</em> e o outro lança <em>Impacto Profundo</em>. Ou <em>Formiguinhaz</em> e <em>Vida de Inseto</em>. Ou <em>Happy Feet</em> e <em>Tá Dando Onda</em>. Ou <em>Procurando Nemo</em> e <em>O Espanta Tubarões</em>. Ou <em>O Ilusionista</em> e <em>O Grande Truque</em>. (Mas convenhamos que a capa da <em>Época</em>&#8230;<em> looks more expensive</em>. Ou <em>less cheap</em>.)</p>
<p>Ah, sim, a capa da <em>Isto É</em> fala sobre <a title="Isto É: Enfim, as pazes com a cama" href="http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2058/artigo131917-1.htm">insônia</a> e traz fotos de carneirinhos fofinhos. A propósito, insônia também é o tema atual da <a title="Veja.com: Insônia" href="http://veja.abril.com.br/videos/saude/insonia-1-450115.shtml">seção de vídeos</a> da <em>Veja</em>&#8230;</p>
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