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	<title>Letras Miúdas &#187; meus 2 cents</title>
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	<description>Letras pequenas, surtos intermináveis</description>
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		<title>Sobre rédeas, crianças e gente que é filmada na rua</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Mar 2010 19:17:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lhys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Qualquer coisa]]></category>
		<category><![CDATA[boas intenções]]></category>
		<category><![CDATA[meus 2 cents]]></category>
		<category><![CDATA[Mia]]></category>

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		<description><![CDATA[(Uma coisa antes de começar a ler: tente erguer um braço e deixá-lo para cima, esticado, até eu dizer &#8220;chega&#8221;.) Nem preciso falar que a Mia ocupa uma boa parte da minha lista de preocupações desde que a adotamos, em novembro passado. Agora, com uns 6 meses de vida, a Mia começa a dar sinais de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>(Uma coisa antes de começar a ler: tente erguer um braço e deixá-lo para cima, esticado, até eu dizer &#8220;chega&#8221;.)</em></p>
<p>Nem preciso falar que a <a title="Letras Miúdas: Mia" href="http://lhys.org/letrasmiudas/tag/mia/" target="_self">Mia</a> ocupa uma boa parte da minha lista de preocupações desde que a adotamos, em novembro passado. Agora, com uns 6 meses de vida, a Mia começa a dar sinais de adolescência (estamos agendando a castração).</p>
<p>Uma das coisas &#8220;novas&#8221; da Mia é que agora ela quer sair da casa. Nós não deixamos, porque é perigoso. Lugar de gatinha é dentro de casa, sinceramente. Eu sei, eu sei. <em>Gatos já nasceram livres</em>. Mas gatos livres são atropelados, perseguidos por cachorros, envenenados e vítimas de outras maldades.</p>
<p>Como é obviamente muito difícil explicar essas coisas para a Mia (nós bem que tentamos, mas ela é uma gatinha!), nós simplesmentes deixamos a porta da frente e a janelinha que dá para a garagem fechadas. Aí, de vez em quando, quando ela surta e mia triste para a janela, nós pegamos ela no colo e levamos para a garagem, onde ela faz questão de cheirar tudo o que o narizinho dela consegue alcançar. Se der sorte, tem algum passarinho na calçada ou na árvore ou nos fios de eletricidade.</p>
<p>Para tentar melhorar a qualidade de vida da Mia (e a nossa também), estamos pensando em comprar uma coleirinha (tem que ser peitoral ou coletinho, porque gatos se livram de coleiras de pescoço &#8212; nem que morram tentando!). Então eu estava inocentemente procurando vídeos e artigos sobre gatos que andam de coleira e encontrei crianças andando de coleira. Na Amazon, por exemplo, há vários modelos (alguns que disfarçam com mochilinhas e bichinhos de pelúcia).</p>
<p><a href="http://lhys.org/letrasmiudas/wp-content/uploads/2010/03/lm_harness.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-806" title="Alguns tipos de &quot;kid harness&quot; vendidos na Amazon" src="http://lhys.org/letrasmiudas/wp-content/uploads/2010/03/lm_harness.png" alt="Alguns tipos de &quot;kid harness&quot; vendidos na Amazon" width="495" height="300" /></a></p>
<p>Confesso que primeiro eu fiquei meio desconfiada. Eu entendo que isso não seja nada novo, mas eu nunca vi uma mãe levando o filho passear de coleira (ok, não é bem coleira. é mais um peitoral. mas vou chamar de coleira).</p>
<p>E, como várias pessoas apontaram, não seria melhor se você conseguir manter o seu filho por perto porque ele é educada, e não porque está amarrado? Sim, claro. Mas isso é realmente seguro? Quando você dá a mão para uma criança, você não está garantindo que ela fique perto e segura?</p>
<p>Aí, pensando melhor&#8230; sei lá, comecei a ver algumas vantagens na coleira:</p>
<ul>
<li>Lembra aquilo que eu pedi no começo deste post? Então: &#8220;CHEGA&#8221;. Pode abaixar o braço. Agora pensa na criança que passeia segurando a mão de um adulto. Pois é. Cansa. É desconfortável.</li>
<li>A criança, na verdade, tem mais liberdade. Ela tem pelo menos um metro e meio (ou alguma coisa assim) de espaço, em vez de ficar colada à sua perna.</li>
<li>O adulto consegue segurar a guia de um jeito muito mais seguro. É muito mais fácil deixarescorregar uma mãozinha gordinha (e suada) do que uma tira que você enrola no punho.</li>
<li>Imagina que você também precisa carregar outra criança. Ou um saco de compras. <em>Gente, essa coleira é tudo!</em></li>
</ul>
<p>Então eu prometo não ficar chocada se encontrar alguém passeando com o filho na coleira. Desde que a pessoa não esteja fazendo isto aqui:<br />
<center><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/aEtzWY_VwhQ&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/aEtzWY_VwhQ&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object>&nbsp;</center></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Por que o mundo precisa de Jedward</title>
		<link>http://lhys.org/letrasmiudas/2010/01/23/por-que-o-mundo-precisa-de-jedward/</link>
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		<pubDate>Sat, 23 Jan 2010 16:22:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lhys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Qualquer coisa]]></category>
		<category><![CDATA[caso perdido]]></category>
		<category><![CDATA[meus 2 cents]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[tv]]></category>

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		<description><![CDATA[Em algum momento de 2009, John &#38; Edward fizeram um karaokê de &#8220;As long as you love me&#8221; nos testes do &#8220;X Factor&#8221;. O veredicto do Simon foi &#8220;Not very good and particularly annoying&#8221;, mas Cheryl, Dannii e Louis votaram a favor dos dois. Eles são gêmeos idênticos, eles entraram no palco gritando &#8220;Glasgow, how you [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em algum momento de 2009, John &amp; Edward fizeram um <a title="YouTube: The X Factor 2009 - John &amp; Edward- Auditions 1" href="http://www.youtube.com/watch?v=OWwW_DYmxEw" target="_blank">karaokê de &#8220;As long as you love me&#8221; nos testes do &#8220;X Factor&#8221;</a>. O veredicto do Simon foi &#8220;Not very good and particularly annoying&#8221;, mas Cheryl, Dannii e Louis votaram a favor dos dois. Eles são gêmeos idênticos, eles entraram no palco gritando &#8220;Glasgow, how you feelin&#8217; tonight?&#8221;, eles sentiram a necessidade de se apresentar começando com &#8220;We&#8217;re twins&#8221;. De algum jeito, eles ficaram entre os 12 finalistas. De algum jeito, eles terminaram na sexta posição.</p>
<p>Isso foi lá pelo meio de novembro do ano passado. Em situações normais, o prazo de validade deles já teria passado faz tempo. Alguém aí se lembra do Lloyd Daniels (eliminado na semana seguinte)? Pois é.</p>
<p><em>Só que Jedward não passo</em>u.<span id="more-741"></span> Eles acabaram conseguindo uma participação no NTA (National Television Awards, exibido pelo mesmo canal de TXF) para cantar &#8220;Under Pressure/Ice Ice Baby&#8221; (truque que eles usaram na semana Queen de TXF) com ninguém menos que ele, o próprio: <strong>Vanilla Ice</strong>. Quando foi a última vez que o Vanilla Ice convidou o público para cantar &#8220;Ice ice baby&#8221; &#8212; <em>e o público cantou de volta</em>?</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="495" height="300" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/h4nCUBNhQ4Q&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="495" height="300" src="http://www.youtube.com/v/h4nCUBNhQ4Q&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Como qualquer pessoa normal, eu estava reagindo à apresentação com quem mais estivesse online e vendo aquilo no YouTube e uma das respostas que eu recebi foi:</p>
<blockquote><p>I kind of wish I could be more like Jedward.</p></blockquote>
<p>Eu sei, eu sei. Parece estranho. Eles são completamente retardados no <a title="Twitter: @planetjedward" href="http://twitter.com/planetjedward" target="_blank">Twitter</a> (e suspeito que isso não esteja longe da realidade), provavelmente vão lançar singles constrangedores atrás de singles constrangedores, eventualmente se envolverão em algum escândalo realmente medonho e devem participar de qualquer reality-show falido ASAP.</p>
<p>Mas a verdade é que existe uma coisa muito incrível em Jedward. Não é a voz, não é a dança, não é o topete, não é o figurino. Não é nem essa vontade imensa de ser famoso. E não é a incapacidade de acertar a apresentação de &#8220;Under Pressure/Ice Ice Baby&#8221; mesmo que essa seja praticamente a única coisa que eles têm feito desde novembro.</p>
<p><em>O que é fascinante em Jedward é o quanto eles estão se divertindo enquanto cometem todas essas atrocidades. É ver que eles não estão constrangidos.</em> Entre tantos popstars falando sobre seus &#8220;demônios internos&#8221; (quem inventou essa ideia?) e tantos candidatos de &#8220;American Idol&#8221; com histórias tristes, Jedward acaba sendo muito mais relevante do que todos esses outros <em>wannabes</em>. Eles não sabem cantar, não sabem dançar e não parecem ter nenhum talento &#8212; mas, ao mesmo tempo, são geniais.</p>
<p>É só ver a <a title="YouTube: The X Factor 2009 - John and Edward - Live Show 2 (itv.com/xfactor)" href="http://www.youtube.com/watch?v=Dr-p-3CC3AU" target="_blank">apresentação de &#8220;Oops I did it again&#8221;</a> para entender.</p>
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		<title>Enganando alguém como você</title>
		<link>http://lhys.org/letrasmiudas/2009/12/31/enganando-alguem-como-voce/</link>
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		<pubDate>Thu, 31 Dec 2009 04:01:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lhys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Qualquer coisa]]></category>
		<category><![CDATA[filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Folha de S. Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[meus 2 cents]]></category>
		<category><![CDATA[tv]]></category>

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		<description><![CDATA[No ano passado, eu reclamei (um pouco) sobre como uma notícia existe/cresce em dezembro só porque mais nada está acontecendo. Não que isso seja novidade &#8212; a São Silvestre, afinal, foi inventada para achar assunto para a Gazeta Esportiva (mas hoje em dia o Globo Esporte preenche espaço com a final do campeonato de várzea [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No ano passado, eu <a title="Letras Miúdas: O processo de reaquecimento da notícia" href="http://lhys.org/letrasmiudas/2008/12/29/o-processo-de-reaquecimento-da-noticia/" target="_blank">reclamei (um pouco)</a> sobre como uma notícia existe/cresce em dezembro só porque mais nada está acontecendo. Não que isso seja novidade &#8212; a São Silvestre, afinal, foi inventada para achar assunto para a Gazeta Esportiva (mas hoje em dia o Globo Esporte preenche espaço com a <a title="Globo Esporte: Longe do glamour dos profissionais, campeonato paulista de várzea é disputado com paixão" href="http://video.globo.com/Videos/Player/Esportes/0,,GIM1173506-7824-LONGE+DO+GLAMOUR+DOS+PROFISSIONAIS+CAMPEONATO+PAULISTA+DE+VARZEA+E+DISPUTADO+COM+PAIXAO,00.html" target="_blank">final do campeonato de várzea</a> e o <a title="Globo Esporte: Enquanto espera um novo clube, Nei Paraíba joga no time dos casados" href="http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/0,,MUL1430428-9825,00-ENQUANTO+ESPERA+UM+NOVO+CLUBE+NEI+PARAIBA+JOGA+NO+TIME+DOS+CASADOS.html" target="_blank">casamento do Nei Paraíba</a> &#8212; sim, meu pai vê TV antes do almoço).</p>
<p><em>Enfim.</em></p>
<p>Tem duas coisas que eu deveria acrescentar à reclamação original: 1) se algum dia na sua vida você quiser chamar a atenção da imprensa, tente esperar até dezembro; 2) <em>de vez em quando</em>, essa falta de assunto significa que rola espaço para uma matéria até que interessante.</p>
<p>Hoje (ou ontem, dependendo da hora que eu terminar de escrever), depois de <strike>acordar</strike> me arrastar da cama, fui fingir ler a Folha por meio segundo e acabei achando a reportagem da capa da Ilustrada: <a title="FSP: Caindo na real" href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq3012200908.htm" target="_blank">Caindo na real</a>. Basicamente são cinco artigos escritos por especialistas comentando a distância entre realidade e as séries de TV (no caso: <em>House</em>, <em>Bones</em>, <em>Lie to Me</em>, <em>Sons of Anarchy</em>, <em>Capadócia</em>).<span id="more-698"></span> O coordenador do <a title="Núcleo de Estudos e Pesquisas em Psiquiatria Forense e Psicologia Jurídica" href="http://www.hcnet.usp.br/ipq/nufor/" target="_blank">Nufor</a>, Antonio de Pádua Serafim, escreveu o seguinte sobre <em>Bones</em>:</p>
<blockquote><p>A série <em>Bones</em> mostra a prática da análise cadavérica de uma maneira muito real. É como os países desenvolvidos conduzem os procedimentos. Mas força a mão em como soluciona o caso e chega ao suspeito. Parece até mágica.</p></blockquote>
<p>Na hora, lembrei deste quadrinho aqui, do <a title="PHD Comics: If TV Science was more like real Science" href="http://www.phdcomics.com/comics/archive.php?comicid=1156" target="_blank">PHD Comics</a>:</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-699" title="If TV Science was more like real Science (PHD Comics)" src="http://lhys.org/letrasmiudas/wp-content/uploads/2009/12/lm_tvscience.png" alt="" width="495" height="450" /></p>
<p>E, em seguida, eu lembrei de uma <a title="Experience.com: Are TV Characters' Salaries Realistic?" href="http://www.experience.com/alumnus/article?channel_id=Entertainment&amp;source_page=additional_articles&amp;article_id=article_1156540335156" target="_blank">coluna relacionando o estilo de vida de personagens e o salário médio de suas profissões</a>:</p>
<blockquote><p>Carrie is a Prada-buying, cosmopolitan-drinking, Manolo Blahnik-collecting kind of girl. She eats out constantly, resides in a roomy one-bedroom Manhattan apartment, and never seems to think twice before slapping down her credit card for more designer duds.</p>
<p>Even her job – sex columnist for a New York City newspaper – is glamorous. But don&#8217;t let the <em>Sex and the City</em> writers fool you: Carrie&#8217;s annual columnist salary wouldn&#8217;t come close to affording her that luxurious lifestyle (trust me). According to Payscale.com, a New York City journalist with 10 years of experience earns a median annual salary of about $57,000.</p></blockquote>
<p>Resumindo bastante, temos duas situações aqui:</p>
<ol>
<li>Aspectos técnicos são desvirtuados para favorecer a narrativa (não dá para esperar semanas pelo resultado do toxicológico; não dá para perder todos os julgamentos&#8230;).</li>
<li>A não ser que a dificuldade financeira seja um <em>plot</em> a ser explorado, as limitações financeiras são esquecidas sem remorso porque personagem pobre é tão ruim quanto personagem feio.</li>
</ol>
<p>O objetivo dos lapsos de irrealidade, portanto, fazem parte da produção de um pacote que seja atraente e que não seja um tédio. <strong>Esse tipo de deslize incomoda quem tem um pé nessa área</strong>: advogados podem se irritar com séries de julgamento, médicos podem se incomodar com séries de hospital, <em>jornalistas hollywoodificados me incomodam muito mais do que um chef de cozinha fictício</em>.</p>
<p>O problema é que eu achei uma terceira situação: as <em>chick-flicks</em> deixaram de me enganar mesmo quando eu quero ser enganada. Mesmo que eu me prepare com sorvete e bolo e calda de chocolate. Ou seja:</p>
<ol start="3">
<li>Situações altamente <strike>improváveis</strike> impossíveis são inseridas na história para permitir um <em>happy ending</em>.</li>
</ol>
<p>Aceitando que os lapsos <strong>1</strong> e <strong>2</strong> incomodam quem tem alguma capacidade de <em>expert</em> no assunto, o que fazer quando estamos falando de <em>chick-flicks</em>, comédias românticas, filmes de mulherzinha &#8212; aqueles que insistem no &#8220;alguém como você&#8221;?</p>
<p>Aceitando que os lapsos <strong>1</strong> e <strong>2</strong> possam ser traduzidos como &#8220;a vida não funciona bem assim, mas vamos agilizar para encerrar a história neste episódio&#8221;, podemos traduzir a situação <strong>3</strong> como &#8220;a vida não funciona bem assim, mas vamos fingir um pouco para que as coisas deem certo no final&#8221;? E, se podemos, isso quer dizer que não existe <em>happy ending</em> para &#8220;alguém como você&#8221;?</p>
<p>Tem um terceiro ponto nessa história: dramas forenses se sustentam no voyerismo. Em todos vocês que gostam de ler sobre os crimes mais bizarros nos jornais. Você não é nem o serial-killer (espero), nem o agente do FBI, nem o médico legista. Só que a <em>chick-flick</em> se sustenta na identificação (o &#8220;alguém como você&#8221;).</p>
<p><strong>Sim, você está ouvindo isso de uma pessoa que aceita o paradoxo do tempo de </strong><em><strong>Terminator</strong></em><strong>. </strong>Porque <em>Terminator</em> se propõe como uma fantasia e é assim que eu o vejo. Mas chick-flicks são (de novo) uma coisa de &#8220;alguém como você&#8221;.</p>
<p>Por uma lógica similar à do <em>Terminator</em>, eu consigo ver Jane Austen (a propósito: acabo de assistir o <em>Sense &amp; Sensibility</em> da BBC sem a decepção da <em>chick-flick</em> que não me engana &#8212; o que indica que eu ainda não estou anestesiada pela exposição constante). É a Inglaterra do século XIX; é praticamente outro planeta.</p>
<p>Só que hoje eu acabei assistindo <a title="The Holiday" href="http://www.sonypictures.com/homevideo/theholiday/" target="_blank">aquele filme de mulherzinha</a> com a Kate Winslet e a Cameron Diaz e <em>deusdocéu aquele filme de mulherzinha não cumpriu a função dele</em>! Umas semanas atrás, estava assistindo <a title="Post Grad" href="http://www.foxsearchlight.com/postgrad/" target="_blank">aquele filme da Alexis Bledel</a> por causa do trailer (tinha uma cena sobre aparecer em entrevista de emprego e encontrar milhares de pessoas atrás da mesma vaga, e outra cena sobre não fazer a menor ideia de qual é a empresa onde você foi fazer a entrevista) mas comecei a sentir vergonha alheia por <strong>todos</strong> os envolvidos (<em>por quê, Jane Lynch? por quê?</em>).</p>
<p>Não dá para aceitar que o velhinho de 90 anos consiga largar o andador e saltitar sobre os degraus depois de uma semana de pseudo-fisioterapia-não-profissional-na-piscina. Não dá para acreditar na Kate Winslet (mesmo sendo a Kate Winslet) decidindo que dar o fora no Dr. Jakob Hood depois de três anos de obsessão &#8212; só porque ela assistiu uns filmes com mulheres fortes. É tipo quando a Ashlee Simpson disse que superou a anorexia porque a mãe dela levou a família para comer <a title="ashlee-star.com: Marie Claire - July 2006" href="http://www.gallery.ashlee-star.com/displayimage.php?pid=12487&amp;fullsize=1" target="_blank">churrasco com batata frita</a>.</p>
<p>Só que umas semanas atrás a Marcela me perguntou sobre &#8220;um filme que representa fielmente as mulheres, que mostre as mulheres como elas são, sem ser histéricas&#8221;. Nos exemplos dela estava a Bridget Jones. <em>Peeeeeraí, a Bridget Jones</em>?</p>
<p>Aí a Marcela defendeu a Bridget como uma mulher irresistível &#8220;mesmo sendo atrapalhada, gordinha, fazendo gafes&#8221;, ou <em>uma mulher como todas nós</em>. <em>Peeeeraí</em>. A própria Marcela não é atrapalhada, não é gordinha e não faz gafes. E, mais importante: não é uma caricatura. <strong>Por que se identificar com a Bridget Jones? <span style="font-weight: normal;"><strong>Será que mais pessoas estão se identificando com a Bridget Jones?</strong> (E, poxa vida, eu li/assisti a Bridget Jones!)</span></strong></p>
<p>A autora do artigo sobre os Manolo Blahnik impossíveis de uma jornalista escreveu: <em>não deixe que os roteiristas enganem você</em>. Mas <strong>eu quero ser enganada</strong>, de vez em quando (principalmente quando estou vendo TV). Por isso eu vou adaptar o conselho para um que eu considero mais útil: pode se enganar o quanto você quiser, mas esqueça isso assim que desligar a TV.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Um, zero e meio-termo</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Dec 2009 02:28:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lhys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Qualquer coisa]]></category>
		<category><![CDATA[meus 2 cents]]></category>

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		<description><![CDATA[Se você era consciente em 1999, possivelmente se lembra de duas coisas malas daquele final de ano: o medo do bug do milênio (convenhamos &#8212; o pior que ele causou foi &#8220;Armadilha&#8221;) e as pessoas que insistiam que o mundo milênio ia acabar. Não, pessoas. O milênio não acabou em 31 de dezembro de 1999. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se você era consciente em 1999, possivelmente se lembra de duas coisas malas daquele final de ano: o medo do bug do milênio (convenhamos &#8212; o pior que ele causou foi <a title="Wikipédia: Armadilha" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Entrapment" target="_blank">&#8220;Armadilha&#8221;</a>) e as pessoas que insistiam que o <strike>mundo</strike> milênio ia acabar.</p>
<p>Não, pessoas. O milênio não acabou em 31 de dezembro de 1999. E, portanto, o outro milênio não começou no dia 1º de janeiro de 2000. Tudo aconteceu no ano seguinte: acabou em 2000, começou em 2001.</p>
<p>Por algum motivo, isso é muito confuso. <span id="more-694"></span>Mas a questão é que a pessoa que organizou o calendário (deve ter sido mais de uma, mas não vamos enrolar muito aqui) decidiu que esta era (<em>Anno Domini</em>) deveria começar com o <em>suposto</em> nascimento de Cristo (tanto faz se você acredita ou não &#8212; <a title="Wikipédia: Sobre a data do nascimento de Jesus" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Anno_Domini#Sobre_a_data_do_nascimento_de_Jesus" target="_blank">nem escolheram o ano certo mesmo</a>) e que esse deveria ser o <strong>ano 1</strong>. E, antes do ano 1, veio o&#8230; ano -1. Ou 1 aC.</p>
<p>Não, não rolou um ano zero. Não sei bem se foi porque teria sido esquisito ter um ano zero ou se foi porque o zero não era lá amigo das pessoas que usavam numeração romana. <strong>O importante é que não rolou um ano zero.</strong></p>
<p>Se não rolou ano zero, o primeiro século começou no ano 1 e terminou no ano 100. Aí o século seguinte começou no ano 101 e acabou no 200. E assim por diante. E isso vale para milênios também. E foi por isso que o século 20 acabou em 2000 e o século 21 começou em 2001. É só a forma como o calendário foi estabelecido. <a title="Greenwich: The new millennium" href="http://www.nmm.ac.uk/explore/astronomy-and-time/time-facts/the-new-millennium" target="_blank">Greenwich explica com mais detalhes.</a></p>
<p>Nessa lógica, o ano de 2009 não encerra a primeira década do século 21 (ou do segundo milênio). Então, <em>se você é purista</em>, deve estar sentindo acessos de fúria com todas essas listas de &#8220;melhores da década&#8221;.</p>
<p>Então eu, que sou <em>quase autista</em> com números e unidades (do tipo que usa L maiúsculo para &#8220;litro&#8221; e considera <strong>medidas drásticas</strong> quando alguém abrevia minuto como &#8220;m&#8221;), tenho um pequeno problema aqui.</p>
<p>Primeiro: de verdade, eu entendo <em>perfeitamente</em> a <a title="NPR: 10 Reasons Why We Love Making Lists" href="http://www.npr.org/templates/story/story.php?storyId=101056819" target="_blank">necessidade</a> <a title="Google Books: High Fidelity, by Nick Hornby" href="http://books.google.com/books?id=yXbkAF7w4twC&amp;printsec=frontcover&amp;source=gbs_v2_summary_r&amp;cad=0#v=onepage&amp;q=&amp;f=false" target="_blank">de se fazer</a> <a title="Topismos" href="http://topismos.blogspot.com/" target="_blank">listas</a>, mesmo que elas sejam uma porcaria (<a title="Letras Miúdas: Uma revista é tão bacana quanto sua lista de bacanas?" href="http://lhys.org/letrasmiudas/2008/11/04/uma-revista-e-tao-bacana-quanto-sua-lista-de-bacanas/" target="_self">você se lembra da Alice Glass?</a> pois é, eu também não&#8230;).</p>
<p>Segundo: eu me recuso a considerar que 1990 é parte da &#8220;década de 80&#8243; no sentido de &#8220;anos 80&#8243; no sentido de &#8220;eighties&#8221;. E, portanto, não considero que 2000 seja parte da &#8220;década de 90&#8243;, no sentido de &#8220;anos 90&#8243;, no sentido de &#8220;nineties&#8221;. <em>Se você me perguntar, eu digo que 2000 é sim parte dos tais &#8220;noughties&#8221;</em>.</p>
<p>Então eu vou ter que trapacear aqui. A trapaça? <em>&#8220;Década&#8221; é um período de 10 anos</em>. Assim como &#8220;hora&#8221; é um período de 60 minutos&#8221;. E eu posso dizer que &#8220;estou esperando há meia hora&#8221; se estiver esperando há 30 minutos, mesmo que esses trinta minutos tenham começado às 0:19.</p>
<p>Ou seja: o período compreendido entre 2000 e 2009 é uma década. Não é a primeira década do século (ou do milênio), <em>mas é uma década</em>. O que significa que eu posso sim falar &#8220;as melhores músicas da década de 1990&#8243;, mas não posso chamar isso de &#8220;a última década do século 20&#8243;. E vocês, que têm tempo, podem sim fazer suas listas da década de 200-. Ou dos noughties. Mas não vale chamar de &#8220;melhores da primeira década do século&#8221;.</p>
<p>Pode ser?</p>
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		<title>10 coisas que eu odeio em T4</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Aug 2009 15:23:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lhys</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eu tinha alguma esperança com T4. Foi lá pela época em que T:TSCC tinha uma minúscula chance de ser renovada (o que obviamente não aconteceu). Por causa dessa esperança, eu senti alguma culpa por não ter ido ao cinema para assistir &#8220;Terminator Salvation&#8221; (mas a minha falta de amigos geograficamente práticos não é o assunto). [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu tinha alguma esperança com T4. Foi lá pela época em que T:TSCC tinha uma minúscula chance de ser renovada (o que obviamente não aconteceu). Por causa dessa esperança, eu senti alguma culpa por não ter ido ao cinema para assistir &#8220;Terminator Salvation&#8221; (mas a minha falta de amigos geograficamente práticos não é o assunto). Aí ontem eu resolvi assistir o tal filme e fiquei muito feliz&#8230; por não ter ido ao cinema. Lá se foi uma hora e meia da minha vida que eu nunca vou recuperar, mas pelo menos o prejuízo não incluiu a (meia-)entrada, a fila, a pipoca e a tentativa de achar alguém que fosse ao cinema comigo (de novo: minha falta de amigos geograficamente práticos não é o assunto).</p>
<p>Antes de mais nada, duas coisas:</p>
<p>a) Eu não sou uma purista completamente mala. Eu assisto &#8220;Star Wars&#8221; na edição nova sem entrar em polêmica sobre o Han Solo ter atirado primeiro, e assisto a prelogia sem ficar reclamando do Jar Jar Binks ou das habilidades dramáticas de todos os intérpretes de Anakin Skywalker. Eu assisti &#8220;Terminator 3: Rise of the Machines&#8221;. Eu adorava &#8220;Terminator: The Sarah Connor Chronicles&#8221;. Resumindo: eu não vou discursar que nada vai ser melhor que &#8220;Terminator 2: Judgment Day&#8221;.</p>
<p>b) A partir deste momento, não vou me preocupar se você conseguiu demorar mais do que eu e ainda não viu T4. Vou falar do final do filme (que, surpreendentemente, eu não tinha ouvido até ontem) sem nenhuma culpa.</p>
<p>Se você ainda liga: <strong>as 10 coisas que eu odeio em T4:</strong><span id="more-651"></span></p>
<p>1) <em>O John Connor do Christian Bale</em> – como tantas outras pessoas, eu achei que o Bale seria uma coisa boa para T4. O Nick Stahl é meio limitado, e desisti da campanha pelo retorno do Edward Furlong porque <a title="MySpace: Edwardfurlongforever" href="http://viewmorepics.myspace.com/index.cfm?fuseaction=viewImage&amp;friendID=63372957&amp;albumID=629457&amp;imageID=381050" target="_blank">esta pessoa</a> não tem cara de salvador da humanidade. E, sei lá, o Christian Bale tem bagagem dramática e tal. Mas o resultado é que o John Connor é&#8230; dramático. E meio sem graça. Eu entendo que a vida está dura em 2018, mas nem um programa de rádio vai consertar aquela falta de carisma (o &#8220;future John&#8221; descrito pela Cameron era infinitamente mais interessante). Como líder, John Connor é o cara-que-está-lá-na-frente. Ele precisa responder aos <span style="text-decoration: line-through;">senadores</span>, digo, generais! Tanto trabalho da Sarah Connor jogado no lixo.</p>
<p>2) <em>Cadê a viagem no tempo que estava aqui?</em> – olhe bem para <a title="InformationIsBeautiful.net: Timelines – Time travel in popular film and tv" href="http://cache.gawker.com/assets/images/io9/2009/08/timetravel_960.gif" target="_blank">este gráfico maravilhoso</a> (aliás: encomendei ontem <a title="InformationIsBeautiful.net: The Visual Miscellaneum" href="http://www.informationisbeautiful.net/book/" target="_blank">este livro aqui</a>, que está em pré-venda). Achou &#8220;Terminator&#8221;? Achou T2? Achou T3? E, se você não souber, também tem timetravel em T:TSCC. Agora procure T4 nesse gráfico. Pois é, nada de viagem no tempo. E tudo bem que os robôs são o foco da fraquia (não é &#8220;Back to the Future&#8221;), mas viagem no tempo continua fazendo parte. No caso de Terminator, aliás, quanto maior o paradoxo, melhor. Mas talvez alguém tenha achado que viagens no tempo atrapalhariam toda a dramaticidade do filme. Afinal de contas, <span><span><a title="Twitter: @deniscp" href="http://twitter.com/deniscp/statuses/3595140380" target="_blank">timetraveling is fucking distracting</a>.</span></span></p>
<p><span><span>3) <em>A personalidade da </em></span></span><em>Kate Brewster</em> – reproduzo o comentário que ouvi do <a title="Twitter: @deniscp" href="http://www.twitter.com/deniscp" target="_blank">@deniscp</a> ontem: &#8220;<span><strong></strong><span>nunca pensei que diria isso, mas eu quero a Claire Danes de volta&#8221;</span></span>. A Kate Brewster já incomodava um pouco em T3, mas lamento dizer que Bryce Dallas Howard tem menos atitude que a Claire Danes. A Kate Brewster da Danes mandou um terminator para o passado/presente. Mandou no John Connor (Stahl) perdidaço. A Kate Brewster da Howard é uma grávida letárgica. A Sarah Connor ficaria decepcionadíssima com a nora. Mesmo que ela tenha sido a única mulher presa no abrigo.</p>
<p>4) <em>Senso de humor? Eu?</em> (outra do <a title="Twitter: @deniscp" href="http://www.twitter.com/deniscp" target="_blank">@deniscp</a>) – não me importa se não é uma comédia. Não é para ser comédia. Não precisa ser comédia. Não precisa de um alívio cômico óbvio e ineficiente como Jar Jar Binks. Mas o roteiro simplesmente não tem nenhuma graça. O que significa uma falta de <em>wit</em> nos personagens. De novo: eu entendo que 2018 seja uma droga, mas o mínimo de sarcasmo sobreviveria ao dia do julgamento. Até o futuro matrixiano, que também é uma droga (e T4 ficou <em>beeeem</em> parecido), tem um pouco.</p>
<p>5) <em>O plano criativo da Resistência</em> – <span style="text-decoration: line-through;">o Império</span>, quero dizer, a Skynet deixou vazar <span style="text-decoration: line-through;">os planos da Estrela da Morte</span>, quero dizer, uma possível arma contra as máquinas para que <span style="text-decoration: line-through;">os rebeldes</span> a Resistência tentasse<span style="text-decoration: line-through;">m</span> destruir a arma. O objetivo, é claro, era deixar <span style="text-decoration: line-through;">os rebeldes</span> a Resistência vulnerável a um ataque final <span style="text-decoration: line-through;">do Império</span> das máquinas. Mas tudo bem. <span style="text-decoration: line-through;">Luke Skywalker</span> John Connor dá um jeito de evitar o apocalipse. Mas alguém me explica outra coisa: como é que a Skynet nunca foi capaz de encontrar a porcaria do sinal do programa de rádio do John Connor?</p>
<p>6) <em>John Connor odeia as máquinas. Odeia!</em> – a reação do John Connor ao Marcus não é&#8230; <em>consistente</em>. Sim, o John Connor está em guerra contra as máquinas. Ele passou a vida tentando evitar/destruir a Skynet. Mas ele mesmo não é máquina e, portanto, tem todo o direito de ser confuso e ambíguo. E John Connor sempre foi confuso e ambíguo. Ele foi criado para ser ótimo com computadores. O John Connor do Edward Furlong ficou apegado ao Terminator-Arnie em apenas um filme. Uma coisa meio figura paterna, provavelmente. O apego é tanto que, em T3, o Terminator-Arnie explica que foi usado para matar o John Connor justamente por causa do rosto familiar. Sim, estou usando a lógica de T3 para argumentar contra T4 – <em>that&#8217;s how bad it is</em>. E o &#8220;future John&#8221; de T:TSCC (aquele que ninguém conheceu, mas que foi eventualmente comentado por Cameron e Jessie) confiava mais na bot do que nas pessoas.</p>
<p>7) <em>A falta de um terminator de verdade</em> – vilões são mais legais do que o Batman, terminators são mais legais do que as pessoas. Em T4, nossa dieta de robôs é basicamente restrita ao Marcus (sim, existem outros bots, mas são&#8230; <em>figurantes</em>). E ele melhora bastante ao longo da história (aquele começo gritando me incomodou, mas a tentativa de replicar a relação Arnie-Furlong com o teenageKyle não é tão ruim). Mas tem dois problemas com o Marcusbot: a) ele não é um terminator de verdade; ele não tem uma missão de matar ninguém e luta como uma pessoa-muito-forte, não um robô; b) uma parte importante da graça dos terminators são eles se descobrindo gente – o Furlong ensinando o Arnie a falar &#8220;Hasta la vista, baby&#8221;, a Cameron dançando balé –; o soldado se descobrindo bot não funcionou tão bem.</p>
<p>8&#41; <em>Marcus meets his maker</em> – Marcus coloca a mão no terminal e encontra todas as informações do mundo. O dia do julgamento, onde está Kyle Reese. Mas, para entender o como-assim-eu-sou-um-robô, ele precisa de uma conversa com <span style="text-decoration: line-through;">o Arquiteto</span>, quero dizer, <span style="text-decoration: line-through;">a Bellatrix Lestrange</span>, quero dizer, a Dra. Kogan, quero dizer, Skynet se apropriando de um rosto familiar para contar qual era a sua missão. Afinal de contas, até dá para aprender kung fu via USB – mas não dá para discutir o sentido da vida e o destino do universo sem um bom papo.</p>
<p>9) <em>Stop being such a girl!</em> – deve ser culpa do <a title="YouTube: Joss Whedon's Equality Now speech" href="http://www.youtube.com/watch?v=cYaczoJMRhs" target="_blank">Joss Whedon</a>, mas eu espero uma strong-women-character nesse tipo de coisa. Em Terminator, a Sarah Connor teve que ser resgatada no começo, mas ficou forte – o auge óbvio é T2. Em T3, como a Sarah Connor não estava mais lá, fizeram a Kate Brewster fazer alguma coisa e colocaram uma she-terminator. Em T:TSCC temos as duas coisas: a Sarah Connor (que, apesar de não ser mais a Linda Hamilton, tinha suas qualidades) e a she-terminator aka riverbot aka Cameron (aka Summer Glau). Aí, em T4, a Kate Brewster é a grávida letárgica (ver #3). Então tentaram salvar isso com a Blair Williams (aquela que se apaixona perdidamente pelo bot em menos de 2 dias), mas ela não é lá muito importante.</p>
<p>10) <em>Mi corazón, tu corazón</em> – até aqui, eu estava sobrevivendo. Você estava sobrevivendo. Não é lá uma obra-prima, mas o que você esperava do McG? Era um filme com robôs e explosões e armas, e embora faltasse um diálogo inteligente e um personagem gostável&#8230; ainda não dava aquela vontade de apagar T4 da memória para ocupar meu cérebro com coisas mais importantes. Tipo T3. Só que aí chegamos na <em>cena final</em> da coisa. John Connor precisa de um coração e não viverá o suficiente para ir até Oz procurar o dele. Então eis que Marcus oferece o coração dele. Gente, esse negócio de coração disponível pra transplante é o fim. Aquele filme com o David Duchovny? O mundo podia ter ficado sem. Também podia ter ficado sem essa no final de &#8220;Eli Stone&#8221;. Quando fizeram isso em &#8220;Pushing Daisies&#8221; (&#8220;Corpsicle&#8221;), rolou um humor negro. Quando fizeram isso em T4, rolou uma pausa para vômito.</p>
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		<title>A morte do Michael Jackson me enche de perguntas que a autópsia não vai responder</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Jun 2009 22:04:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lhys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
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		<category><![CDATA[meus 2 cents]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
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		<description><![CDATA[Falar que a morte de Michael Jackson foi um fato midiático é um puta clichezaço. Mas foi. E foi grande. Uma mensagem por segundo no Twitter. Congestionou o Google News (que botou captcha). E mandando no iTunes. Foi grande. Mas vamos pensar em como você ficou sabendo que o Michael Jackson morreu. Como eu não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Falar que a morte de Michael Jackson foi um fato midiático é um puta clichezaço. Mas foi. E foi grande.</p>
<p><a title="Bombounaweb: Tributo via Twitter: 1 mensagem por segundo" href="http://colunas.epoca.globo.com/bombounaweb/2009/06/26/tributo-via-twitter-1-mensagem-por-segundo/" target="_blank">Uma mensagem por segundo no Twitter</a>. <a title="Daily Mail: How Michael Jackson's death shut down Twitter, brought chaos to Google... and 'killed off' Jeff Goldblum " href="http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-1195651/How-Michael-Jacksons-death-shut-Twitter-overwhelmed-Google--killed-Jeff-Goldblum.html" target="_blank">Congestionou o Google News (que botou captcha)</a>. <a title="Billboard.biz: Jackson Dominates iTunes, Amazon, Twitter " href="http://www.billboard.biz/bbbiz/content_display/industry/e3i5eb34953fa8750474bc75a4421ac8900" target="_blank">E mandando no iTunes</a>.</p>
<p>Foi grande.</p>
<p>Mas vamos pensar em como você ficou sabendo que o Michael Jackson morreu. Como eu não vivo na consciência de mais ninguém, vou falar sobre mim &#8212; mas um dos links acima, o do Daily Mail, tem até uma sequência cronológica das notícias veiculadas.<span id="more-587"></span></p>
<p>Era quinta-feira, então eu fiquei na ECA durante a tarde &#8211;o  que significa que eu já tinha perdido o jogo do Brasil. Então eu chego em casa, um pouco antes das sete da noite, e paro para abrir e-mails e checar a chave de Wimbledon. Nada muito incrível &#8212; exceto por um post no Twitter sobre Michael Jackson.</p>
<p>Post sobre MJ? WTF, certo? Aí a capa do UOL anunciava que um outro &#8220;site&#8221; tinha noticiado a morte do Michael Jackson. Outro site? O <a title="TMZ: Michael Jackson dies" href="http://www.tmz.com/2009/06/25/michael-jackson-dies-death-dead-cardiac-arrest/" target="_blank">TMZ</a>, claro. Na <a title="Guardian: Michael Jackson: how celebrity gossip site TMZ got scoop of the decade" href="http://www.guardian.co.uk/media/2009/jun/26/michael-jackson-tmz-scoop" target="_blank">definição do Guardian</a>, o TMZ &#8220;had the celebrity scoop of the decade&#8221;.</p>
<p>Só que a morte do Michael Jackson era muito grande. Muito. Demais. E o TMZ não é o New York Times. Então todo o resto do mundo aguardava as informações do <a title="Los Angeles Times: L.A. NOW" href="http://latimesblogs.latimes.com/lanow/2009/06/pop-star-michael-jackson-was-rushed-to-a-hospital-this-afternoon-by-los-angeles-fire-department-paramedics--capt-steve-ruda.html" target="_blank">Los Angeles Times</a>, que tinha noticiado a chamada para a emergência &#8212; mas não havia confirmado a morte.</p>
<p>Nessa hora, minha mãe liga a TV. O Globo News estava com a imagem da CNN (ainda noticiando como hospitalização, não como morte) mostrando&#8230; os arredores do Centro Médico da UCLA. Durante muito tempo. Minutos e minutos e minutos de imagem aérea de uma rua onde nada acontecia. Alguém me explica qual é a informação contida nessa imagem?</p>
<p>Enquanto isso, o correspondente internacional da Globo News conversava com os âncoras. As informações dele eram basicamente &#8220;o TMZ disse&#8221;, &#8220;o Los Angeles Times disse&#8221;, &#8220;no site da NBC&#8230;&#8221;. A âncora, no estúdio, no Brasil, tinha as mesmas informações. Por alguma ironia da internet, ela até acessava os sites antes do correspondente internacional. Alguém me explica qual a informação do correspondente internacional que está lendo as mesmas notícias que a âncora?</p>
<p>Nesse meio tempo, aliás, o New York Times, a NBC e todo o resto do mundo aguardavam o LA Times confirmar a morte. Que já havia sido publicada no TMZ pelo menos uma hora antes. Por que é que as pessoas não confiam no TMZ? A explicação longa está no link do Guardian uns parágrafos atrás, mas o TMZ é um site super bagaceiro. Paparazzi, vídeos com o cinegrafista gritando para a pseudo-celebridade, qualquer tipo de escândalo. A cara do site também é bagaceira.</p>
<p>Mas vamos admitir que o TMZ não faz barriga. E dá as notícias antes. Nem imagino qual é o <a title="Access Hollywood: Hospital Disciplines Employee For Accessing Farrah Fawcett's Medical Records" href="http://www.accesshollywood.com/hospital-disciplines-employee-for-accessing-farrah-fawcetts-medical-records_article_8985" target="_blank">acordo duvidoso entre os &#8220;repórteres&#8221; e funcionários de hospitais da Califórnia</a>, ou com policiais ou com qualquer pessoa com algum acesso a informações supostamente privadas. Mas eu acredito no TMZ porque as notícias bagaceiras que eles publicam (antes) são confirmadas em seguida por todos os outros veículos.</p>
<p>Enfim. Eventualmente o Los Angeles Times confirmou o que o TMZ já tinha dito, e todo o resto do mundo pôde dar a mesma notícia de antes &#8212; só que sem a expressão &#8220;segundo o site TMZ&#8221;.</p>
<p>Bom, dá algumas horas e o mundo ainda está colocando &#8220;Michael Jackson&#8221; nos trending topics do Twitter. Falo rapidinho com a Marcela e, é claro, a capa desta semana será MJ. Eu estava ainda pensando se a morte do MJ foi mesmo a coisa mais importante que aconteceu nesta semana, mas, aparentemente, não dava para não colocar MJ na capa.</p>
<p>E não deu mesmo. As três semanais colocaram.</p>
<p><img class="size-full wp-image-590 alignleft" title="Isto É: As várias vidas de Michael Jackson" src="http://lhys.org/letrasmiudas/wp-content/uploads/2009/06/mjistoe.png" alt="Isto É: As várias vidas de Michael Jackson" width="240" height="320" />A da <em>Isto É</em> é&#8230; burocrática. A transformação de MJ em 4 fotos &#8212; da criança fofa dos Jacksons até a última versão que poderia ser colocada em uma capa de revista (as imagens mais recentes, com aquele pseudonariz, agridem demais).<br style="clear:both;" /></p>
<p><img class="size-full wp-image-592 alignleft" title="Veja: Michael Jackson 1958 - 2009" src="http://lhys.org/letrasmiudas/wp-content/uploads/2009/06/mjveja.png" alt="Veja: Michael Jackson 1958 - 2009" width="240" height="320" />A capa da <em>Veja</em> é&#8230; putz, achei fria. Tá, é reconhecível. Mas é deprê que o Michael Jackson seja reconhecido pela mãozinha.<br style="clear:both;" /></p>
<p><img class="size-full wp-image-589 alignleft" title="Época: Michael Jackson 1958 - 2009" src="http://lhys.org/letrasmiudas/wp-content/uploads/2009/06/mjepocaopt.png" alt="Época: Michael Jackson 1958 - 2009" width="240" height="320" />Aliás, preciso observar: ainda bem que a Época não aprovou esta capa aqui.<br style="clear:both;" /></p>
<p><img class="size-full wp-image-588 alignleft" title="Época: Michael Jackson 1958 - 2009" src="http://lhys.org/letrasmiudas/wp-content/uploads/2009/06/mjepoca.png" alt="Época: Michael Jackson 1958 - 2009" width="240" height="320" />A capa que a <em>Época</em> aprovou foi esta aqui. Que eu achei linda. Só que, como <a title="Faz Caber: Qual capa você escolheria?" href="http://colunas.epoca.globo.com/fazcaber/2009/06/27/qual-capa-voce-escolheria-3/" target="_blank">eles mesmos admitiram</a>, a foto saiu na capa de uma Vanity Fair de 1989.<br style="clear:both;" /></p>
<p><img class="size-full wp-image-591 alignleft" title="Vanity Fair, dezembro de 1989" src="http://lhys.org/letrasmiudas/wp-content/uploads/2009/06/mjvanityfair.png" alt="Vanity Fair, dezembro de 1989" width="240" height="320" /></p>
<p>A foto é da Annie Leibovitz e a revista está sendo oferecida no eBay. E, se você ainda quer ler mais um pouco sobre MJ, a Vanity Fair reuniu várias matérias <a title="Vanity Fair: Michael Jackson Is Gone, but the Sad Facts Remain" href="http://www.vanityfair.com/online/politics/2009/06/michael-jackson-is-gone-but-the-sad-facts-remain.html" target="_blank">aqui</a>.<br style="clear:both;" /></p>
<p>O que eu queria dizer é que a morte do Michael Jackson foi enorme e <a title="NYT: Morning News Shows Focus on Jackson Memorials" href="http://artsbeat.blogs.nytimes.com/2009/06/26/morning-news-shows-focus-on-jackson-memorials/" target="_blank">&#8220;the lead story across the world&#8221;</a>. E estamos todos RT-ando as mesmas piadas (ruins) no Twitter. Reciclando capas. Vendo a mesma informação se repetindo.</p>
<p>O blog Jornalismo nas Américas, do Knight Center, escreveu que <a title="Jornalismo nas Américas: Morte de Michael Jackson deixa lições a jornalistas sobre como cobrir notícias de última hora" href="http://knightcenter.utexas.edu/blog/?q=pt-br/node/4454" target="_blank">&#8220;Morte de Michael Jackson deixa lições a jornalistas sobre como cobrir notícias de última hora&#8221;</a>. Eu, sinceramente, acho que ninguém aprendeu nada. E ninguém vai aprender nada, porque não tem bem para onde ir.</p>
<p>Como lidar com rumores? <a title="OJR: Michael Jackson's death and its lessons for online journalists covering breaking news" href="http://www.ojr.org/ojr/people/robert/200906/1755/" target="_blank">Noticiando que os rumores existem</a> (e que &#8220;estamos indo atrás disso&#8221;)? Isso foi o que meio mundo fez &#8212; o &#8220;Morre Michael Jackson, diz site&#8221;. Meio mundo fez isso porque o TMZ é bagaceiro, mas eficaz. Porque as chances de barriga eram pequenas &#8212; e, se fosse barriga mesmo, a &#8220;culpa&#8221; era do TMZ.</p>
<p>Só que noticiar rumores é problemático. Se não for verdade, não importa de quem é a culpa &#8212; quando a correção sair, milhares de pessoas já leram e ignoraram a parte que dizia que nada havia sido confirmado.</p>
<p>Devemos então abandonar o <em>breaking news</em> para evitar esse tipo de engano? Convenhamos que essa vontade de sair na frente já matou um governador antes da hora e divulgou uma lista errada da Fuvest. Mas quem quer ser o último a anunciar que, &#8220;<em>OMFG urgente!!!! </em>o MJ morreu&#8221; &#8212; quando todo o mundo (menos a minha irmã, que só descobriu na hora do almoço do dia seguinte) já sabia?</p>
<p>E tem mais um monte de perguntas nessa história toda. Jornalismo é uma escolha sobre quem é que nós vamos repetir? Então para que serve um correspondente internacional? Precisamos mesmo dessa imagem de cobertura por tanto tempo assim, mesmo que seja um tédio sem informação nenhuma? Essa foi mesmo a notícia mais importante da semana? E será que eu deveria saber tudo isso sobre a vida do Michael Jackson?</p>
<p>Mas eu não tenho esperanças. A causa da morte, as plásticas, as crianças, o suco de Jesus, Neverland e o Blanket serão muito mais discutidos do que tudo isso que eu perguntei.</p>
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		<title>Estadão finge que é o Radiohead, eu finjo que sou superior</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Jun 2009 18:09:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lhys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[caso perdido]]></category>
		<category><![CDATA[idéias brilhantes]]></category>
		<category><![CDATA[meus 2 cents]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>

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		<description><![CDATA[O Estadão está com uma coisa que eu vou chamar de &#8220;promoção para conseguir mais assinantes&#8221;. Faz parte da campanha informação/conhecimento (que explica que aprender a andar de bicicleta &#62;&#62;&#62; derrubar o muro de Berlin &#8212; até porque o mundo não aprendeu nada com o muro). O site explica assim: A assinatura semestral com entrega [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Estadão está com uma coisa que eu vou chamar de <a title="Estadão: Qual o valor do conhecimento?" href="http://www.estadao.com.br/assine/" target="_blank">&#8220;promoção para conseguir mais assinantes&#8221;</a>. Faz parte da campanha informação/conhecimento (que explica que <a title="YouTube: Se hoje em dia a informação é de graça, qual o valor do conhecimento?" href="http://www.youtube.com/watch?v=GAfFoonTUMs" target="_blank">aprender a andar de bicicleta &gt;&gt;&gt; derrubar o muro de Berlin</a> &#8212; até porque o mundo não aprendeu nada com o muro).<span id="more-560"></span></p>
<p>O site explica assim:</p>
<blockquote><p>A assinatura semestral com entrega de 2ª a domingo do Estadão não tem preço fixo. É você que vai dizer quanto você acha que vale aprimorar o seu conhecimento. Isso mesmo. <em><span>Você assina e diz o quanto você quer pagar pelo primeiro mês</span></em>. Assine agora.</p></blockquote>
<p>Uma coisa que, rapidinho, parece super bacana e cabeça.</p>
<p>Aí você pensa, fica cínico e lembra do &#8220;In Rainbows&#8221;. Aquele disco que o Radiohead vendeu como download no sistema &#8220;pague o quanto você achar que deve&#8221;.</p>
<p>Aí eu estava lembrando sobre reações à história do &#8220;In Rainbows&#8221; &#8212; reações de pessoas que vendem música, não reações de fãs empolgadaços do Radiohead. Lily Allen acusou o Radiohead de arrogância, o Gene Simmons perguntou se você fumou crack e o Liam Gallagher falou que só por cima do cadáver dele (tudo na <a title="Rolling Stone: Lily Allen, Oasis, Gene Simmons Backlash Against Radiohead’s “Rainbows”" href="http://www.rollingstone.com/rockdaily/index.php/2007/11/14/lily-allen-oasis-gene-simmons-backlash-against-radioheads-rainbows/" target="_blank">Rolling Stone</a>), mas a melhor mesmo foi a do Robert Smith (no <a title="Times Online: No Cure without pain, says Robert Smith" href="http://entertainment.timesonline.co.uk/tol/arts_and_entertainment/music/article5767323.ece" target="_blank">Times</a>):</p>
<blockquote><p>You can’t allow other people to put a price on what you do, otherwise  you don’t consider what you do to have any value at all, and that’s  nonsense.</p></blockquote>
<p>Mas, quer saber? Nem é por isso.</p>
<p>A questão é que <em>o Estadão está dando um golpe publicitário que ofende a inteligência do mundo</em>.</p>
<p>Eles estão fazendo uma promoção que te dá um mês de graça na assinatura semestral. Pague cinco, receba seis. E ainda fingem que isso é super bacana.</p>
<p>Não sei para onde o jornalismo vai, não sei como vai ficar a história da oferta de informação, não sei de nada.</p>
<p>Mas, queridos, esponja de lavar louça dá uma de graça no pacotinho. Shampoo dá um de graça quando você compra o kit. Escova de dente me dá a pasta de graça. E nenhum deles tem a coragem de me perguntar se eu quero pagar um centavo a mais pela experiência.</p>
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		<title>Pobres cozinheiros! (ou: para que serve o meu diploma?)</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Jun 2009 04:41:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lhys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[meus 2 cents]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu tenho um diploma de jornalismo. Mas eu nem precisaria mais dele, se quisesse ser jornalista (a lavada de 8 a 1 saiu nesta quarta-feira, depois de muito atraso). Isso porque, aparentemente, jornalista e cozinheiro (confesso que a comparação me fez pensar na cozinha que anda o jornalismo) não precisam de qualificação. Pobres cozinheiros! Não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Eu tenho um diploma de jornalismo. </em>Mas eu nem precisaria mais dele, se quisesse ser jornalista (a lavada de <a title="Folha Online: Supremo derruba exigência do diploma para jornalistas " href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u582417.shtml" target="_blank">8 a 1</a> saiu nesta quarta-feira, depois de muito atraso). Isso porque, aparentemente, jornalista e <a title="Folha Online: Mendes compara jornalista a cozinheiro e vota contra exigência de diploma" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u582486.shtml" target="_blank">cozinheiro</a> (confesso que a comparação me fez pensar na <em>cozinha</em> que anda o jornalismo) não precisam de qualificação. Pobres cozinheiros!<span id="more-553"></span></p>
<p>Não precisam de qualificação? Olha, admito que o modelo não está bom. Se fosse por mim, jornalismo era uma especialização, e não uma graduação. Um MBA que não vai devolver o investimento. Mas acho sim que é preciso ter alguma coisa que não seja um treinamento profissional de fazer entrevista por telefone e escrever lead.</p>
<p>Não que um curso garanta isso &#8212; em um ano ou em quatro anos (ou cinco, no meu caso).</p>
<p>Fazer faculdade de direito <a title="Folha Online: Primeira fase do exame da OAB reprova quase 90% dos candidatos paulistas" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u572231.shtml" target="_blank">não garante passar no exame da ordem</a>. E passar no exame da ordem <a title="Folha Online: Casal acusado se contradiz sobre morte de garota " href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u115509.shtml" target="_blank">não significa ter muita noção</a>.</p>
<p>Fazer faculdade de medicina também <a title="Folha Online: Polícia indicia por homicídio culposo médico acusado de erro no Rio" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u568785.shtml">não é garantia de não fazer mal a ninguém</a>.</p>
<p>Só que isso tudo me faz pensar em uma historinha de alguém que conhece alguém que eu conheço. A pessoa viajou para o México e contou que tinha dois tipos de carne para comprar: a que tem o selo do governo e a que não tem o selo do governo. Confesso que <em>não sei se o governo mexicano me garante alguma coisa</em>, mas eu realmente gosto de pensar que tinha um selo. Assim como eu gostava de pensar que existe um diploma.</p>
<p><em>Eu tenho um diploma de jornalismo.</em> Eu tenho um selo sobre a procedência da minha carne. <strong>Para que ele serve?</strong></p>
<p>Acho que seria injusto falar que ele servia para que eu pudesse trabalhar como jornalista &#8212; porque não é o meu caso. Um tempo atrás, eu diria alguma coisa sobre a importância do diploma para garantir a prisão especial &#8212; mas isso também <a title="Folha Online: Senado aprova fim de prisão especial para pessoas com curso superior e políticos" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u544357.shtml" target="_blank">já foi pro saco</a>.</p>
<p>Felizmente, tem sim importância para mim: não daria para fazer mestrado sem um diploma. <em>Ufa!</em></p>
<p><em>Eu tenho um diploma de jornalismo e não sei</em><em> cozinhar. </em>A segunda parte seria mais útil.</p>
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		<title>Você não precisa ler isto aqui</title>
		<link>http://lhys.org/letrasmiudas/2009/06/03/voce-nao-precisa-ler-isto-aqui/</link>
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		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 01:30:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lhys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[boas intenções]]></category>
		<category><![CDATA[caso perdido]]></category>
		<category><![CDATA[meus 2 cents]]></category>

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		<description><![CDATA[Não estou dizendo que a morte de 126 pessoas seja coisa pouca. Mas a verdade é que eu passei esses últimos dois dias tentando imaginar se nada mais importante estava acontecendo a cada vez que abria um site de notícias. Neste momento, as cinco notícias mais lidas do G1 têm alguma coisa a ver com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não estou dizendo que a morte de 126 pessoas seja coisa pouca. Mas a verdade é que eu passei esses últimos dois dias tentando imaginar se nada mais importante estava acontecendo a cada vez que abria um site de notícias.</p>
<p>Neste momento, as cinco notícias mais lidas do G1 têm alguma coisa a ver com isso – desde destroços encontrados a entrevistas com namorada de passageiro. Na Folha Online, &#8220;Veja nomes de 126 ocupantes do avião da Air France&#8221; virou a notícia mais lida (a segunda é a Cameron Diaz dizendo que queria ter mais bunda).</p>
<p>Não estou dizendo que a morte de 126 pessoas seja coisa pouca. Mas, entre todas aquelas pessoas que clicaram em &#8220;Veja nomes de 126 ocupantes do avião da Air France&#8221;, quantas realmente tinham alguma expectativa de encontrar um nome familiar?</p>
<p>Ou: exatamente <strong>qual informação importante estava na notícia mais lida?</strong> Não sei dizer – porque decidi não clicar no link (e é por isso que nenhuma matéria citada foi linkada).<span id="more-540"></span></p>
<p>No meio da tarde, chega um link via Twitter: <a title="Trezentos: Os verdadeiros urubus" href="http://www.trezentos.blog.br/?p=1583" target="_blank">Os verdadeiros urubus</a>. Um trecho:</p>
<blockquote><p>Um acidente aéreo tem mais destaque que o acidente de ônibus da equipe do Sertãozinho por dois motivos, um válido e outro inválido: os acidentes ganham importância de acordo com o número de mortos, e de acordo com o envolvimento de pessoas da classe dominante. O motivo válido quem provoca são as circunstâncias. A culpa do motivo inválido é toda sua, classe dominante. <strong>Porque é você que compra o jornal, e é para você que os jornalistas escrevem.</strong></p></blockquote>
<p>Não é exatamente como eu colocaria – até porque a expressão &#8220;classe dominante&#8221; não costuma sair da minha boca ou dos meus dedos. Mas a distribuição de <a title="Claro! Culpa" href="http://www.claronline.com.br/index.php?option=com_content&amp;view=category&amp;id=44:culpa" target="_blank">culpa</a> vai muito longe e <em>chega muito perto</em>. E será que eu posso falar muita coisa?</p>
<p>Desde que eu <a title="Letras miúdas: A vida só começa depois do Carnaval, certo?" href="http://lhys.org/letrasmiudas/2009/02/27/a-vida-so-comeca-depois-do-carnaval-certo/">parei de trabalhar</a>, deixei de lado vários hábitos de anos. Não leio mais sobre a vida da Amy Winehouse. Não sei mais se o Pete Doherty foi preso. Não tenho ideia do peso atual da Britney Spears (embora continue ouvindo os discos). O que foi ótimo, porque <a title="Letras miúdas: A maior parte é mentira, e quase nada disso faz sentido" href="http://lhys.org/letrasmiudas/2009/02/13/a-maior-parte-e-mentira-e-quase-nada-disso-faz-sentido/">isso não estava mais fazendo muito bem para mim</a> (notem que esse comentário foi feito apenas alguns dias antes de parar de trabalhar).</p>
<p>Mas <em>a curiosidade mórbida é um bicho muito mais resistente</em>. Nesta última semana, decidi parar de clicar em qualquer chamada sobre a crise conjugal dos Gosselin (de &#8220;Jon &amp; Kate Plus Eight&#8221;) – mas confesso que foi só depois de ter lido bastante sobre isso. E eu nem assisto esse programa!</p>
<p>Uns meses atrás, eu descobri que <a title="Letras miúdas: O que eu aprendi com o BBB 9" href="http://lhys.org/letrasmiudas/2009/04/08/o-que-eu-aprendi-com-o-bbb-9/">é sim possível passar um BBB inteiro sem ler as notícias relacionadas</a>. Não faz falta na sua vida e você consegue sim achar assunto para comentar com outras pessoas. Eu não preciso saber sobre o vencedor do BBB, não preciso saber sobre os Gosselin, não preciso saber sobre cada um dos 126 mortos.</p>
<p>Mas vamos admitir: ao mesmo tempo em que eu não sei (porque não cliquei), eu sei (porque vi a chamada). É praticamente uma <strong>osmose simbólica</strong>. Com exceção dos meus momentos mais disléxicos, nos quais meus olhos e meu cérebro inventam chamadas absolutamente surreais com palavras que não estão lá, o processo é rápido: o olho se mexe e <em>pronto!</em>, você fica sabendo que &#8220;Heidi and Spencer Return to the Jungle&#8221;.</p>
<p>Ao mesmo tempo, eu preciso avaliar o quanto eu posso ignorar sem ser completamente ignorante. Que tipo de julgamento eu posso fazer para decidir o que ler e o que não ler – <em>antes de ler?</em></p>
<p>Lembrando um <a title="Letras miúdas: Você não precisa mudar de opinião, mas podia me ouvir mesmo assim" href="http://lhys.org/letrasmiudas/2009/03/31/voce-nao-precisa-mudar-de-opiniao-mas-podia-me-ouvir-mesmo-assim/">artigo que eu comentei um tempo atrás</a>, a gente lê o que a gente quer ler. Talvez o jornalismo seja tão bom ou tão ruim quanto a gente. Mas acho que isso funciona nos dois sentidos: a gente faz o jornalismo ser ruim, e o jornalismo ruim faz a gente ser ainda pior.</p>
<p>Então eu estou aqui, tentando equilibrar o que eu posso não saber e o que eu fico sabendo sem querer ou precisar.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Os termos mais simples, as definições mais convenientes</title>
		<link>http://lhys.org/letrasmiudas/2009/04/29/os-termos-mais-simples-as-definicoes-mais-convenientes/</link>
		<comments>http://lhys.org/letrasmiudas/2009/04/29/os-termos-mais-simples-as-definicoes-mais-convenientes/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 29 Apr 2009 23:38:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lhys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[caso perdido]]></category>
		<category><![CDATA[meus 2 cents]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu estava lendo o livro do Lustosa e encontro lá, escrito e impresso: Assim, o jornalista é um mestre em generalidades. É aquele cidadão que sabe de tudo e não conhece nada. Eu sei que já ouvi isso antes e já devo ter feito piada. Mas, convenhamos &#8212; não é bem assim. A maior parte [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu estava lendo o <a title="Google Books: O texto da notícia" href="http://books.google.com/books?hl=pt-BR&amp;id=ubguAAAAYAAJ">livro do Lustosa</a> e encontro lá, escrito e impresso:</p>
<blockquote><p>Assim, o jornalista é um mestre em generalidades. É aquele cidadão que sabe de tudo e não conhece nada.</p></blockquote>
<p>Eu sei que já ouvi isso antes e já devo ter feito piada. Mas, convenhamos &#8212; não é bem assim. A maior parte dos meus amigos são jornalistas, e eu jamais diria que um deles &#8220;não conhece nada&#8221;. Não porque seria uma grande sacanagem, mas porque seria uma grande mentira.</p>
<p>Meus amigos jornalistas conhecem muita coisa. Talvez o que eles saibam mais seja a especialidade de trabalho deles &#8212; como todo o resto do mundo. E o resto do mundo também sabe de muito mais do que aquilo que cada um faz no trabalho.</p>
]]></content:encoded>
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